Os brasileiros estão comprando cada vez mais pela internet. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o comércio eletrônico faturou R$ 41,92 bilhões no Brasil de janeiro até agosto de 2020. E mais: de acordo com o Movimento Compre&Confie, o crescimento do e-commerce no país durante o período foi de 56,8%, se comparado aos oito primeiros meses de 2019.
Ainda de acordo com o Movimento Compre&Confie, embora o tíquete médio tenha reduzido de R$ 420,78 para R$ 398,03, o índice das compras feitas virtualmente cresceram 65,7%.
Segundo especialistas, outros fatores, como a popularização dos smartphones e o maior acesso à internet, contribuiu para o crescimento das vendas online e a participação expressiva dos chamados marketplaces.
Diante desses números, é inevitável concluir que quem comanda o próprio negócio precisa pensar em levá-lo para o e-commerce.
A seguir, leia:
- o que é um marketplace e como ele funciona;
- suas vantagens e desvantagens;
- quais são os principais marketplaces disponíveis no mercado;
- como escolher a melhor plataforma para o seu negócio.
O que são os marketplaces
Essa nomenclatura ainda é pouco conhecida pelos consumidores, mas empresas como Mercado Livre, Amazon e Facebook têm ajudado a popularizar o formato, que vem se consolidando e fortalecendo no Brasil.
Os marketplaces são uma espécie de shopping center virtual. Assim como em um centro de compras físico, nessas plataformas, marcas variadas abrem suas lojas para vender seus produtos ao público frequentador do espaço — no caso, do site.
O modelo se diferencia do formato de e-commerce tradicional justamente pelo fato de permitir que usuários, sejam empresas ou, em alguns marketplaces, até pessoas físicas, se cadastrem e coloquem à venda seus produtos. Já no e-commerce, é a empresa a única proprietária dos produtos e responsável por toda a comercialização.
Com o crescimento do mercado de marketplaces nos últimos anos, até mesmo aqueles negócios que inicialmente trabalhavam somente com loja virtual própria passaram a oferecer também o formato marketplace, como o Carrefour, as Americanas e a rede Magazine Luiza.
Vantagens dos marketplaces
As vendas em shoppings online ou e-commerce multicanais, como também são chamados os marketplaces, trazem muitas vantagens.
Para quem está empreendendo e tem um produto ou uma marca nova ainda a ser inserida no mercado, por exemplo, os marketplaces funcionam como uma importante vitrine, devido ao grande número de acessos que essas plataformas recebem.
“Como os marketplaces são os ambientes de vendas mais acessados no mercado interno brasileiro, um produto novo tende a ser associado a lojas de outras marcas já consolidadas e idênticas, ganhando, desta forma, mais cliques de possíveis compradores”, explica a advogada e consultora jurídica Viviana Cenci, diretora jurídica da ABComm.
Além de visibilidade, ao participar de um marketplace a marca também ganha com a credibilidade e a confiança que essas plataformas conquistaram no mercado.
“A maioria tem um nome consolidado e recebe acessos e conversões de compras devido ao seu tempo no mercado, aos volumosos investimentos que fazem em campanhas de publicidade e ao mix variado de produtos em oferta”, comenta Viviana. “E é muito mais fácil o consumidor comprar de um canal que ele já conhece e confia, não é mesmo?”, diz a advogada.
Outra vantagem de estar em um marketplace é a redução de custos com publicidade e marketing, uma vez que não é preciso necessariamente gastar com grandes campanhas publicitárias e de marketing digital, como seria no caso de ter um e-commerce próprio.
“É possível fazer um investimento mais econômico dentro do marketplace, devido ao número de empresas pagantes que operam dentro da mesma plataforma digital”, diz a consultora jurídica. Ou seja: no marketplace é possível vender mais, gastando menos em publicidade.
E as desvantagens?
Por outro lado, como aspecto negativo os marketplaces têm o seu lado rígido e limitador. Afinal, uma vez dentro da plataforma, é preciso seguir as regras da casa. E essas regras podem, inclusive, mudar de uma hora para outra, mesmo que quem tem seu negócio ali não concorde. “Por exemplo, o marketplace pode decidir encerrar suas atividades ou aumentar sua taxa de comissão”, pontua Viviana.
No caso de a plataforma aumentar as taxas ou as porcentagens sobre as vendas ou comissões, outro problema que pode refletir no momento da oferta do produto é a perda de fôlego das marcas menores. “Se houver aumento de taxas, quem está à frente do próprio negócio poderá perder competitividade, principalmente se a empresa estiver ofertando pouca variedade de produtos com margens de lucros menores, o que pode fazer com que estes prejuízos não sejam compensados com outros de margens maiores”, explica Viviana.
“Grandes lojas podem integrar o marketplace, inclusive indústrias, sendo o preço um recurso diferencial na concorrência”, complementa a advogada.
Outra possível desvantagem dos marketplaces está no baixo valor agregado à marca própria. “Isso porque, mesmo que o marketplace identifique a sua marca na venda do produto e ela conste na nota fiscal de venda, o cliente normalmente relaciona a compra ao marketplace e não à sua loja”, afirma a advogada. “Assim, consolidar sua marca para o consumidor final para gerar a necessária e perseguida recompra fica mais difícil”, pontua Viviana.
Os rankings
As empresas líderes em marketplace no Brasil
- Mercado Livre;
- Amazon;
- Magazine Luiza;
- Via Varejo;
- B2W (grupo formado por Submarino, Shoptime e Americanas).
Dados de 2021 da Magic5.
As categorias que mais vendem online no país
- Acessórios de moda;
- Moda;
- Perfumaria e cosmético;
- Alimentos e bebidas;
- Pet Shop.
Dados de 2019 da Webshoppers.
Coo escolher o ideal para o seu negócio
Cada marketplace tem seus próprios termos e políticas, que detalham a forma de remuneração dos serviços praticados por cada um. De acordo com Viviana, normalmente, os maiores trabalham com comissão. Alguns têm até um valor mínimo estipulado, então ao colocar o produto em oferta é importante verificar junto à concorrência direta se o produto tem preço e condições de entrega adequados e competitivos.
Ela dá um exemplo: imagine que a taxa de intermediação de um marketplace seja de 10% e o seu produto custe R$50, e você está em São Paulo e precise entregar no Tocantins. Será que entregar em um local tão distante, por esse preço, cobre os custos administrativos e de frete nos casos de troca ou devolução do produto?
“Portanto, antes de aderir a um marketplace, é preciso ler com bastante atenção toda a documentação do site e organizar muito bem toda a oferta para não comprometer suas margens de lucros”, diz Viviana.
Ao escolher um marketplace, um usuário fará um cadastro, a partir do qual contará com uma página própria para o controle das vendas, estoques, entregas, recebimentos etc. “Como trata-se de um contrato por adesão e sem possibilidade de flexibilização, dessa forma é importante estar ciente das condições que estará obrigada a cumprir, conhecendo seus direitos e deveres”, afirma Viviana.
A advogada pontua ainda que a escolha do melhor marketplace para um negócio dependerá do planejamento estratégico da empresa, do momento da marca — se já está consolidada ou se é nova no mercado, por exemplo — e do investimento disponível.
É essencial também conhecer e ter total controle do seu negócio, ter um estoque muito bem-organizado e saber operar com variadas formas de faturamento, pois somente a empresa que se enquadre nas regras e limites do MEI (Micro Empreendedor Individual) não terá a obrigação de emitir nota fiscal de vendas, mas, caso o consumidor exija, terá esse direito assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor.
“Qualquer erro no processo de vendas, como entregar um produto com defeito ou perder o controle do prazo de entrega, pode triplicar o custo da operação, trazer prejuízos administrativos e jurídicos e ainda descredibilizar a marca”, aponta Viviana.
As vantagens de aderir a um marketplace, portanto, são muitas. Mas é necessário organização e planejamento para alcançar o sucesso.
Agora queremos saber de você: sua empresa já está em algum marketplace? Se sim, como tem sido a experiência? Sentiu que as vendas aumentaram? Quais os desafios que encontra?
Caso sua empresa ainda não esteja em um marketplace, o que acha da ideia?