Quem está empreendendo com certeza já ouviu falar em capital de giro. Mas, apesar de ser um conceito bastante usado, ele ainda deixa dúvidas sobre o que é e como funciona.
Para te ajudar, preparamos um conteúdo a respeito deste assunto:
– Como calcular o seu capital de giro
– Para que serve
– Como administrá-lo
– Meios de se conseguir capital de giro
Capital de giro – O que é e como calcular
O capital necessário para financiar a continuidade das operações de uma empresa é chamado de capital de giro. Por exemplo, um negócio que vende a prazo e precisa de estoque tem de ter recursos para honrar compromissos e, assim, permanecer em atividade. “Por isso, ao calcular o capital de giro, não se pode desprezar o estoque, as contas a receber, o caixa e a conta corrente”, afirma Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper.
Mas, como fazer essa conta? Segundo Juliana, em geral, é possível apurar o capital de giro líquido como a diferença entre o ativo circulante, que são os ativos de curto prazo, como as contas a receber, o caixa e as aplicações financeiras, e o passivo circulante, ou seja, passivos de curto prazo, como as contas a pagar, o fornecimento de matérias-primas, bens e serviços e os empréstimos da empresa.
No entanto, segundo ela, para garantir que o negócio tenha o capital de giro adequado, é recomendável comparar o capital de giro líquido com o capital de giro necessário – que pode ser calculado como o valor das contas a receber mais o valor em estoque menos o valor das contas a pagar.
Como administrar o capital de giro
Quem empreende deve estar constantemente atento aos ativos e passivos da sua empresa. “Assim, se o capital de giro líquido diminuir excessivamente, é possível fazer recomposições ou tomar medidas protetivas, evitando situações delicadas”, diz Juliana.
Também é responsabilidade das empreendedoras assegurar que os seus negócios tenham capital de giro suficiente – buscando o equilíbrio entre lucro e risco. “Enquanto poucos ativos circulantes e muitos passivos circulantes significam muito lucro e muito risco, muitos ativos circulantes e poucos passivos circulantes representam pouco lucro e pouco risco. É preciso encontrar o meio termo”, explica Juliana.
Como captar recursos de terceiros
Empreendedores(as) que não têm dinheiro próprio suficiente para manter os seus negócios em atividade devem buscar formas de financiamento. É possível dividir as alternativas de acordo com o prazo da necessidade:
- Curto prazo: Algumas possibilidades são tomar crédito bancário através de financiamento de capital de giro, antecipação de faturas de cartão de crédito ou desconto de cheques e duplicatas, por exemplo, pedir empréstimos a outras empresas ou a conhecidos e solicitar financiamento ao BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. “A forma de financiamento mais adequada varia de empresa para empresa e depende, além do prazo da necessidade, do volume e dos custos desse financiamento”, afirma Juliana.
- Longo prazo: Neste caso, umas das alternativas é a entrada de um sócio investidor, que tem direito a uma parcela da empresa e a uma parte dos seus lucros, além de poder participar ativamente da sua gestão ou apenas investir capital. “Mas, esse tipo de captação só é possível quando o sócio investidor sabe que o negócio é sólido e promissor”, diz Juliana. Outras opções são os empréstimos bancários, de empresas e de conhecidos.
Outros modos de conseguir capital de giro
Se ainda assim o empreendedor(a) não quiser recorrer a um financiamento, também é possível obter capital de giro ao negociar com os fornecedores os prazos de pagamento, reduzir os prazos de recebimento e girar mais o estoque.
De acordo com Juliana, a melhor forma de conseguir capital de giro, seja por meio de financiamento ou não, depende tanto do contexto atual do negócio quanto da sua natureza. “Empresas que são muito fiéis a um fornecedor podem negociar com ele os prazos de pagamento, por exemplo”, diz ela. Os empresários que ainda não têm certeza de qual é a melhor alternativa para as suas empresas podem procurar a ajuda de uma consultoria especializada em capital de giro.