No ano passado, o e-commerce brasileiro movimentou mais de R$ 182 bilhões, atraindo 87,7 milhões de consumidores. Os dados foram apresentados na última edição do relatório Webshoppers e ressaltam a importância do varejo eletrônico para as pequenas e médias empresas.
A boa notícia é que existe um número cada vez maior de tecnologias e serviços para empreendedores criarem suas próprias lojas de maneira simples e acessível. Da definição da plataforma à criação de canais de atendimento, conheça os nove passos necessários para começar a vender na internet.
1-Escolha uma plataforma
Não é preciso criar uma loja do zero ou contratar equipes de programadores e designers. Existem plataformas de e-commerce que atendem as necessidades de negócios em diversos segmentos e tamanhos, incluindo a criação e o registro de URL (nome do site da loja). O modelo de cobrança é por assinatura mensal ou anual.
Na fase inicial, deve-se priorizar o custo-benefício e as funcionalidades que melhor atendem às necessidades do negócio. Soluções como Shopfy, Loja Integrada, Nuvemshop e Iluria podem ser uma boa alternativa para operações mais básicas. Sistemas como Vtex e Magento, por sua vez, são uma opção interessante para negócios com estruturas mais complexas.
2-Planeje o estoque
Um planejamento cuidadoso de compra e gestão de estoque é essencial para consolidar um fluxo de caixa saudável desde o início da operação. Esse cálculo deve levar em conta fatores como projeções de venda, tempo de produção e data de validade dos produtos.
O recomendado é realizar testes com pequenos volumes e ajustar as próximas compras a partir dos ciclos de venda de cada item. Em alguns casos, é possível fazer a remessa diretamente do estoque de fornecedores, em uma prática conhecida como dropshipping.
3-Prepare a logística
O próximo passo é definir como os produtos serão despachados e entregues aos clientes. Dependendo do volume, a preparação e a embalagem podem ser feitas pelo próprio empreendedor (ou com a ajuda de um funcionário contratado para essa finalidade). Para o envio, é possível escolher entre transportadoras, Correios e empresas especializadas, de acordo com as opções de custo e prazos de entrega de cada modalidade.
Um ponto importante: avalie os tipos de embalagem e os valores de frete antes de calcular os preços finais. Dependendo do tipo do pedido, o valor de logística pode ser até maior do que o do próprio produto, o que pode gerar prejuízos ou desistência de clientes na hora de fechar uma venda (o chamado abandono de carrinho).
5-Escolha as formas de pagamento
A segurança nas transações financeiras é outro fator essencial para operações de e-commerce. A partir dessa premissa, o ideal é oferecer o máximo de opções possíveis para o cliente: cartão de crédito, débito, boleto, PIX e transferência. Também é possível utilizar intermediadoras como PayPal e Pagseguro.
A maioria das plataformas de vendas já possui ferramentas de integração com os principais serviços de pagamento. Os critérios de escolha variam de acordo com os valores das taxas de serviço e dos prazos de recebimento estipulados pelas operadoras e carteiras digitais.
6-Cadastre os produtos
A vitrine digital das lojas deve ter boas opções de imagens e descritivos claros dos itens vendidos — quanto mais bem apresentados, maiores as chances de venda. Uma dica importante é criar páginas específicas para cada categoria e produto (com a utilização de palavras-chave), o que facilita navegação no site e aumenta as chances de aparecer em pesquisas realizadas no Google.
A experiência de usuário em tablets e smartphones também precisa ser levada em conta: a maioria dos pedidos do e-commerce brasileiro (59%) é feita via dispositivos móveis. Embora a maioria das plataformas já ofereça versões pré-formatadas para smartphones, é preciso analisar a necessidade de eventuais ajustes em textos, imagens e botões de compra.
7-Divulgue os produtos
As redes sociais são plataformas essenciais para atrair clientes — os posts devem ser direcionados às páginas específicas dos produtos. Vídeos e tutoriais de uso estão em alta entre os usuários.
O Instagram e o Facebook oferecem ferramentas de lojas virtuais, que podem ser explorados como canais de venda complementares. Para aumentar a visibilidade das ofertas, é possível impulsionar as publicações com campanhas de a partir de cinco reais por dia.
8-Abra os canais de atendimento
Defina os canais de atendimento em que sua loja estará presente, como WhatsApp, telefone e redes sociais. Importante: não esqueça de responder o mais rápido possível e manter as informações de contato sempre atualizadas. Isso inclui acompanhar menções à empresa em outros perfis, comentários e canais de reclamação e satisfação do consumidor, como o Reclame Aqui.
Uma boa maneira de filtrar as questões mais urgentes é criar uma lista de respostas para as perguntas mais frequentes entre clientes (FAQ, na sigla em inglês), como prazos de entrega, políticas de devolução e valores de frete.
9-Pesquise os marketplaces
Assim como as lojas de redes sociais, a criação de perfis da marca em marketplaces pode ser usada como um canal de vendas adicional para o e-commerce (em alguns casos, até como a loja principal). Além dos marketplaces transversais, como Mercado Livre e OLX, deve-se avaliar a presença em plataformas de consumo segmentado, como o Elo7 (focado em decoração e artesanato) e Connect Parts (peças automotivas).
Gráfico/Ranking
| Onde investir
As categorias que registram mais pedidos no e-commerce nacional (em %) Eletrodomésticos -18 Casa e decoração – 14 Perfumaria e cosméticos – 12 Telefonia – 10 Alimentos e bebidas – 7 Esporte e lazer -7 Saúde – 6 Bebês e Cia -4 Informática – 4 Eletrônicos – 3 Construção e ferramentas – 2 Fonte: Webshoppers – Edição 45 |