No conteúdo anterior desta trilha de aprendizado, você aprendeu o que são os investimentos de renda fixa, suas principais características e as taxas que incidem sobre este tipo de aplicação financeira. Porém, saber selecionar os tipos mais adequados de aplicação dentre eles é fundamental para maximizar os retornos e alinhar as estratégias de investimento com as metas da empresa.
Cada modelo de capitalização de renda fixa possui características específicas, incluindo diferentes taxas de rendimento, prazos e taxações. Agora, chegou a hora de explorar as principais opções desta modalidade e suas especificidades.
Para compreender melhor este artigo, recomendamos que já tenha algum conhecimento sobre o universo dos investimentos. Nos conteúdos iniciais desta trilha de investimento para empresas foram expostos com detalhes os principais temas, nomenclaturas e siglas que surgem ao iniciar uma jornada de investimentos. Confira!
Principais investimentos em renda fixa
– Certificado de Depósito Bancário (CDB): é um título privado emitido por bancos, com o objetivo de captar recursos para financiar suas atividades. Em troca, a instituição financeira paga juros sobre o valor investido. As informações sobre todas as condições do CDB são informadas no momento da aplicação – as mais importantes são a taxa de juros e o prazo de vencimento.
● Os CDBs podem ser pré-fixados, pós-fixados ou híbridos;
● Incidência de IOF sobre o rendimento quando resgatado antes de 30 dias;
● O Imposto de Renda (IR) incide sobre a rentabilidade de forma regressiva (ou seja, a alíquota do imposto diminui à medida que o tempo de investimento aumenta), variando de 22,5% quando resgatado antes de 180 dias a 15% quando resgatado após 720 dias;
● Está protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), proporcionando maior segurança ao investidor.
● Oferecem boa rentabilidade e liquidez variável, conforme o acordo firmado com a instituição financeira.
● Ideal para empresas que buscam maior segurança no retorno do investimento e que desejam aplicações de fácil resgate – caso seja necessário liquidar o título para recompor o fluxo de caixa da sua empresa, por exemplo.
– Tesouro Direto: são títulos públicos emitidos pelo Governo Federal. Existem opções pré-fixadas, pós-fixadas e atreladas à inflação.
• A tributação pelo Imposto de Renda ocorre sobre o rendimento de forma regressiva – 22,5% resgatado antes de 180 dias e 15% após 720 dias.
• Apesar de não ter a garantia do FGC, é considerado um dos investimentos mais seguros do mercado porque a responsabilidade de pagamento ao investidor é do Governo Federal.
• Indicado para empresas que estão formando reserva de emergência e que não possuem grande apetite por risco.
– Letra de Câmbio (LC): embora o nome possa sugerir, esta modalidade de investimento não envolve operações com moedas estrangeiras. Trata-se, na verdade, de um mecanismo de financiamento emitido por instituições financeiras, não bancárias, para apoiar suas atividades de empréstimo.
• A tributação pelo Imposto de Renda ocorre por meio da tabela regressiva, tanto para pessoa física como para pessoa jurídica;
• Tem a garantia do FGC.
• Rentabilidade atrelada à taxa de Depósitos Interbancários (DI) – taxa que acompanha de perto a Selic – e ao IPCA (índice de inflação), oferecendo proteção contra variações de preços.
• Indicada para empresas com perfil mais conservador, mas que buscam retornos maiores do que o da poupança.
– Letra Financeira (LF): é uma forma exclusiva de captação de recursos por instituições financeiras. Sua principal finalidade é a obtenção de financiamento de longo prazo. Em contrapartida, ela oferece ao investidor rentabilidades bastante competitivas, principalmente em virtude do prazo mais extenso e da impossibilidade de resgate antecipado.
• Exige um prazo mínimo de 2 anos para a Letra Financeira Sênior e 5 anos para a Letra Financeira Subordinada;
• Não conta com a cobertura do FGC;
• Oferece algumas das maiores rentabilidades no mercado de renda fixa bancário.
– Debêntures: são títulos de dívida lançados por empresas. Ao adquirir uma debênture, o investidor está, na prática, emprestando dinheiro para a companhia emissora.
• O Imposto de Renda incide sobre o rendimento de maneira regressiva, similar ao que ocorre com os CDBs e o Tesouro Direto;
• Não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que pode representar um risco maior para o investidor;
• Contam com uma subcategoria, a de Debêntures Incentivadas, que se destacam por serem isentas de Imposto de Renda. Os recursos captados por meio dessas debêntures são direcionados para o financiamento de projetos de infraestrutura.
Como comparar rentabilidade para saber onde investir
Ao considerar diferentes opções de investimento de renda fixa, pode parecer simples escolher aquela que promete a maior taxa de retorno. No entanto, não se deixe enganar: a comparação de rentabilidade deve levar em conta diversos fatores além da taxa de rendimento anunciada.
Por exemplo, se o investimento possui um período de carência para resgate, é importante que ele pague uma rentabilidade superior para compensar o risco de não poder ser resgatado a qualquer momento quando comparado a um investimento com liquidez imediata.
Um dos principais deles, como já vimos, é o Imposto de Renda (IR), que incide sobre a rentabilidade de forma regressiva. Isso significa que, dependendo do prazo de resgate, a alíquota pode variar de 22,5% a 15% do rendimento obtido. Portanto, uma taxa de retorno mais alta pode acabar sendo menos lucrativa se a alíquota de imposto for mais alta, diminuindo a rentabilidade líquida.
Outro ponto importante é considerar o tipo de investimento e as condições do mercado. Por exemplo, no caso de um investimento pós-fixado, que tem a rentabilidade atrelada a um indexador, as oscilações do mercado podem afetar o retorno final. Portanto, a rentabilidade futura desse tipo de aplicação pode ser incerta.
Por todas essas razões, é altamente recomendável que, antes de tomar uma decisão, você busque a orientação de profissionais de consultoria financeira. Eles podem ajudar a fazer simulações que consideram todas essas variáveis, demonstrando com clareza os possíveis retornos de acordo com o tempo e o valor do investimento.
Quando decidir iniciar sua jornada de investimentos, procure sua instituição financeira de confiança. Indique à sua gerência que deseja expandir seus horizontes financeiros. Eles podem oferecer orientação valiosa, simulações de renda, e ajudar a identificar as melhores opções com base no perfil e objetivos da sua empresa. Lembre-se: decisões financeiras inteligentes são sempre baseadas em dados, não em suposições.