A cultura organizacional é uma das marcas registradas de uma empresa. Quando trabalhada de forma intencional, ela pode se tornar um diferencial competitivo. Abrange diversos aspectos, como linguagem, políticas e práticas que são reconhecidas pela equipe e ajudam a construir a identidade da organização.
Ela tem grande influência sobre o clima empresarial. É capaz de motivar e aumentar a produtividade dos colaboradores, que a refletem no modo de trabalhar e de relacionar-se entre si, com empresas parceiras e com clientes. Quer saber como desenvolver uma cultura organizacional de forma estratégica para o seu negócio? Então continue a leitura!
Neste texto, você vai ver:
- A importância da cultura organizacional
- Elementos da cultura organizacional
O que é cultura organizacional?
A cultura organizacional é a identidade de uma companhia. Ela envolve políticas, hábitos e valores que, quando reunidos, formam o conceito. A expressão surgiu na década de 80, criada pelo cientista PhD Edgar Schein, uma das maiores referências sobre o assunto. É dele a frase:
A cultura representa, para grupos e organizações, o mesmo que caráter para indivíduos.
De maneira prática, a cultura não se resume àquilo que uma empresa gostaria de ser, mas sim ao que ela é em sua essência, na rotina. Ela diz respeito ao que é transmitido pela conduta de seus colaboradores, seja no modo de lidar uns com os outros, no de lidar com parceiros ou com clientes e a sociedade em geral.
Um exemplo simples de um elemento cultural de uma companhia é o código de vestimenta (também conhecido como dress code). Há organizações que são mais flexíveis em relação a esse comportamento ou que escolhem dias da semana para deixá-lo mais informal.
Outro exemplo que tem sido visto com cada vez mais frequência nas corporações (e reflete valores) é a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade. Mais e mais empresas estão aperfeiçoando sua identidade, associando-se a novos conceitos e respeitando a era que estamos vivendo.
Por que a cultura organizacional é importante?
Se a cultura é formada pelas práticas de uma companhia, é natural que ela tenha impacto sobre os resultados. Peter Drucker, considerado o pai da administração, deixou a seguinte reflexão:
A cultura come a estratégia do café da manhã.
A máxima demonstra a relevância que a cultura organizacional tem para os objetivos da empresa. Aponta também para como o sucesso depende de ambos — cultura e objetivos.
Um estudo realizado pela universidade americana Duke entrevistou 5 mil empresários, dos quais 90% reforçaram sua crença em que a cultura é relevante para atingir os resultados esperados e aumentar a lucratividade. Parte dessa importância é creditada aos profissionais que nela atuam, afinal, eles devem espelhar os valores que a companhia acredita.
Por essa razão, a cultura organizacional é respaldada pelo time de gestão de talentos: é ele quem faz o filtro dos colaboradores e participa ativamente do processo que os seleciona. É trabalho dessa equipe identificar aqueles que, além de competências técnicas e comportamentais, têm valores semelhantes aos do negócio, para agregar ainda mais com sua chegada.
No recrutamento e seleção de pessoas, a cultura deve funcionar como um atrativo — um chamariz para profissionais que se veem nos elementos que ela demonstra. Em outras palavras, um facilitador para prospectar os melhores talentos do mercado.
Quais são os elementos da cultura organizacional?
A cultura fala de si por si mesma. Por isso, quando não há consenso entre o que é proposto e o que é real, o mercado a identifica automaticamente. E as consequências podem ser ruins para o negócio, pois isso tende a afetar a credibilidade da empresa.
A chave para a transparência é ter clareza sobre os elementos da cultura organizacional. Confira-os a seguir!
Comunicação
A especialista em comunicação interna e referência no assunto Analisa de Medeiros Brum destacou que “não existe mais comunicação interna e externa”. Com a transformação digital, o que antes era transmitido a colaboradores versus o que era transmitido a clientes se tornou uma única comunicação. Em relação à cultura, considera-se, inclusive, quais canais são usados, a linguagem etc.
Normas
Em casa ou no trabalho: todo lugar tem suas próprias normas. Alguns ambientes corporativos são mais flexíveis. Inclusive, nos últimos anos, com a popularização do trabalho remoto, isso se intensificou. Contudo, ainda há milhares de empresas tradicionais cujas normas são mais rígidas, e seus colaboradores devem refletir isso. Em linhas gerais, as normas são as regras corporativas — aquilo que pode ou não.
Crenças
Para ser um bom vendedor, é essencial acreditar no que se vende. Se você está fazendo propaganda de um perfume que promete uma fixação de 8 horas, por exemplo, a riqueza de informações e detalhes que der em relação a isso serão um diferencial para o cliente. Isso pode ser decisivo para que ele acabe comprando.
Assim funcionam as crenças de uma organização. Quando esses pressupostos partem do negócio e de seus funcionários, ou seja, eles têm isso em comum, os resultados chegam com mais naturalidade e rapidez.
Valores
Os valores são a base de qualquer organização. Eles pautam o direcionamento, o propósito e o que se espera em termos de comportamento, tanto de seus empregados, como de seus parceiros. Não se sustenta uma relação de valores divergentes.
Boa parte das empresas emolduram os seus valores e os deixam à vista, em suas instalações, de forma que fique claro para todos. Porém, vale reforçar que essa comunicação se dá de maneira mais efetiva quando a conduta dela a reflete e quadros como esse se tornam apenas lembretes.
É interessante lembrar, ainda, da importância que valores bem estabelecidos têm para atrair e reter pessoas, contribuindo diretamente para a diminuição de indicadores de desligamento (turnover).
Porta-vozes
No centro de qualquer cultura (ou da história de uma corporação), há pessoas que fizeram a diferença de modo marcante. Nesse contexto, eles são reconhecidos como heróis da organização pelo que representam. São embaixadores da marca empregadora e refletem seus valores e crenças. Ou seja, são porta-vozes da empresa; representantes oficiais do que a cultura significa na prática.
Cerimônias
Também fazem parte da cultura celebrações, como ações de reconhecimento e premiações. Esses eventos geram expectativa nos empregados e, como ocorrem com regularidade, acabam sendo incorporados ao dia a dia deles. É fundamental investir em momentos como esses, que promovem descontração e fortalecem o elo entre o empregador e o empregado.
Quanto mais se investe em planejamento e investimento para uma cultura organizacional, mais se vê diferenças positivas no clima e ambiente de trabalho. Um bom ambiente cria funcionários felizes, o que, por sua vez, tem impacto sobre a satisfação do cliente. Assim, segue-se um ciclo vantajoso para o negócio.