São muitos fatores que tornam um verdadeiro desafio gerir pequenas e médias empresas: em geral, há menor previsibilidade sobre o faturamento, necessidade de planejar com maior cuidado os investimentos em recursos humanos e materiais, necessidade de concentrar mais atividades em poucas pessoas, entre outros… Por isso, em meio a tantas atribuições, cuidar da sua saúde emocional precisa ser uma prioridade dentre as muitas tarefas do cotidiano. Além de gerar efeitos sobre você mesmo, a falta de cuidado com sua saúde mental pode afetar diretamente o bem-estar dos seus colaboradores e, consequentemente, os resultados do seu negócio.
Para manter um negócio, é preciso ter capacidades administrativas, mas também olhos abertos para entender sobre seus próprios sentimentos e como eles manifestam no exercício do seu trabalho: ou seja, saber fazer sua gestão emocional.
O termo refere-se à habilidade de compreender o que você está sentindo e, assim, avaliar quais serão suas reações de forma mais madura e sábia. Por vezes, é substituído por “Inteligência emocional”, e, embora não sejam sinônimos – já que este último é mais abrangente -, os dois conceitos são abordados na psicologia como fatores complementares e fundamentais para o desenvolvimento profissional.
De acordo com o relatório “O Futuro do Trabalho 2020”, produzido pelo Fórum Econômico Mundial, a inteligência emocional é uma das 11 habilidades mais desejadas pelas empresas até 2025. Tão requisitada em colaboradores, a capacidade de lidar com suas próprias emoções é indispensável para quem ocupa cargos de liderança, já que estes têm capacidade de influenciar as pessoas sob sua gestão.
De que forma uma má gestão emocional da liderança afeta a equipe?
Fazer a gestão das suas emoções pode ser desafiador, já que envolve não tentar eliminar o que se está passando na sua mente ou no seu corpo, mas sim buscar a compreensão destas experiências. Isso quer dizer que é impossível não ter medo, raiva ou tristeza – estas emoções fazem parte da vivência das pessoas. O que está ao nosso alcance é como lidar com o que sentimos em determinadas situações.
Para a psicóloga e consultora empresarial Isabela Dwyer, é fundamental que pessoas em posição de gestão tenham autoconhecimento para conseguir liderar a equipe e realizar processos como dar feedbacks precisos, por exemplo.
“Muitas vezes há receio de como a pessoa vai receber aquele feedback. Com isso, o líder não consegue ser assertivo e acaba indo pelas beiradas. Sem ser claro sobre o que deve ser corrigido, eventualmente pode acabar saindo como uma bronca, caso o gestor não saiba lidar com as próprias emoções”.
Veja algumas formas de como a habilidade emocional pode afetar sua equipe:
Comunicação eficaz
Lideranças com alta inteligência emocional conseguem, geralmente, ter uma comunicação mais clara e empática. São capazes de expressar suas ideias de maneira construtiva e compreender as preocupações e perspectivas dos membros da equipe.
Relacionamentos saudáveis
A inteligência emocional contribui para a construção de relacionamentos interpessoais saudáveis, o que é fundamental para um bom ambiente profissional. Lideranças que compreendem suas próprias emoções e as dos outros são mais propensas a desenvolver relações positivas com os membros da equipe, criando um ambiente de trabalho mais colaborativo.
Liderança inspiradora
Gestores emocionalmente inteligentes têm a capacidade de motivar e inspirar a equipe. Ao saber lidar com suas próprias emoções, são capazes de tratar com empatia quem, eventualmente, estiver passando por alguma dificuldade. Entendem como os sentimentos impactam o desempenho no trabalho e podem criar um ambiente que estimula a motivação e o engajamento das pessoas.
Resolução de conflitos
A habilidade de gerenciar conflitos de forma eficaz é fundamental para quem lidera uma equipe. Saber lidar com as próprias emoções pode ajudar no gerenciamento de problemas de terceiros, visto que a sensibilidade contribui para um entendimento assertivo das situações e colabora para resolvê-las.
Adaptação a mudanças
A habilidade de se adaptar a mudanças é crucial em um ambiente de trabalho dinâmico e de incertezas. A inteligência emocional ajuda os gestores a lidar com a volatilidade do mercado e do próprio negócio, guiando a equipe em momentos turbulentos e transitórios.
Desenvolvimento profissional
Gestores com inteligência emocional são mais propensos a investir no desenvolvimento profissional de seus colaboradores. Eles reconhecem as necessidades individuais, oferecem feedback construtivo e promovem oportunidades de aprendizado.
Passos práticos para começar a implementar uma gestão emocional eficaz
Já vimos diversos aspectos de como a gestão emocional de um gestor pode afetar sua equipe e os benefícios que podem ter para o ambiente de trabalho e para a produtividade da empresa. Agora, vamos ao tema mais sensível e que exige maior atenção: de que forma este profissional pode cuidar das suas emoções para saber lidar com seus sentimentos a ponto de influenciar positivamente quem lidera.
Isabela Dwyer aponta alguns caminhos:
“É muito importante que o gestor desenvolva o autoconhecimento e aprenda a nomear suas emoções, a entender o que está sentindo. Técnicas de meditação e mindfulness [atenção plena] podem ajudar muito a melhorar a consciência no momento presente. E atividades físicas também são muito importantes, por liberar neurotransmissores que trazem sensação de prazer”.
1 – Pratique o autoconhecimento
Este é o fator primordial para saber lidar com seus próprios sentimentos. Por mais que exista parceria e companheirismo no ambiente profissional, muitas vezes não é o local mais adequado para expor suas emoções, o que pode acabar tornando-o vulnerável em certas situações. Contar com ajuda profissional, como psicoterapia, ou práticas individuais, como meditação, e ter uma rede de apoio fora do círculo de trabalho são componentes importantes para exercitar o autoconhecimento.
2 – Respeite seu processo e suas oscilações
O autoconhecimento também faz com que você aprenda a respeitar suas limitações e encarar os momentos difíceis com mais calma, sem forçar situações em que não estiver se sentindo confortável. Ninguém é absolutamente produtivo todos os dias e se cobrar por isso criará mais desgaste.
3 – Estude o tema
Há diversas publicações sobre temas como inteligência emocional nos negócios, autocuidado, habilidades para líderes, entre outros. Saber como especialistas e pesquisadores abordam estes assuntos é uma forma de se capacitar para lidar com situações sensíveis que exigem gestão emocional. O próprio hábito da leitura proporciona uma capacidade importante de concentração em meio a tantos estímulos. Observar e conversar com seus pares para entender como eles enfrentam estes desafios também são práticas que podem contribuir para o entendimento sobre o tema.
4 – Receba feedbacks da sua equipe
Dar e ouvir feedbacks claros de sua equipe é uma responsabilidade importante da gestão. Não há necessidade de perguntar ao seu time, objetivamente, sobre sua capacidade de gestão emocional. Mas, indiretamente, você pode sondar, por exemplo, se eles se sentem à vontade na relação com você ou se há alguma característica sua que poderia melhorar. Caso receba algum retorno construtivo neste sentido, agradeça e procure evoluir nos aspectos apontados.
5 – Cuide do seu bem-estar pessoal
É difícil desatrelar o bem-estar no ambiente profissional da vida pessoal. Muitas vezes, trabalhar mais horas por dia do que o recomendado pode ter o efeito contrário, gerando cargas de estresse que reduzem sua produtividade e interferem na relação com sua equipe. Portanto, é fundamental cuidar da sua saúde física, ter boas noites de sono e uma alimentação saudável, além de outros cuidados básicos, como ter momentos de descompressão para reduzir o estresse e incluir atividades que te dão prazer no seu cotidiano.
Saúde mental é um tema que ganhou projeção nos últimos anos principalmente no ambiente profissional, já que os efeitos da negligência a este tema são sentidos na vida profissional e pessoal. Ao cuidar melhor dos nossos próprios sentimentos e emoções, especialmente na posição de gestores, conseguimos também estender os cuidados a quem está no nosso entorno, contribuindo para uma sociedade mais saudável e empática e para melhores resultados no negócio.