Não é incomum que você, empreendedor ou empreendedora, acumule as funções na diretoria executiva e diretoria financeira– especialmente se for proprietário(a) de um micro ou pequeno negócio. Há vários arranjos possíveis para o desempenho simultâneo desses dois papéis: pode ser que você faça tudo sem ajuda, possua uma equipe financeira, tenha a ajuda de um contador terceirizado ou utilize um software de gestão.
Achou confuso? Então leia a seguir:
– Qual o seu papel em cada um desses cenários
– Como lidar com a gestão financeira do seu negócio por conta própria
E outras dicas.
Com equipe financeira
Patricia Lages, jornalista especializada em finanças e autora do blog Bolsa Blindada, e Angela Menezes, professora de Finanças da Business School São Paulo, explicam: ainda que a empresa tenha um ou mais funcionários na área financeira, as decisões financeiras (de aplicação e captação de recursos) devem ser tomadas ou, pelo menos, supervisionadas por quem está empreendendo. “É possível, porém, delegar tarefas mais simples, como pagamentos de contas, emissões de notas e cobranças, o que otimiza o seu tempo e possibilita se concentrar em questões estratégicas”, afirma.
Já Angela ressalta que quem está à frente do negócio deve ter algum conhecimento sobre a área financeira para poder delegar responsabilidades. “Como centralizar tudo não costuma dar certo, deve-se, sim, confiar as tarefas nas quais tem menos expertise aos funcionários. Mas, é importante saber o básico sobre o assunto para não se tornar dependente deles, especialmente nas questões relacionadas às finanças”, diz.
Com contador terceirizado
A contabilidade e a gestão financeira são áreas complementares – e não equivalentes. Ou seja, uma não substitui a outra. Entre as funções do contador, estão registrar e pagar impostos e analisar a performance e a situação financeira da empresa. Já, entre as responsabilidades de quem está empreendendo, está garantir que a empresa honre os seus compromissos. “Se faltar uma dessas áreas ou, até mesmo, a gestão de tesouraria, a sustentabilidade financeira do negócio pode ser comprometida”, afirma Angela.
Também nesse caso a gestão financeira deve ser feita ou, pelo menos, monitorada do(a) empreendedor(a). Sobre a contabilidade, de acordo com Angela, “a área deve promover a revisão contínua e o planejamento tributário com o objetivo de minimizar despesas tributárias e riscos”.
Com software de gestão
Tanto Patricia quanto Angela acreditam que um software de gestão pode facilitar a análise, o planejamento e o controle das contas da empresa. Dentro do ecossistema Itaú Meu Negócio, a Omie é uma solução que pode te ajudar nesta função. Angela argumenta: “porém, esse tipo de ferramenta tem mais utilidade na gestão de tesouraria. Por exemplo, nas contas a pagar e a receber e na conciliação bancária diária”, diz Angela. Além disso, o software de gestão apenas processa dados, não toma decisões. Por isso, seja feita por meios digitais ou analógicos, a gestão financeira deve ser controlada pelo empreendedor ou empreendedora.
Por conta própria
O mais comum dos cenários é o das “eupreendedores”, pessoas que fazem tudo sozinhas, segundo Patricia. Para elas, uma maneira de tornar a gestão financeira mais prática é automatizar os processos financeiros – o que pode incluir o mapeamento desses processos, a migração para o ambiente eletrônico, a integração com instituições financeiras e parceiros e o uso de um software de gestão. Outra opção, de acordo com Angela, é contratar empresas que prestam serviços de gestão financeira. “Assim, você pode dedicar mais atenção às tomadas de decisão”, afirma.
Veja mais dicas:
– Nenhum arranjo entre os empreendedores e o controle das finanças garante o sucesso da gestão financeira. Independentemente de qual for o adotado, é preciso ter algum conhecimento sobre o tema para tomar decisões financeiras, ou supervisioná-las.
– “Não é verdade que os empreendedores e empreendedoras que se dedicam também às finanças estão se desviando do foco do negócio. A área financeira é uma das principais numa empresa”, afirma Patricia.
– Quem não tem nenhuma noção de finanças deve se dedicar a aprender, pelo menos, o básico. Isso dará mais segurança e confiança para assumir o controle financeiro da sua empresa.
– É preciso ter atenção ao contratar empresas que prestam serviços de gestão financeira. Para cada caso, há fornecedores mais ou menos indicados.
– A gestão financeira não pode ser apenas de curto prazo. Ou seja, coordenar os vencimentos de débitos e créditos não é suficiente. Também é necessário analisar a rentabilidade dos investimentos, escolher fontes de financiamento alternativas e decidir sobre a estrutura de capital, por exemplo.
– Tanto o planejamento quanto o controle financeiros devem ser incluídos no planejamento estratégico
. “Muitas empresas não consideram as métricas financeiras no planejamento estratégico, o que dificulta o dimensionamento dos resultados”, diz Angela.