Memória

11/05/2012

Sem tecnologia, funcionários do banco levavam correspondência de bicicleta

Viaje a um tempo em que as contas eram feitas de cabeça e as contas eram registradas a mão.

Antes da era digital, sacar dinheiro era um processo que envolvia vários funcionários.

Antes de o celular existir, lembra como era um sufoco encontrar por telefone alguém que não estivesse em casa? E mandar uma mensagem escrita para um amigo que morasse longe? Não tinha jeito, tinha que ser pelo Correio. E levava dias.

Hoje, para quem vive rodeado de tecnologias de todos os tipos – internet, tablets, smartphones –, o mundo antes da era digital parece uma realidade distante. É até difícil imaginar como processos aparentemente simples, como registrar transações bancárias, aconteciam naquela época.

No entanto, esse passado está mais perto do que a gente imagina. Foi nos anos 50 que apareceram as primeiras máquinas registradoras. Antes disso, saques, depósitos e outras operações eram anotadas a mão pelos funcionários dos bancos na ficha do cliente e em um livro enorme, com folhas de papel de seda.

Para que esses registros tivessem qualidade, o funcionário tinha que ter boa caligrafia. E isso até abria portas para novos colaboradores: “Um dia, Walther Moreira Salles me disse: ‘Jofre, você tem uma caligrafia tão boa, por que não vem trabalhar conosco?’”, conta Jofre Rafael dos Santos no livro “História do Unibanco, 1924-1994” (Instituto Moreira Salles). Já ouviu falar em “escriturário”? Pois é. O nome vem daí.

Sem calculadora ao alcance dos dedos, outra aptidão essencial para os bancários da época era serem muito bons nas contas. Qualquer erro podia prejudicar o cliente e o próprio banco. E as contas eram feitas muitas vezes de cabeça – e depois conferidas na ponta do lápis. Por isso, quando acabava o expediente, os funcionários das instituições que viriam a se tornar o Itaú Unibanco se reuniam em duplas para conferir um o trabalho do outro.

Bancário também tinha que ter pique de esportista

Mas não pense que bastava só ter cabeça boa. Os funcionários das agências do Itaú e do Unibanco tinham que ter certa vocação atlética. Era comum, por exemplo, os próprios colaboradores levarem a correspondência para o cliente em sua casa. João dos Santos, que ingressou no Itaú em São Paulo nos anos 60, conta: “A própria agência mantinha bicicletas, que os funcionários usavam como meio de locomoção”. Ou seja: a nossa paixão pelas bikes não vem de hoje.

E se um cliente pedia um crédito, havia outro procedimento. O bancário saía pela cidade a pé, conversando com pessoas no comércio e em fábricas, para conhecer o perfil do candidato. Aí nem o telefone era bom. O contato era pessoal, olho no olho. Tempos outros, que não voltam mais. E que ajudaram a construir quem somos hoje.

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