Quando ouvimos os noticiários destacando o impacto da inflação, logo pensamos em como isso vai nos afetar. É importante ter conhecimento sobre o tema, pois qualquer decisão tomada nesse momento vai gerar inúmeros desdobramentos e precisamos ter controle sobre eles para minimizar os prejuízos financeiros.
Pensando nisso, preparamos este conteúdo com um detalhamento sobre o tema e dicas para a sua empresa lidar com essa situação.
Para usar seu rendimento de forma inteligente, continue a leitura e saiba como manter-se competitivo no mercado mesmo em momentos adversos.
O que é inflação?
Antes de tudo, é fundamental entender o conceito de inflação e como ela é calculada. A definição clássica indica que “inflação é o aumento contínuo e generalizado dos produtos, serviços e da economia de um país”. É uma situação preocupante porque impacta toda a população — consumidores, empresários e governos — e incide nos investimentos financeiros.
Quando a inflação é alta, os preços aumentam de forma descontrolada e contínua. Além de prejudicar o poder de compra da população, causa impactos nas relações internacionais devido à desvalorização da moeda do país. Uma vez impactando as negociações internacionais, o país enfrenta uma recessão econômica.
Mas calma, a inflação ocorre no mundo todo em qualquer momento da história. Em alguns casos com maior intensidade, outros nem tanto. Trata-se de uma redução do poder aquisitivo da moeda. Um clássico exemplo disso foi a alta inflação do início da década de 1990, um pouco antes da criação do Plano Real.
Existem inúmeros fatores que causam a inflação. Normalmente, é a soma de vários deles (em diferentes proporções) que motivam o crescimento exagerado e contínuo dos preços. Entre eles está o aumento rápido dos custos de produção, o desequilíbrio entre oferta e demanda, o monopólio ou alto controle de determinado setor, o aumento de emissão de moeda, a expectativa de inflação e a inércia inflacionária.
Quais são os impactos da inflação nos negócios?
Assim como todos os outros agentes, como mercado e população, o caixa das empresas também é afetado pela inflação. Isso porque os custos para a fabricação de produtos também aumenta, visto que a empresa vai precisar pagar mais para fornecedores, prestadores de serviços, etc. Contudo, esse custo não deve ser repassado de forma integral para os consumidores. É preciso ter cautela nesse momento.
Caso isso ocorra, o cliente pode buscar concorrentes que não subiram os preços no ritmo da inflação. Basta reparar no comportamento dos consumidores de supermercado: quando o preço da carne aumenta, as pessoas optam por frango ou carne suína.
Outro impacto que interfere no desempenho da sua empresa são as consequências de políticas de combate à inflação. Isto é, quando o governo adota medidas econômicas para frear a inflação. Nessa hora, é essencial contar com um bom gestor financeiro, pois ele deve elaborar e colocar em prática um plano para garantir a saúde de recursos em meio à política monetária vigente.
Por fim, com a inflação elevada e a renda da população comprometida, o poder de compra tende a diminuir tanto no comércio quanto nos serviços. Para contornar esse risco, a empresa deve ampliar e intensificar as estratégias a fim de manter o volume de receitas. Investir em sustentabilidade e digitalização de empresas, por exemplo, são boas escolhas.
Como driblar essa situação?
É fato que todo negócio, seja ele pequeno, médio ou grande, sofre com o impacto da inflação. Por isso, é fundamental entender o que é, quais as consequências e como lidar com essa condição para viabilizar uma administração otimizada e pronta para enfrentar esse problema. Vamos às estratégias?
1. Entenda o índice de inflação
Existe um coeficiente que serve de base para medir as variações de preços que afetam produtos e serviços. Esse índice é medido por meio de indicadores de tendências próprios de cada país. No Brasil, por exemplo, temos esses principais:
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
- Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna (IGP-DI);
- Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Para chegar ao cálculo desse índice, são coletadas algumas informações e variáveis. A partir daí, indica-se uma variação de preços de um mês para o outro, indicando que tudo pode ficar mais caro ou mais barato. O índice também considera a importância do item. Por exemplo, produtos de necessidade básica, como a alimentação, têm peso maior do que supérfluos.
De forma geral, os pesquisadores analisam os preços dos itens durante um determinado período e, depois de um tempo específico, fazem um novo relatório. Para isso, entrevistam as famílias sobre quais são os itens essenciais para a cesta básica de produtos e serviços.
Só entram no relatório os itens mais citados. Outro fator que é considerado é a localização, afinal, cada estado tem uma realidade diferente.
Para facilitar a consulta, o Banco Central criou a calculadora do cidadão, pela qual é possível calcular a inflação. Basta escolher a data inicial e a data final para realizar o cálculo e inserir o valor que deseja corrigir. A ferramenta indica a correção de valores em real.
2. Mantenha-se atualizado
Uma vez identificando o índice de inflação, fique atento às suas variações e veja as pesquisas realizadas pelo Banco Central sobre o mercado financeiro e as previsões para a inflação. Acompanhar cada etapa desse processo o coloca em uma melhor posição para a tomada de decisões.
3. Realize um planejamento
Planejamento é a palavra-chave para qualquer empreendedor. Em uma situação adversa, como a inflação, ela faz ainda mais sentido. De acordo com as observações feitas das últimas atualizações e das expectativas do seu negócio, trace um planejamento estratégico visando possíveis cenários que podem acontecer. Assim, você estará mais preparado para enfrentar as mudanças de realidade econômica.
4. Capacite os colaboradores
É mais fácil julgar quando você não conhece os processos. Mas, quando você entende cada etapa e conhece o porquê das decisões, compreende melhor o cenário. Essa educação é essencial para unir o seu time, por isso, capacite os colaboradores com frequência.
Explique o que é inflação, detalhe como os preços são ajustados, apresente os custos de operação e mostre o quanto a função desse colaborador é importante para que a empresa melhore seus resultados e siga faturando no mercado. Com isso, você ganha um time cada vez mais forte e engajado com os objetivos da empresa.
5. Maximize os investimentos
Existem formas inteligentes de driblar a inflação, como realizar investimentos nos locais corretos. Como você sabe, diversificar é a melhor saída para fazer seu dinheiro render de forma segura. Mas onde investir para tirar proveito da inflação? Veja alguns exemplos:
- tesouro direto;
- fundos imobiliários;
- crédito privado;
- mercado de ações.
6. Explique a alta de preços quando for preciso
O cliente também deve fazer parte da educação sobre o mercado financeiro. Afinal, quando há uma relação mais próxima com o consumidor, ele é um verdadeiro parceiro do negócio e tem interesse em conhecer os detalhes, o que influencia totalmente nas suas decisões de compras. Claro, isso deve ser pensado e aplicado em um momento específico, com planejamento e acompanhamento.
Quando a empresa tem um volume maior de negócios não há essa necessidade. Mas existem outras formas de comunicar esse assunto com o público. Estude a relação estabelecida e, se possível, procure uma consultoria para planejar a melhor forma de aproximar o público enquanto mostra, de forma transparente, como funciona o seu negócio.
7. Redobre o carinho com o público fiel
Todo negócio deve diversificar as estratégias para atrair novos consumidores, mas isso não impede de que você invista em mecanismos para alcançar a fidelização dos clientes. Se há uma parcela de consumidores que adquire o seu produto ou serviço com frequência, certamente as vendas serão beneficiadas.
Então, como forma de agradecimento e de nutrir esse vínculo, ofereça mimos sem cobrar nada a mais por isso. Por exemplo, se você tem um salão de beleza, presenteie os aniversariantes com um serviço extra, como uma lavagem especial com hidratação dos cabelos. Se é um hotel, ofereça uma bebida para dar as boas-vindas aos hóspedes. Se tem um e-commerce, envie cupons de desconto via e-mail ou app.
Com pouco investimento e grande criatividade, sua marca será capaz de manter o caixa em dia e até ganhar publicidade espontânea nas redes sociais. Já ouviu falar em campanhas de interação? Curtir e comentar em redes como o Instagram, por exemplo, ajuda a manter o engajamento e até conquistar novos clientes. Invista nisso!
8. Sempre que possível reduza os custos
Quando o planejamento financeiro é baseado em altos custos fixos, a preocupação em gerar caixa é constante e crescente. Dificilmente se consegue diminuir os custos de forma significativa para compensar os efeitos negativos da inflação. Mas quando o planejamento é realizado de forma estratégica, ele valoriza atividades que não geram receitas e direciona sempre para a reciclagem e redução de custos.
Sempre que for possível, reavalie esse planejamento e reduza onde couber. Se reinventar faz parte do mercado, então conte com ajuda profissional para traçar esse caminho de forma responsável e eficiente.
9. Reduza as despesas fixas com mensagens educativas
Uma boa atitude é monitorar as despesas fixas. Analisar o crescimento anual, se há algum mês de pico e ter uma expectativa das próximas faturas. Busque seguir o padrão anterior para não ter mais uma despesa extra. Peça ajuda aos colaboradores com mensagens de conscientização. Água, energia elétrica e telefonia, por exemplo, são ajustadas com base na inflação, então conte com esse aumento e refaça o planejamento.
Se necessário, escolha um plano telefone mais barato que se adeque às necessidades da empresa. Tecnologias sustentáveis de iluminação e consumo de água também ajudam. Converse com seus funcionários sobre o uso consciente de equipamentos que consomem mais energia elétrica e ofereça alternativas. Se possível, convide um palestrante para auxiliar conscientização sobre a redução desses recursos.
10. Crie uma precificação dos produtos ou serviços proporcional ao gastos
A inflação impacta toda a cadeia produtiva. Um exemplo clássico é o preço da gasolina, que influencia nos preços dos transportes e todos os serviços que envolvem esse tipo de logística. Por consequência, matéria-prima e produtos têm preços escalonados.
Com isso, esse tipo de compra fica mais cara. E vale lembrar que não é apenas o empresário que paga mais caro, o consumidor também. Afinal, se a renda dele fica comprometida com os aumentos repentinos, o seu poder de compra também é impactado.
Lembre-se: o repasse do produto ou serviço deve ser proporcional ao aumento dos gastos, afinal a empresa não existe sem o consumidor. A ideia não é quebrar o vínculo, e sim estruturá-lo cada vez mais. Peça ao seu time financeiro para criar estratégias onde o consumidor consiga continuar adquirindo os bens sem prejuízo para a empresa, como a queda nas vendas e o baixo lucro.
Sim, não é uma tarefa fácil, mas com uma gestão financeira inteligente e criação de um eficiente fluxo de caixa do negócio, o empreendedor segue vendendo e o consumidor segue comprando. Essa parceria é mais importante do que qualquer margem de aumento. E opte sempre pela transparência com o cliente, mostrando as mudanças e as razões para elas estarem ocorrendo. Junto a estratégias de marketing, todos só têm a ganhar.
Como a capacitação é uma forma de driblar a inflação?
A informação é o ponto chave para combater esse momento crítico. Oferecer cursos e palestras para ajudar as pessoas a lidar melhor com as suas finanças, independentemente do cenário econômico, é uma excelente saída. Com isso, será possível fazer previsões mais acertadas em termos econômicos.
Itens como água, energia elétrica e aluguel são considerados essenciais e pesam em qualquer orçamento. Por isso, devem ser vistos como investimento e não uma despesa. Decisões como essa fazem com que as pessoas foquem no essencial e não busquem tantos empréstimos para pagar suas dívidas.
Como você viu, o impacto da inflação nas empresas é bastante variável, mas é possível manejá-lo de forma inteligente. Para isso, conte com gestores e administradores preparados para enfrentar essas situações adversas.
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