Você sabe o que é inovar? Entende a importância dessa habilidade para o crescimento de sua empresa? Caso suas respostas para essas perguntas tenham sido “não” ou “talvez” este texto é essencial para você.
Confira a seguir a entrevista com a Superintendente de Inovação do Itaú Unibanco, onde ela falará sobre:
– Conhecer o processo de inovação
– Como aplicar suas ferramentas na busca de soluções criativas
– Como superar as dificuldades na hora de estimular a criatividade
E muito mais!
IMN: O que é inovar?
Ellen Kiss: Inovar é a habilidade de entregar soluções que sejam essencialmente desejáveis pelas pessoas, mas também tecnicamente possíveis e financeiramente viáveis. O equilíbrio destes três elementos permite a criação de valor para toda a cadeia.
Historicamente, muitas empresas priorizavam a eficiência e os custos em detrimento de uma boa experiência. Esta estratégia mostrou-se frágil, já que somente um player, ou seja, uma empresa, sai vencedora. Somente um produto pode ser o mais barato. O oposto disso é a entrega de uma experiência tão agradável, uma solução tão inovadora, que faz com que as pessoas tenham preferência pelo seu produto ou serviço. Pense no Uber x Táxis, Apple x Microsoft ou mesmo o Starbucks em relação aos demais cafés. Experiências mais caras sob o aspecto financeiro, porém com maior valor para o cliente, maiores margens para a empresa e maior retorno para a sociedade. A verdadeira inovação deve ser centrada no valor para as pessoas.
IMN: Mas afinal, qual a importância da inovação para o crescimento das empresas?
Ellen Kiss: Inovação não pode ser considerada uma nova demanda para os negócios, algo particular do século XXI. Ao contrário, desde os primórdios da humanidade, os homens sempre foram obrigados a inovar, visando à sobrevivência ou buscando inventar e implementar soluções melhores para seus problemas cotidianos: a invenção da linguagem, da roda, o domínio do fogo, a aviação entre várias outras.
Mas a transformação mais recente foi a velocidade com que as inovações passaram a ser geradas e disponibilizadas. Revoluções que antes demoravam para serem atingidas, o telefone fixo, por exemplo, demorou 75 anos para atingir 100 milhões de pessoas. Já o WhatsApp levou pouco mais de 3 anos para conquistar o mesmo número de usuários
Neste novo modelo emergente, as pessoas são mais exigentes e colaborativas. Assim, as empresas devem adotar novas posturas e uma inclinação ainda maior para inovação.
Para permitir crescimento é fundamental que as empresas se provoquem de forma recorrente e se perguntem: “Estou entregando a melhor experiência para meus clientes?”, “’Estou considerando a experiência em cada uma das etapas de interação, ou seja, entre a marca, produto e pessoa?”, “Consigo antecipar aos desejos e as necessidades das pessoas e prover algo que melhore seu dia a dia?”. São perguntas aparentemente simples de serem feitas, mas complexas de serem respondidas.
IMN: Como superar as dificuldades na hora de estimular a criatividade?
Ellen Kiss: Considerando que as pessoas são o foco da inovação, um bom começo é buscar entendê-las. Colocar-se no lugar dos outros e entender aquela situação a partir da sua perspectiva. Muitos executivos tendem a acreditar que conhecem tudo sobre seu cliente e seu produto, mas em grande parte das vezes possuem uma visão míope e tiram conclusões a partir das suas próprias crenças.
Portanto, um conselho é que o empreendedor saia do escritório e vá a campo, converse com as pessoas, observe como elas compram seu produto, como abrem a embalagem (se este for o caso), como utilizam o produto e até mesmo como o descartam. É impressionante o aprendizado gerado a partir de um exercício simples como este.
IMN: Quais as principais ferramentas que auxiliam nesta tarefa?
Ellen Kiss:
1. Design Thinking
É uma abordagem utilizada pelos designers que permite entender melhor um problema, gerar soluções e acelerar a inovação, a partir de uma perspectiva centrada no usuário, com três valores principais:
- Empatia: eliminar os preconceitos sobre um determinado problema e entendê-lo a partir da perspectiva do outro.
- Colaboração: co-criar com pessoas multidisciplinares, promover atividades que permitam a integração de ideias de pessoas com diferentes repertórios.
- Experimentação: transitar entre o mundo das ideias e dos protótipos. Construir para aprender, testar e coletar feedback das pessoas.
Essa abordagem vem sendo muito utilizada por empresas de diversos setores e basicamente consiste em quatro etapas:
- Imersão: entendimento profundo sobre as diversas perspectivas do problema.
- Análise: identificar o que é realmente relevante para as pessoas.
- Ideação: brainstorming e sessões de cocriação para geração do maior número de soluções que respondam ao problema.
- Prototipagem: construção da solução em formato simples, muitas vezes em papel ou lego que permitam testar e obter as reações e opiniões das pessoas.
2. Personas
Nem todas as pessoas se relacionam com um produto ou uma empresa da mesma forma. Definir grupos de usuários específicos, representado por uma “persona”, ajuda a desenvolver a empatia pelo cliente e gerar soluções que atendam às suas necessidades. A construção da persona não deve ser fictícia e sim baseada nos aprendizados da imersão e investigação.
3. Jornada do usuário
A jornada consiste no mapeamento de todas as atividades (explícitas e implícitas) que pessoas percorrem até alcançar o produto/ serviço e terem suas necessidades atendidas. Esta ferramenta nos permite entender todos os pontos de contato entre as pessoas e o serviço, bem como as emoções e expectativas em torno disso.
Por exemplo, o primeiro ponto de contato de um restaurante não é a hostess que recebe o cliente na porta, mas na maioria das vezes é o manobrista da empresa terceirizada, que nem sempre atende o mesmo padrão de qualidade do restaurante. O ideal é fazer este mapeamento a partir da experiência atual e da desejada para assim identificar os possíveis pontos de tensão e oportunidades de melhoria.
4. Cenários análogos
Esta é uma poderosa ferramenta que permite identificar metáforas e cenários paralelos para facilitar o entendimento do problema e inspirar o time a gerar soluções inovadoras. A atividade consiste em identificar os mesmos desafios a serem resolvidos em segmentos ou empresas de natureza distintas. Por exemplo: o que a relação das pessoas com sua saúde pode inspirar na relação com dinheiro? Atitudes preventivas, disciplina no check-up, hábitos saudáveis, etc. Investigar como outros setores resolvem o desafio são excelentes fontes de inspiração.
5. Brainstorming
A atividade implica em gerar a maior quantidade possível de ideias para um determinado desafio, sem as limitações normais de orçamento e viabilidade. Quanto maior o número de sugestões, maior a chance de encontrar boas ideias. Mesmo as impossíveis podem servir de inspiração para as mais realistas e viáveis.
É importante, também, envolver pessoas com diferentes perfis, para que as soluções geradas sejam as mais diversificadas possíveis. Evitar julgamentos e incentivar ideias malucas são algumas das boas práticas desta metodologia para obter inovações criativas.
6. Scamper
Scamper é uma técnica que auxilia na geração ou melhoria de novas ideias a partir de algo já existente. A palavra Scamper é um acrônimo formado por 7 letras, originado das iniciais de 7 ações e questionamentos para os produtos ou serviços existentes, que ajudam a pensar de forma diferentes. Cada uma das ações propostas serve para a construção de novas e inovadoras soluções.
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