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22º Edição

04/02/2021

Entenda o Resultado: Formatos de divulgação de resultados e o Modelo Gerencial.

Entrevistado: Augusto Vilela, Gerente de Relações com Investidores.

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22ª Edição

Entenda o Resultado: Formatos de divulgação de resultados e o Modelo Gerencial.

Entrevistado: Augusto Vilela, Gerente de Relações com Investidores do Itaú Unibanco.

Começa agora a sua imersão no mundo dos investimentos, está no ar o Investcast, o Podcast do Itaú Unibanco para acionistas bem informados. Esta é a edição 22 do Podcast Investcast Itaú Unibanco, a conversa hoje é entre Natalia Cerqueira e Augusto Vilela, ambos da área de relações com investidores do Itaú. É com você Nati.

Natalia Cerqueira: Olá pessoal, eu sou Natalia Cerqueira, analista na área de relações com investidores, é um prazer estar aqui em mais um episódio do Investcast. Hoje nós vamos iniciar aqui no canal a nova série, Entenda o Resultado, que tem como objetivo explicar conceitualmente as principais linhas do nosso resultado financeiro, e acho que vai ser bem interessante para você que está querendo se aprofundar e entender melhor os nossos indicadores. Para esse episódio nós vamos receber o Augusto Vilela, gerente de relações com investidores. Tudo bem, Augusto?

Augusto Vilela: Tudo ótimo Nati, vai ser um prazer começar essa série hoje, eu acho que o conteúdo que a gente vai discutir aqui nos próximos episódios vai ser muito rico para aquele investidor que quer começar a acompanhar o nosso resultado. Então vamos começar hoje falando sobre o modelo e nos próximos a gente vai passar pelas principais linhas aqui do nosso resultado, do balanço, e estamos abertos aqui para sugestões, para assuntos para os próximos conteúdos. Então vamos lá Nati, vai ser um prazer e eu estou bastante animado com essa série.

Natalia Cerqueira: Perfeito, bom Augusto, as pessoas que estão buscando se inteirar cada vez mais sobre o resultado do banco pode acabar surgindo algumas dúvidas com relação a qual visão do resultado olhar ou qual documento acessar, como você orientaria essas pessoas que estão começando?

Augusto Vilela: Ótima pergunta, e é um tema recorrente aqui porque o setor bancário é um setor específico que a gente apresenta resultados de uma maneira bastante distinta, somos um setor bastante regulado e por isso a gente tem várias visões sobre o resultado, e cada visão tem um propósito específico. Vou falar aqui de uma maneira geral que no nosso site de relações com investidores nós divulgamos resultados seguindo padrões contábeis e também resultados gerenciais. O resultado contábil nós apresentamos sobre duas estruturas, primeiro o BR GAAP que segue as normas aqui do Banco Central do Brasil, e é uma sigla em inglês para práticas contábeis geralmente aceitas no Brasil, é o modelo sobre o qual somos regulados inclusive para pagamento de dividendos, e também divulgamos sobre o IFRS, o IFRS são as práticas contábeis internacionais, que são muito importantes para comparabilidade do nosso resultado com pares estrangeiros. É importante lembrar aqui que o BR GAAP está caminhando ao longo do tempo aqui para se aproximar do resultado em IFRS. Perfeito, esse é o resultado contábil. Então além das demonstrações contábeis nós divulgamos também informações gerenciais, que na prática representa a forma como a administração olha o nosso negócio, então na prática aqui como fazemos, nós saímos do resultado em BR GAAP, fazemos diversos ajustes, reclassificações para que as demonstrações de resultado represente de fato a forma como cada gestor do seu produto do seu negócio aqui do banco enxerga e administra a operação no dia a dia, e isso é muito importante para o nosso modelo de gestão, e inclusive a forma como remuneramos administradores, por exemplo, no banco.

Natalia Cerqueira: Perfeito Augusto. Então essa visão gerencial ela elimina os efeitos que podem prejudicar a análise do investidor, mas você pode comentar um pouco quais especificamente seriam esses efeitos?

Augusto Vilela: Claro, sim e só confirmando o que você disse, você tem total razão quando você afirma que ele elimina alguns efeitos que atrapalham a análise do investidor porque por exemplo nós, quando apresentamos os resultados gerenciais, nós excluímos aqueles itens que chamamos de extraordinários, são itens que acontecem apenas uma vez e que não representam uma mudança na nossa operação de fato. Vou citar aqui dois exemplos, por exemplo, o programa Todos Pela Saúde em que o Itaú Unibanco doou mais de 1 bilhão de reais para o combate aos efeitos da pandemia de COVID-19, e um programa de desligamento voluntário que fizemos em 2019. Esses eventos são pontuais, eles não acontecem todo ano, não representam uma mudança na gestão e por isso quando olhamos o resultado ao longo do tempo nós eliminamos esses efeitos.

Natalia Cerqueira: Certo, e tem algum outro ajuste relevante?

Augusto Vilela: Sim, temos outros ajustes. Além de todas essas reclassificações que eu mencionei, temos um efeito importante que nós excluímos aqui do nosso resultado recorrente que é relacionado ao efeito fiscal da variação cambial sobre os nossos investimentos no exterior, parece super complexo, mas eu vou explicar de uma maneira clara. Nós temos investimentos no exterior, então a variação da moeda estrangeira, afeta os nossos resultados, e para proteger aqui os nossos acionistas, o nosso balanço, o nosso resultado anual, nós realizamos operações de Hedge, o que é isso? Nós utilizamos instrumentos derivativos no mercado de capitais, que eles se contrapõem às movimentações desse investimento no exterior, só que aqui é uma questão tributária, quando o nosso investimento no exterior ele varia em função da variação cambial, nós não tributamos essa variação no Brasil, mas os instrumentos que utilizamos para fazer o Hedge, que é esse mecanismo de proteção contra as variações, eles são tributados, então há um descasamento, a gente precisa fazer o chamado Overhedge, então esse efeito fiscal, nós eliminamos tanto da margem financeira quanto da linha de resultados. É importante lembrar aqui que esse efeito está se diminuindo ao longo do tempo, a partir de 2021 já há uma redução da necessidade de Overhedge em 50% em função de uma mudança na regulação fiscal, em 2022 esse efeito tende a se encerrar. Mas ele é uma importante diferença aqui quando nós olhamos as nossas demonstrações contábeis e em comparação com as nossas demonstrações gerenciais. No site, quando divulgamos os relatórios gerenciais, nas primeiras páginas nós apresentamos ali uma reclassificação, ou seja, nós mostramos quais são esses eventos que nós ajustamos aqui na demonstração gerencial em relação à contábil. Então eu acho que para quem quiser se aprofundar no assunto vale dar uma olhada no nosso relatório sobre o resultado gerencial, e falar com o nosso time aqui também, estamos sempre à disposição.

Natalia Cerqueira: Perfeito Augusto, muito obrigada por esse bate-papo, eu acho que foi uma boa introdução e com certeza esclareceu muitas das dúvidas que acabam surgindo, então espero você na próxima edição.

Augusto Vilela: Muito obrigado Nati, foi um prazer, espero realmente que estejamos ajudando aqui os acionistas e, de novo, estamos super abertos a receber perguntas, a conversar com os nossos investidores, e tratar aqui os temas que são mais relevantes para vocês. Foi um prazer, e até a próxima.

Natalia Cerqueira: Pessoal, então fiquem ligados que vamos ter mais episódios pela frente, essa série Entenda o Resultado está apenas iniciando, e acompanhem também o nosso site de relações com investidores, e não se esqueçam de deixar as sugestões de temas para as próximas edições, o nosso e-mail para contato é o relacoes.investidores@itau-unibanco.com.br. Até a próxima