Risco de liquidez: como manter a saúde financeira da sua empresa? - Itaú | Sustentabilidade

Risco de liquidez: como manter a saúde financeira da sua empresa?

Entenda a importância dos indicadores de liquidez e descubra estratégias para manter as finanças da sua empresa sob controle.

14/12/2023 - 9 min de leitura

Você sabia que, apesar de 72% das pessoas responsáveis por gerir micro e pequenas empresas no Brasil terem um bom entendimento de conceitos financeiros, menos da metade delas realmente compreende como a liquidez afeta diretamente o futuro de seus negócios?

Essa constatação foi feita por uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizada em 2022. O estudo, que envolveu 14 países, revelou que embora a maioria das lideranças demonstre familiaridade com termos econômicos, somente 54% delas têm clareza sobre as práticas eficazes de gestão financeira em seus empreendimentos. Como será que esta lacuna de conhecimento limita o potencial de um negócio?

Neste artigo, vamos ensinar você a identificar os sinais de alerta e as principais estratégias para melhorar essa questão. Além disso, falaremos sobre como se proteger das flutuações das taxas de juros, que impactam, diretamente, o caixa mínimo operacional das organizações.

 

O que é risco de liquidez? Descubra os sinais de alerta

O risco de liquidez refere-se à dificuldade de uma empresa pagar suas dívidas no prazo e manter suas operações. É um aspecto crucial na gestão de negócios, pois avalia se o empreendimento possui recursos suficientes para pagar suas obrigações financeiras. Enfrenta-se um desafio de liquidez quando as despesas excedem os valores a receber, um indicador preocupante para a saúde financeira da empresa. Entender esse risco é muito importante, já que ele impacta diretamente a capacidade do negócio de manter-se ativo e honrar seus compromissos financeiros.

Os sinais de problemas de liquidez são variados e podem incluir atrasos no pagamento de contas, dificuldades em cumprir com obrigações financeiras ou um aumento significativo nos custos operacionais.

Para avaliar se o seu negócio está enfrentando esses desafios, existe um método simples: compare tudo o que tem a receber em curto prazo com as obrigações a pagar no mesmo intervalo. Se o resultado dessa comparação for igual ou superior a 1, a empresa está em uma posição relativamente segura. Este cálculo oferece uma visão clara do nível de liquidez atual, permitindo tomar medidas para melhorar a saúde financeira do empreendimento.

 

Indicadores ajudam a monitorar a liquidez

Cada indicador de liquidez é capaz de destacar uma área da empresa que precisa de gestão mais eficiente. Conheça, abaixo, os índices de liquidez, entenda como analisar cada um e aprenda a fazer o diagnóstico no seu negócio.

Liquidez corrente: este indicador mostra a capacidade da empresa de honrar seus pagamentos no curto prazo, incluindo os recebíveis de clientes. Ele é importante não apenas acompanhar os valores a receber, mas também para avaliar a saúde financeira e a capacidade de pagamento do seu público.

Para calcular a liquidez corrente, divide-se o que a empresa tem disponível para usar rapidamente (ativo circulante) pelo que ela deve pagar em breve (passivo circulante). Por exemplo, se uma empresa tem R$35 mil disponíveis para uso imediato e deve R$31 mil em breve, a conta é: 35 mil dividido por 31 mil, resultando em 1,12. Esse resultado indica que a empresa tem um pouco mais de recursos disponíveis do que dívidas a curto prazo.

Uma solução que pode ajudar com este monitoramento é o Radar de Risco, do Itaú Empresas em parceria com a Quod. O serviço oferece análise do risco de crédito dos seus clientes e fornecedores, te ajudando a fazer uma gestão de negócios mais informada e segura. Desta forma, é possível entender melhor a confiabilidade dos recebíveis de curto prazo e, assim, calcular com maior precisão a liquidez corrente da sua empresa.

 

Liquidez seca: indica se uma empresa pode pagar suas contas de curto prazo sem depender do dinheiro que espera obter com a venda de seu estoque. É uma medida importante para entender como a empresa está financeiramente, mesmo que tenha muitos produtos em estoque.

Exemplo: uma empresa tem R$40 mil em recursos que podem ser usados rapidamente, mas desses, R$29 mil estão em produtos no estoque. Ela tem dívidas de curto prazo de R$17 mil. Para calcular a liquidez seca, subtraímos o valor do estoque do total de recursos disponíveis e depois dividimos pelo total de dívidas de curto prazo. Nesse caso, seria (40 mil – 29 mil) dividido por 17 mil, o que dá 0,65. Isso significa que, sem contar o estoque, a empresa tem apenas 65% dos recursos necessários para pagar suas dívidas imediatas.

Este indicador é importante porque considera tanto o ciclo operacional quanto o financeiro da empresa, oferecendo uma visão mais realista de sua capacidade de pagamento a curto prazo.

 

Liquidez imediata: mostra a capacidade de um negócio de lidar com despesas urgentes e inesperadas. Ela foca apenas no dinheiro disponível imediatamente – como o que está no caixa, na conta bancária ou em aplicações financeiras de fácil acesso. Mas é importante lembrar que este número não reflete a situação financeira total da empresa, já que não considera estoque e outros bens.

Por exemplo, se uma empresa tem R$6 mil disponíveis em caixa ou contas bancárias, mas deve R$18 mil a curto prazo, a conta para a liquidez imediata é: 6 mil dividido por 18 mil, o que resulta em 0,33. Isso significa que ela tem apenas 33% do dinheiro necessário para cobrir suas dívidas imediatas.

Devido a seu foco restrito em dinheiro disponível, a liquidez imediata é um indicador que deve ser constantemente reavaliado, pois ele pode mudar rapidamente com o fluxo de caixa da empresa

 

Liquidez geral: é um indicador que ajuda a entender a saúde financeira de um negócio a médio e longo prazo. Comparar este indicador ao longo dos anos ajuda a identificar se a situação financeira da empresa está melhorando ou piorando.

Para calcular a liquidez geral, soma-se tudo o que a empresa pode converter em dinheiro a curto e longo prazo (ativo circulante e realizável a longo prazo) e divide-se pela soma de todas as dívidas de curto e longo prazo (passivo circulante e passivo não circulante).

Desta forma, se uma empresa tem R$30 mil em ativos que pode usar em breve e mais R$3 mil que conseguirá usar no futuro, e tem dívidas de R$17 mil para pagar em breve e R$43 mil para pagar mais tarde, a conta é: (30 mil + 3 mil) dividido por (17 mil + 43 mil), que resulta em 0,55. Isso indica que a empresa tem apenas 55% dos recursos necessários para cobrir todas as suas dívidas, tanto de curto quanto de longo prazo.

 

Aprenda a calcular o caixa mínimo operacional

Existe uma regra comum que sugere que ter um capital de giro equivalente a seis meses dos custos fixos é ideal para evitar a dependência de financiamentos externos. Contudo, esta regra não é universal e pode variar de acordo com cada empresa. Então como determinar o capital de giro necessário para o seu negócio?

O primeiro passo é compreender o ciclo financeiro da empresa, que inclui os prazos médios em que os clientes pagam e o tempo que se leva para quitar as dívidas com os fornecedores. Além disso, é importante considerar o tempo necessário para renovar o estoque.

Os dias necessários para custear o estoque e o recebimento dos clientes, menos

a média de dias que a empresa levou para pagar os fornecedores, resultam na quantidade de dias que a empresa necessita de capital de giro para cobrir a sua atividade. Essa fórmula é chamada de ciclo financeiro e aponta o caixa mínimo operacional de cada empresa.

Dica: Além de conhecer o seu ciclo, tenha consciência também sobre o valor mensal desembolsado com os impostos. Você pode aprender como organizar melhor suas obrigações fiscais na nossa trilha especial sobre o tema.

Como conseguir melhorar a liquidez da sua empresa?

Melhorar a liquidez requer um conjunto de iniciativas. A seguir, elencamos seis ações que podem (e devem) ser tomadas. Confira!

1. Avalie e reduza os custos

Uma ação geral e efetiva para melhorar a liquidez da empresa é tomar atitudes para reduzir os custos do negócio, conhecendo sua estrutura e encontrando pontos de desperdício.

 

2. Monitore de forma eficiente as contas a recebe

Ter um controle efetivo das contas a receber é um requisito fundamental para a saúde financeira do negócio. Não adianta apenas contabilizar os totais, é preciso avaliar o grau de inadimplência dos clientes. Se estiver alto, cabe buscar caminhos mais seguros, como delinear uma política de crédito mais severa ou focar em meios seguros de pagamento.

Uma das formas de fazer este monitoramento é por meio de softwares como o Radar de Risco – uma solução do Itaú Empresas que permite verificar o score, pendências financeiras e dados cadastrais de empresas e pessoas antes de fazer novos negócios. Você pode ver mais dicas no artigo Estratégias para prevenção da inadimplência e cobrança de recebíveis: reduzindo riscos financeiros e de imagem.

 

3. Incentive pagamentos à vista

Quando um cliente paga à vista, a disponibilidade de caixa aumenta e, consequentemente, a liquidez de curto prazo também. Esses recursos são essenciais para garantir capital de giro, pagar fornecedores em dia e construir uma boa base de aplicações. Avalie qual a faixa de precificação mais segura para oferecer descontos à vista sem prejudicar sua lucratividade.

 

4. Negocie com fornecedores

O cenário mais equilibrado para uma empresa é aquele em que os seus prazos de recebimento são menores do que os de pagamento a fornecedores. Por exemplo, para uma empresa que vende muito no cartão, com previsão de crédito em conta em 30 dias, o ideal é que só tenha que pagar os credores depois, em prazos acima de 31 dias.

 

5. Fique de olho no fluxo de caixa

O fluxo de caixa representa todas as entradas e saídas em certo período, permitindo que a pessoa responsável pelo financeiro tenha uma noção da performance do negócio. Avalie como as entradas e saídas comportam-se mês a mês. Se houve um acréscimo ou decréscimo exponencial, tente identificar o motivo e crie estratégias para aproveitá-lo ou neutralizá-lo.

6. Cuidado com as taxas de juros

Se a empresa possui empréstimos ou dívidas com juros variáveis, um aumento nas taxas leva a mais gastos com essas despesas. Isso pode reduzir a lucratividade e as margens operacionais. Existem várias estratégias contábeis para se adaptar às taxas de juros. Dentre elas estão:

  • Gerenciamento ativo da dívida: avaliar, regularmente, a exposição ao risco de taxa de juros e buscar oportunidades para refinanciar empréstimos a índices mais favoráveis.
  • Diversificação de fontes de financiamento: buscar diferentes fontes de capital, como empréstimos bancários, emissão de títulos, parcerias estratégicas ou até mesmo financiamento por meio de capital próprio. Desta forma as empresas reduzem sua exposição a um único tipo de taxa e aproveitam condições mais favoráveis.

O risco de liquidez é uma ameaça real para pequenas e médias empresas. Por isso, lembre-se de que identificar sinais de alerta, utilizar indicadores, adotar estratégias e manter um fundo de emergência são práticas essenciais para proteger sua empresa.

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