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Itaú foi selecionado pela Exame entre as empresas de destaque no prêmio "Melhores do ESG"

A EXAME conduziu a premiação "Melhores do ESG", que reconhece as empresas de maior destaque por suas posturas socioambientais em 17 diferentes setores da economia.

Para a seleção, as empresas passaram por um rigoroso processo de avaliação desenvolvido pela ABC Associados e seguido pelo time de jornalistas da EXAME. O Melhores do ESG considerou as principais práticas sociais, ambientais e de governança, além do comprometimento de empresas com o capitalismo de stakeholder no Brasil. Estavam aptas a participar empresas que em 2020 faturaram, no mínimo, 50 milhões de reais.

A metodologia do Melhores do ESG foi inspirada na interpretação livre de abordagens que enfatizam uma visão de mundo sistêmica em relação aos princípios ESG. Entre elas destacam-se os padrões da Global Reporting Initiative (GRI), do Guia de Sustentabilidade para Empresas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e de iniciativas como Planetary Boundaries Framework, Ecological Footprint, Doughnut Economics, entre outras.

Reconhecimento Itaú: IMPACTO NA PANDEMIA

Todos pela Saúde: força-tarefa contra a covid-19 arrecadou 1,5 bilhão e colocou ESG no centro da estratégia do banco.

O Itaú marcou uma das maiores mobilizações empresariais brasileiras em prol de uma causa — e é, por isso, um exemplo a ser seguido pelo capitalismo brasileiro. Quando o Brasil marcava 100 mortes causadas pelo covid-19, no início do ano passado, o banco anunciou ao mercado o Todos pela Saúde, um fundo para a doação de 1 bilhão de reais para ajudar o Sistema Único de Saúde, o SUS, no combate à crise sanitária instalada no país.

O anúncio foi inédito por uma série de fatores. A começar pelo volume de recursos envolvidos. Até então, nenhuma empresa havia doado uma quantia tão grande para alguma causa social num país que ainda tem muito a evoluir na filantropia.

A quantia só seria igualada, no segundo semestre do ano passado, por uma doação na mesma quantia feita pela empresa de alimentos JBS para o combate ao desmatamento na Amazônia. Por ter dado o exemplo, e inspirado outras empresas a também abrir a carteira nos esforços contra a pandemia, a doação do Itaú ajudou a filantropia brasileira a arrecadar mais de 5 bilhões e reais nos cinco primeiros meses de 2020, segundo dados da ABCR, organização social responsável por medir o volume de captação de recursos para essa frente no país.

A quantia é praticamente o dobro do normal para um ano inteiro de arrecadações de recursos ao terceiro setor brasileiro.

A doação do Itaú inovou também pelo formato. Ela se deu por intermédio de um endowment, um fundo administrado por terceiros — no caso, um grupo de especialistas em saúde liderado pelo diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap —, e pôde ser complementada por outras empresas.

Semanas depois do pontapé inicial dado pelo Itaú, empresas como Braskem, de plástico, Suzano, de papel e celulose, Coteminas e Malwee, de têxtil, entraram na campanha. Até mesmo os funcionários do Itaú doaram como pessoa física ao Todos pela Saúde. Mais de um ano depois, o projeto arrecadou mais 500 milhões de reais de outras fontes de financiamento.

O escopo do fundo capitaneado pelo Itaú também marcou um ponto de virada importante na trajetória da responsabilidade social corporativa brasileira. Até então, raros eram os presidentes de empresas dispostos a bancar projetos para mexer no dia a dia da máquina pública — uma burocracia cujas regras e ritmo de trabalho não raro exasperam quem está acostumado com a velocidade acelerada da iniciativa privada.

Mais de um ano depois, os responsáveis pelo Todos pela Saúde têm alguns resultados importantes a mostrar. Perto de 100 milhões de reais foram doados para fábricas de vacinas. Metade disso ao Instituto Butantan, em São Paulo, a outra para a Fiocruz, no Rio de Janeiro, onde a quantia também ajudou a erguer um centro de processamento de testes do tipo PCR, o padrão de mercado contra a covid-19.

Em meio ao colapso de hospitais públicos pela escalada no consumo de oxigênio em UTIs dedicadas aos pacientes entubados pela covid-19, o Todos pela Saúde doou três usinas de produção de oxigênio ao SUS, além de 6.000 itens hospitalares, como reguladores de pressão, e 3 milhões de medicamentos para intubação de pacientes. Mais de 14 milhões de máscaras foram distribuídas à população — e campanhas publicitárias colaboraram para disseminar informações sobre o uso correto.

No início deste ano, em meio à escalada de casos da pandemia a patamares ainda mais dramáticos do que os do ano passado, o Todos pela Saúde anunciou a abertura de um centro de estudos sobre novas pandemias.

A intenção é tornar o espaço, na Avenida Paulista, região central de São Paulo, uma espécie de Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, também conhecido como CDC, uma das referências mundiais em vigilância epidemiológica.

“Queremos deixar como legado uma iniciativa que ajude o Brasil a estar preparado para futuras crises sanitárias”, diz Leila Melo, que faz parte do comitê executivo do Itaú para assuntos como sustentabilidade e governança, e é líder do Todos pela Saúde.

A força-tarefa contra a pandemia, na visão de Melo, mudou a maneira do banco de tratar a agenda ESG. Por ali, temas como meio ambiente e educação já faziam parte do dia a dia há pelo menos duas décadas. “Hoje essas discussões não estão mais espalhadas pela empresa”, diz ela. “E, sim, no centro das decisões da companhia.” | Leo Branco