Investimentos de renda variável: invista com conhecimento e segurança - Itaú | Sustentabilidade

Investimentos de renda variável: invista com conhecimento e segurança

Conheça os principais investimentos de renda variável disponíveis no mercado e se eles estão alinhados ao seu perfil de investidor!

23/08/2023 - 9 min de leitura

Nos conteúdos anteriores desta trilha de investimentos para empresas você aprendeu as principais nomenclaturas e siglas que aparecem ao iniciar uma jornada de aplicações financeiras. Também elencamos as principais características dos investimentos de renda fixa e quais as opções disponíveis no mercado. Neste artigo abordaremos o universo das aplicações de renda variável.

A diversificação financeira é uma estratégia importante na gestão do patrimônio de pequenas e médias empresas. E, dependendo do perfil do seu negócio e do seu objetivo, uma oportunidade de aplicar essa diversificação em busca de rendimentos maiores pode ser investindo em renda variável.

Caracterizada por ter uma complexidade maior em relação à renda fixa, aplicações de renda variável oferecem oportunidades distintas para quem busca aumentar seu retorno financeiro com investimentos. No entanto, sua natureza dinâmica implica certos riscos e complexidades.

Por isso, se você está pensando em investir em renda variável, é fundamental entender alguns aspectos para uma tomada de decisão consciente e estratégica.

Para compreender melhor este artigo, recomendamos que já tenha algum conhecimento básico sobre conceitos do universo dos investimentos ou que leia, inicialmente, os primeiros conteúdos desta trilha.

Entendendo a renda variável

O termo renda variável, como o próprio nome sugere, refere-se a ativos cujo rendimento varia, ou seja, que não geram um ganho fixo. Ao contrário dos investimentos de renda fixa, que têm retornos pré-definidos no momento da aplicação, os de renda variável apresentam retornos incertos e dependem das flutuações do mercado – lucros não são garantidos e o capital investido pode tanto crescer quanto diminuir, conforme as variáveis macroeconômicas.

Em relação à segurança, enquanto grande parte dos investimentos de renda fixa é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – que tem a função de proteger investidores prejudicados por instituições financeiras que tiverem problemas -, na renda variável muitos investimentos não possuem a garantia do fundo. No geral, são regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda, tem como responsabilidade fiscalizar e punir empresas que agem de má-fé com os investidores.

Será que eu tenho o perfil ideal para investir em renda variável?

Já entendemos que investir em renda variável envolve riscos e oportunidades que diferem daqueles associados à renda fixa. Mas como fazer para avaliar se seus objetivos e situação financeira se adequam a esta modalidade?

Para começar, lembre-se de que a renda variável é indicada para quem busca uma rentabilidade maior a longo prazo e que pode aceitar uma maior volatilidade em suas aplicações. Essas pessoas, geralmente, possuem perfis de investimento que o mercado chama de moderado e agressivo. No artigo “Iniciando sua jornada de investidor: entenda seu perfil e tipos de investimento” desta trilha e utilizando ferramentas como testes de perfil de investimento, você pode entender melhor qual é o seu.

Às lideranças com perfil moderado é recomendado destinar uma parte de seus investimentos para a renda variável, mantendo uma parcela significativa em investimentos de renda fixa, que proporciona uma proteção maior. Já para quem tem perfil agressivo, a renda variável pode representar a maior parte de seu portfólio.

Independentemente do perfil, porém, é recomendado que a empresa que vai investir em renda variável tenha uma reserva de emergência suficiente para cobrir as despesas por um período de 6 a 12 meses. Essa prática contribui para a segurança financeira de quem investe, protegendo contra imprevistos e permitindo uma maior tranquilidade para se aventurar no universo da renda variável.

Além disso, o ideal, quando se analisa investimentos em renda variável, é contar com o auxílio de uma assessoria especializada. Profissionais do mercado de investimentos poderão ajudar a traçar o seu perfil e a escolher a melhor opção para aumentar a receita do seu negócio.

Conhecendo os tipos de investimentos de renda variável

No mercado, há diversos tipos de títulos de renda variável e cada opção possui seus próprios méritos, características e níveis de risco.

Vamos explorar alguns dos principais produtos para que você conheça melhor suas especificidades:

– Ações: essa talvez seja a forma de investimento de renda variável mais conhecida. Elas são a menor parcela do capital de uma empresa. Quem compra as ações de uma companhia, se torna acionista e, por isso, tem direito a uma porção dos lucros, chamados de dividendos.

  • O valor das ações pode variar significativamente, sendo influenciado por uma série de fatores, como o desempenho financeiro da empresa, condições econômicas gerais, eventos políticos, entre outros. Isso pode gerar tanto grandes lucros para quem investe, como também a possibilidade de perdas significativas.
  • Diferente das aplicações de renda fixa, o recolhimento do Imposto de Renda é feito pela pessoa que efetuou a operação financeira. É necessário preencher um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) indicando os valores da operação e o valor de recolhimento dos impostos e enviar até o último dia útil do mês em que ocorreu a negociação. Mesmo em casos em que houve prejuízo com a operação, é necessário preencher o documento e enviar para a Receita Federal. Por ser um fluxo mais completo, é importantíssimo contar com a orientação de especialistas.

– Opções: são contratos que concedem o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo (como ações) a um preço específico numa data futura. Esse tipo de investimento é mais complexo e arriscado, mas pode oferecer maiores retornos.

  • Quanto à tributação, a venda de opções é taxada em 15% sobre o lucro para operações normais e 20% para operações de day trade, que são operações realizadas na Bolsa de Valores, onde o investidor (ou trader) compra e vende um mesmo ativo, no mesmo dia.

– ETFs (Exchange Traded Funds): os ETFs ou fundos de índice são fundos de investimento negociados em bolsa de valores, como se fossem ações. Eles permitem ao investidor adquirir uma cesta diversificada de ativos sem a necessidade de comprar cada ativo individualmente.

  • Os ETFs são taxados de forma semelhante às ações, com 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital para vendas mensais acima de R$20.000,00.

– Commodities: aplicar em commodities significa investir em matérias-primas como ouro, petróleo, soja, entre outros.

  • O investimento costuma ser mais volátil, pois é afetado por diversos fatores, como condições climáticas, geopolítica, demanda global, entre outros.
  • A tributação varia de acordo com o tipo de commodity e a forma de investimento (se por meio de contratos futuros, opções, ETFs, etc).

– Moedas digitais (criptomoedas): as criptomoedas são uma espécie de ativo digital, sendo a mais famosa delas o Bitcoin. Esses ativos surgiram no início da década passada e têm atraído cada vez mais pessoas por conta de seu alto potencial de valorização – com riscos na mesma proporção.

  • Diferentemente de outras formas de investimento, as criptomoedas não são emitidas ou controladas por governos, autoridades monetárias ou instituições bancárias. Todas as transações são feitas online, diretamente entre as partes envolvidas.
  • As moedas digitais operam com base em códigos criptografados, que só podem ser acessados através das chaves únicas de cada usuário. Isso confere uma camada adicional de segurança para quem compra e vende.
  • São voláteis e arriscadas, mas podem oferecer altos retornos.
  • Quanto à tributação, a Receita Federal exige que os ganhos com a venda de criptomoedas sejam declarados e tributados como ganho de capital, com alíquotas que variam de 15% a 22,5%, dependendo do valor do lucro.

– Fundos de investimento: são uma forma coletiva de investimento e estão ganhando cada vez mais popularidade em razão das suas diferentes classificações. Ao aplicar em um fundo, você compra cotas que representam uma fração do total de seus ativos.

  • Existem diversos tipos de fundos, cada um com diferentes estratégias, níveis de risco e potenciais de retorno. Alguns exemplos são: fundo de Curto Prazo; fundo de Ações; fundo Cambial e fundo Multimercado.
  • A tributação varia dependendo do modelo, mas geralmente segue a tabela regressiva do Imposto de Renda.

Um fator importante a ter em mente nesta modalidade é que alguns fundos podem cobrar uma taxa de desempenho. Esta é uma cobrança adicional que ocorre quando o fundo de investimento supera um determinado referencial de desempenho, que pode ser, por exemplo, o CDI. Essa taxa é uma forma de remunerar o gestor por ter conseguido entregar uma performance superior à do mercado.

A decisão de investir em um fundo que cobra uma taxa de desempenho ou optar por um investimento direto depende do perfil de risco da empresa, da disponibilidade de tempo para acompanhar o mercado e da capacidade de gerir os próprios recursos.

Para empresas com menos experiência no mercado financeiro ou com menor disponibilidade para acompanhar as variações do mercado, por exemplo, um fundo de investimento pode ser uma opção mais adequada, mesmo considerando a possibilidade da taxa de desempenho. A gestão profissional proporcionada pelos fundos pode oferecer um equilíbrio entre risco e retorno, além de proporcionar acesso a uma diversidade de ativos.

Por outro lado, empresas com maior experiência e tempo para suas aplicações podem encontrar no investimento direto uma oportunidade de economizar nas taxas e ter maior controle sobre onde seu dinheiro está sendo aplicado.

Planejamento e estratégia: fatores-chave para aplicar em renda variável

Investir em renda variável requer um planejamento robusto e uma estratégia bem definida. Além de se preparar entendendo sobre cada aplicação mantendo uma reserva de emergência, sua estratégia poderá incluir a diversificação do portfólio, a alocação de ativos e a definição da frequência de reavaliação do portfólio – entenda melhor sobre essas práticas nos artigos iniciais desta trilha.

A renda variável apresenta um universo rico e diversificado de investimentos com alto potencial de rentabilidade, embora venha com uma proporção igual de riscos. Para lideranças de pequenas e médias empresas, é crucial entender se o seu perfil se encaixa com este modelo e, ao optar por ele, planejar estrategicamente e diversificar seu portfólio.

A complexidade deste mercado torna a assessoria especializada não apenas uma opção, mas um recurso valioso para garantir decisões seguras e bem-informadas. Assim, mesmo que desafiadora, a jornada de investimentos em renda variável pode se transformar em uma oportunidade lucrativa com a estratégia e o suporte corretos.

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