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Faleceu Olavo Egydio Setubal 

 

São Paulo, 27 de agosto de 2008 - É com grande pesar que comunicamos o falecimento do presidente do Conselho de Administração da Itaúsa e do Itaú, Olavo Egydio Setubal, nesta quarta-feira, às 8h15, aos 85 anos, de insuficiência cardíaca. O velório será realizado no Centro Empresarial Itaúsa – Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100 - Jabaquara, das 16 horas de hoje às 10 horas de amanhã. O corpo será cremado em cerimônia privativa para os familiares.

 

Filho do escritor e poeta Paulo Setubal e de Francisca de Souza Aranha Setubal, Olavo perdeu o pai aos 14 anos, passando a contar com as orientações e cuidados de seu tio Alfredo Egydio de Souza Aranha. Sábio e conselheiro, o tio reúne Olavo, o sobrinho, e Eudoro Villela, o genro, para acertar um compromisso com ambos: de juntos poderem criar um dos maiores grupos empresariais do País. Ambos seguiram os conselhos e os ensinamentos, e o resultado é que Olavo Setubal, ao falecer hoje, deixa como legado a holding Itaúsa, que congrega operações industriais (Duratex, Itautec e Elekeiroz) e o Banco Itaú Holding Financeira (Itaú e Itaú BBA). É a maior empregadora de São Paulo, contando com R$ 350 bilhões de ativos (1º semestre/08). O Itaú Holding já é um dos 15 maiores bancos das Américas.

 

Engenheiro mecânico-eletricista, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Olavo Setubal, em 1947, fundou com seu colega de turma, Renato Refinetti, a companhia Artefactos de Metal Deca Ltda., pequena empresa com meia dúzia de empregados, em um barracão de dez por trinta, na rua dos Amores, em V. Maria. A Artefactos de Metal Deca foi fundada com a colaboração de José Carlos Moraes Abreu, advogado e amigo, responsável pela elaboração do contrato social da empresa.

 

Em fins da década de 50, a convite de seu tio, Alfredo Egydio de Souza Aranha, Olavo ingressa no Banco Federal de Crédito. Em episódio que bem evidencia sua personalidade, Alfredo Egydio chamou Olavo, reuniu a Diretoria do Banco e participou: "Esta é a segunda reunião que faço neste banco. A primeira foi para fundar o banco. Esta segunda reunião oficializa seu ingresso na Diretoria. E é a última." E foi mesmo a última, pois faleceu pouco tempo depois. Ingressando no banco, Olavo procurou criar o que não havia: estruturas administrativas contábeis e de custo, preparando-o para sua expansão.

 

Olavo Setubal logo percebeu que a rápida expansão do Federal de Crédito só seria viável com a fusão ou incorporação de outros bancos, adquirindo, assim, as respectivas redes de agências. Ninguém até então tinha tido a idéia de fundir bancos. Com Eudoro Villela e José Carlos Moraes Abreu, procurou avaliar com que instituições poderiam promover fusões. Chegaram à conclusão de que o mais conveniente era o Banco Itaú, localizado no Sudoeste de Minas Gerais. A fusão Federal Itaú foi concretizada em 2 de janeiro de 1965.

 

Nos dez anos entre 1965 a 1975, o Banco se agigantou, com importantes fusões, aquisições e incorporações, como as dos bancos Sul Americano, América, Aliança e Português do Brasil. Sacramentando esse rico período na história do grupo, Olavo Setubal e equipe incorporaram o Banco União Comercial (BUC), que duplicou o Itaú.

 

No início de 1975, a partir do convite do Governador Paulo Egydio Martins assumiu a posição de Prefeito de São Paulo. No município, deixou sua marca de exímio administrador, com visão de longo prazo, tendo promovido grande reforma administrativa e importantes obras vitais para o crescimento da metrópole.

 

De volta ao Banco em 1979, Olavo assumiu a Presidência do Grupo Itaú, permanecendo José Carlos Moraes Abreu como diretor geral.

 

Atuou ao lado de Tancredo Neves, articulando a criação do Partido Popular. Convidado pelo presidente eleito, Tancredo Neves, em 1985, Olavo Setubal foi nomeado Ministro de Estado das Relações Exteriores, deixando sua marca em importantes iniciativas, como a que deu origem ao MERCOSUL. Após um ano, decidiu abandonar definitivamente a vida pública e retomar suas atividades no Itaú.

 

Em 2001, assumiu a presidência do Conselho de Administração da holding Itaúsa e, em 2003, do Banco Itaú Holding Financeira, onde foi atuante até os últimos dias de sua vida.

 

Perde-se o grande líder, mas ficam sua inspiração, seus ensinamentos, valores e lições que, sem dúvida, direcionam todos nós a continuar sua obra.

 

Olavo Setubal deixa a esposa, Daisy Setubal, e os filhos Paulo, Maria Alice, Olavo Jr., Roberto, José Luiz, Alfredo e Ricardo, noras e 19 netos.

 

Abaixo, breves perfis da Itaúsa e do Itaú:

 


Perfil Itaúsa 

 

A Itaúsa foi constituída para centralizar as decisões financeiras e estratégicas de um conjunto de empresas, propiciando-lhes melhores condições de expansão. Atualmente, ocupa a segunda colocação entre os grupos privados brasileiros por volume de receitas. Operando nas áreas financeira e industrial, a Itaúsa mantém ainda relevantes instituições de caráter social.

 

A história do Grupo começou com o primeiro banco de investimento a se constituir no País. Denominado Banco Federal Itaú de Investimentos S.A., foi criado em 6 de maio de 1965, logo após essa área de atividade ter sido institucionalizada pelo Banco Central do Brasil. Em novembro de 1970, teve sua denominação alterada para Banco Itaú de Investimento S.A. e, a partir de maio de 1973, passou a denominar-se Banco Itaú Português de Investimento S.A. Em Assembléia Geral de 30 de abril de 1991, foi alterada a denominação social para Itaúsa - Investimentos Itaú S.A. O nome Itaúsa - Investimentos Itaú foi adotado a partir de 1991, incorporando assim, definitivamente, a sigla "Itaúsa" que o mercado consagrou.

 

As principais empresas controladas pela Itaúsa se destacam nos diversos setores de negócios a que se dedicam: Banco Itaú Holding Financeira e suas controladas Banco Itaú e Banco Itaú BBA, no segmento financeiro, e Duratex, Itautec e Elekeiroz, líderes de seus respectivos ramos industriais. Como holding pura de capital aberto, a Itaúsa concentra todas as decisões financeiras e estratégicas, de forma que as empresas do Grupo tenham as melhores condições para se aplicar em suas atividades e expandir seus negócios.

 

A marca Itaú tem sua solidez lastreada em mais de seis décadas de atuação no segmento de serviços financeiros. Uma bem-sucedida estratégia de aquisições e incorporações levou o Banco Itaú Holding Financeira (Itaú) à atual posição como um dos líderes entre os bancos privados brasileiros e um dos maiores bancos da América Latina, onde atua também nos mercados da Argentina, do Chile e do Uruguai. Os investimentos da holding na Europa estão concentrados na Itaúsa Europa Investimentos, que atua em países daquele continente desde os anos 1990.

 


Sobre o Banco Itaú Holding Financeira 

 

O Banco Itaú Holding Financeira S.A. (Itaú) é um dos maiores bancos latino-americanos, com ativos consolidados de R$ 343,9 bilhões, patrimônio líquido consolidado de R$ 30,3 bilhões e valor de mercado em Bolsa de Valores de R$ 96,7 bilhões (30/06/08). Com 69 mil colaboradores, o banco tem cerca de 3,5 mil pontos de atendimento, mais de 24 mil caixas eletrônicos e 24 milhões de clientes.

 

Entre os bancos brasileiros, o Itaú é líder nos segmentos de alta renda, private banking, cartões de crédito, financiamento de veículos e corporate. No segmento grandes empresas, o atendimento é realizado pelo Itaú BBA, considerado um dos maiores bancos de atacado do Brasil. O Itaú Holding possui marcante presença no exterior. Tem unidades estrategicamente posicionadas nas Américas, Europa e Ásia, que permitem importante sinergia no financiamento ao comércio exterior, na colocação de eurobonds, na oferta de operações financeiras mais sofisticadas e em operações de private banking.

 

A excelência na gestão e a busca das melhores práticas de governança corporativa têm resultado outros reconhecimentos internacionais. O Itaú é o único banco latino-americano a integrar o Dow Jones Sustainability World Index há oito anos, desde que este índice foi criado. A instituição foi avaliada, pela quinta vez consecutiva, a marca mais valiosa do país, de acordo com estudo da consultoria internacional Interbrand. O valor estimado equivale a R$ 8,076 bilhões. Foi também o primeiro banco estrangeiro, com negociações na Bolsa de Valores de Nova York, a atender às exigências da Sarbanes-Oxley.

 

No primeiro semestre de 2008, o Itaú Holding investiu R$ 55 milhões em projetos sociais e culturais, destacando-se: a adoção pelo Ministério da Educação do nosso Programa Escrevendo o Futuro, agora transformado na Olimpíada da Língua Portuguesa; e a continuidade do Programa Melhoria da Educação no Município. As exposições do Itaú Cultural foram visitadas por cerca de 180 mil pessoas. Na agenda de sustentabilidade, merece destaque o lançamento do Prêmio Itaú de Finanças Sustentáveis e os dois primeiros debates do ciclo de 2008 dos Diálogos Itaú de Sustentabilidade.

 


Sobre as Unidades Industriais 

 

Integrante da área industrial, a Itautec - Itaú Tecnologia S.A. nasceu em 1979, a partir da necessidade que o Banco Itaú tinha de desenvolver tecnologia especificamente para as suas agências. Graças a essa iniciativa, o Itaú pôde implantar sua rede de auto-atendimento com equipamentos e softwares desenvolvidos e fabricados pela Itautec a partir da década de 80. Hoje, a Itautec fornece uma linha completa de produtos para os mercados corporativo e doméstico: microcomputadores, servidores, storage (armazenamento de dados), automações bancária e comercial, auto-atendimento e serviços de assistência técnica, infra-estrutura, instalações e outsourcing (gerenciamento de serviços de tecnologia da informação).

 

A Duratex S.A. Indústria e Comércio surgiu em 1951, por iniciativa dos empresários Eudoro Villela, Nivaldo Coimbra de Ulhoa Cintra e Alfredo Egydio de Souza Aranha. Sua primeira unidade industrial passou a fabricar chapas de fibra de madeira três anos depois, com tecnologia sueca. Em 1972, a empresa incorporou a Deca, indústria fundada em 1947, transformando-a em sua divisão responsável pela produção de metais sanitários, louças sanitárias e acessórios das marcas Deca e Hydra. Com oito fábricas e presença na Argentina, nos Estados Unidos e na Europa, a Duratex é líder no mercado brasileiro na produção de painéis de madeira reconstituída e no segmento de metais sanitários, além de possuir posição destacada em louças sanitárias.

 

A Elekeiroz tem sua origem no final do século XIX, com a fundação de um pequeno laboratório farmacêutico denominado Queiroz Moura & Cia. Em 1912, a empresa passou a se chamar L. Queiroz, em referência ao nome de um de seus fundadores. A transformação desse empreendimento em uma indústria química relevante no cenário brasileiro foi um processo contínuo e consistente. A Elekeiroz foi pioneira na produção de diversos produtos químicos no País, como anidrido ftálico, bissulfeto de carbono, octanol e butanol a partir do álcool de cana e ácido 2-etil hexanóico, entre outros.

 


Prefeito de São Paulo (15/04/1975 a 12/07/1979) 

 

Indicado pelo governador Paulo Egydio Martins e aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa, Olavo Setubal assumiu o cargo de prefeito de São Paulo no dia 15 de abril de 1979. Na área pública, tinha sido diretor do Banespa ­– então um banco estatal – em 1962 e, entre 1965 e 1967, integrara o conselho de empresários que assessorou o então ministro da Indústria e do Comércio do governo Castello Branco, Paulo Egydio Martins. Mas a Prefeitura paulistana era o primeiro cargo público de notoriedade que exercia. Tendo alcançado êxito nas atividades empresariais privadas e formado seus filhos, considerava “uma obrigação aceitar o desafio” proposto pelo governador de São Paulo de atuar no setor público.

 

Já no discurso de posse, no qual citou seu pai, o escritor Paulo Setubal, dizia que sua tarefa era transformar São Paulo numa “cidade com significado humano, uma cidade na qual a expressão qualidade de vida urbana adquira um sentido existencial e quotidiano”. Sua gestão foi, por isso, marcada pela atenção especial aos problemas da população, sobretudo das áreas mais pobres, justamente as que mais necessitam da ação dos governos.

 

Levou para o setor público sua experiência de administrador privado, e as marcas mais evidentes que a vivência empresarial privada deixou em sua passagem pela Prefeitura foram o cuidado na elaboração do Orçamento e no controle das finanças municipais, a busca da eficiência da máquina administrativa, a definição das prioridades a partir de análise rigorosa dos problemas da cidade, a aprovação de obras e serviços de acordo com as necessidades da população e não segundo cálculos políticos ou eleitorais.

 

Procurou transformar a cidade, redefinindo o programa viário do município, que não mais se concentraria nas grandes vias expressas, mas daria atenção especial às avenidas de fundo de vale. Estas tinham o duplo efeito de oferecer novas vias de circulação a bairros até então mal atendidos pela malha viária e reduzir a ocorrência de enchentes, por meio da retificação e canalização dos rios.

 

Dedicou especial atenção às áreas da cidade mais carentes da ação do poder público municipal, como a Zona Leste. Foi nela que se executou uma das principais obras viárias de sua gestão, a Avenida Aricanduva. Também na região fica o Parque do Carmo, criado por Setubal numa época em que parte da população considerava isso um gasto desnecessário. Só mais tarde é que se reconheceu a importância da ação da Prefeitura na preservação das áreas verdes da cidade.

 

Não esqueceu, porém, as regiões já bem atendidas, mas que, ainda assim, careciam de obras importantes. Foi em sua gestão que se completou, por exemplo, a ligação da Avenida Sumaré com a Avenida Henrique Schauman. É também dessa época a construção da Ponte Ari Torres, que liga a Marginal Pinheiros à Avenida dos Bandeirantes.

 

Setubal conduziu as obras do metrô em ritmo acelerado. Foi ele quem autorizou a demolição do Edifício Mendes Caldeira pelo então inédito método de implosão, fato que paralisou a cidade em novembro de 1975. A demolição era necessária para a construção da Estação Sé, concluída em fevereiro de 1978. Foi em sua gestão que a então Linha Norte-Sul do metrô – atual linha azul ­– passou a circular sem interrupções entre as Estações Santana e Jabaquara. Foi também durante o período em que Olavo Setubal ocupou a Prefeitura que começaram as obras da Linha Leste-Oeste – ­atual linha vermelha.

 

Nas áreas já densamente ocupadas, como o centro da cidade, Setubal procurou criar um ambiente mais favorável às pessoas, aos pedestres, abrindo-lhes vias exclusivas, os calçadões, e oferecendo-lhes alguns parques, instalados onde houvesse área pública disponível.

 

O contato direto com as mazelas de uma metrópole desigual como São Paulo convenceram Setubal a contrariar as expectativas de algumas pessoas que acompanhavam sua vida empresarial e propor mudanças essenciais na legislação do uso e ocupação do solo para reduzir a especulação imobiliária e estimular a construção de habitações, sobretudo nas regiões mais afastadas do centro, onde vivia a população mais carente. Uma de suas idéias mais inovadoras, a do solo criado, não foi aprovada durante sua gestão, mas se tornou a base para a posterior mudança da legislação urbana.

 


Ministro das Relações Exteriores (15/03/1985 a 14/02/86) 

 

Em fevereiro de 1985, o presidente eleito Tancredo Neves convidou Olavo Setubal para ocupar o cargo de ministro das Relações Exteriores de seu governo, o primeiro chefiado por um civil desde 1964. Setubal tomou posse no cargo no dia 15 de março daquele ano, mas, naquele momento, quem o convidara para a função acabara de passar por uma grave cirurgia. Durante a doença de Tancredo Neves, a Presidência da República foi ocupada interinamente pelo vice-presidente José Sarney; após a morte do presidente eleito em 21 de abril, Sarney assumiu a Presidência da República de maneira definitiva.

 

O cargo de ministro das Relações Exteriores exigia com freqüência sua presença em solenidades, mas, desde o início de sua gestão à frente do Itamaraty, Setubal procurou fugir das atividades meramente protocolares ou de representação. Redefiniu a agenda do ministério, invertendo prioridades, a começar pelas viagens. Elas não começariam pelas capitais das principais potências industrializadas do mundo ocidental, como Washington, Londres, Paris, Bonn e Roma. Por sua decisão, as primeiras visitas oficiais como chanceler brasileiro seriam para os países com os quais o Brasil mantém relações históricas, mesmo que em alguns momentos conflituosas.

 

Este era, por exemplo, o caso da Argentina, país com o qual o Brasil tinha divergências a respeito de política regional e dos projetos de exploração do potencial hidrelétrico do Rio Paraná. Durante o período em que os dois países estiveram sob governo militar, essas questões turvaram o relacionamento diplomático entre eles.

 

Por isso, Setubal escolheu Buenos Aires como seu primeiro destino como chanceler brasileiro. No encontro que teve na capital argentina com o chanceler Dante Caputo, Setubal anotou questões comerciais que naquele momento incomodavam o país vizinho muito mais do que as questões estratégicas que se discutiam durante o período dos governos militares. De volta a Brasília, disse ao presidente José Sarney que, se o lado brasileiro conduzisse bem as negociações, áreas de atrito seriam eliminadas e um novo relacionamento bilateral poderia ser estabelecido. O governo brasileiro passou a agir do modo sugerido pelo ministro, o que resultou na aproximação dos dois governos.

 

O novo relacionamento entre Brasil e Argentina teve como principal marco o encontro, organizado pelos chanceleres Setubal e Caputo, que os presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín tiveram em Foz do Iguaçu, para a inauguração da Ponte da Fraternidade, que liga os dois países. No dia seguinte, a convite de Sarney, Alfonsín o acompanhou em uma visita à usina hidrelétrica de Itaipu, cuja construção desagradara os governantes militares da Argentina. A foto dos dois presidentes, sobre o vertedouro da usina, foi mal vista por alguns argentinos, mas representou a superação dos velhos problemas entre os dois países.

 

Foi ali, em Foz do Iguaçu, que os governos do Brasil e Argentina se sentiram estimulados a buscar um entendimento mais profundo nos campos diplomático, comercial e econômico, que se tornou a base para a constituição do Mercosul.

 

Setubal procurou também a aproximação com países do Leste europeu e com Cuba – embora o reatamento das relações diplomáticas com este último país só tenha sido concretizado alguns meses depois de ele ter deixado o cargo. Setubal tornou-se o primeiro chanceler brasileiro a visitar Moscou oficialmente, numa viagem que, além do simbolismo histórico e do caráter diplomático, teve também um importante aspecto cultural. Durante sua permanência na então capital soviética, foi aberta a exposição de gravuras feitas no início do século XIX pela expedição científica chefiada pelo cônsul geral da Rússia no Brasil, George Heinrich Von Langsdorff. As peças, que retratam a fauna e a flora brasileira, desde o Rio Tietê até Cuiabá, e dali até a Amazônia, estavam longe dos olhos do público havia pelo menos 100 anos.

 

Durante a gestão Setubal no Itamaraty, o Brasil desempenhou um papel importante no apoio aos entendimentos, conduzidos pelo chamado Grupo de Contadora, para a pacificação da América Central, afinal alcançada em janeiro de 1986.

 

Deixou o cargo de ministro das Relações Exteriores pouco depois, pois pretendia concorrer ao governo do Estado de São Paulo nas eleições daquele ano. Por diversas razões, acabou desistindo da candidatura e abandonou a vida pública.

 

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