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9º Edição

30/07/2019

Qual é a importância de uma estrutura de Governança Corporativa?

Entrevistado: Geraldo Soares, Superintendente de RI do Itaú Unibanco

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9º Edição (21/10/2019)
Qual é a importância de uma estrutura de Governança Corporativa?
Entrevistado: Geraldo Soares, Superintendente de RI do Itaú Unibanco.

Começa agora a sua imersão no mundo dos investimentos, está no ar o Investcast, o Podcast do Itaú Unibanco para acionistas bem informados.

Esta é a edição número nove do Investcast Itaú Unibanco, o meu nome é Cassio Politi, e hoje ao lado do Geraldo Soares, Superintendente de Relações com Investidores, nós vamos falar sobre governança corporativa do Itaú Unibanco. Geraldo, é um prazer estar novamente aqui com você, muito obrigado por disponibilizar um pouco do seu tempo para estar novamente aqui comigo no Podcast, Investcast Itaú Unibanco.

Geraldo Soares: Obrigado Cassio, para mim é um grande prazer estar aqui novamente com você.

Cassio Politi: O Itaú Unibanco tem uma estrutura robusta, né, e eu queria saber qual é o objetivo do Itaú Unibanco ao manter essa estrutura robusta de governança corporativa.

Geraldo Soares: Eu acho que é importante primeiro conceituar o que é governança corporativa. A governança corporativa ela, qual o grande objetivo dela? É você não ter conflitos de interesses entre três grandes agentes de uma empresa. Quais são esses agentes? É o Conselho de Administração, a própria Administração, a área executiva da empresa, e os acionistas dessa empresa. Então, cada um tem interesses diferentes desses três grandes agentes. Como que eu faço que eu tenha o mínimo possível de conflito de interesses em cada um desses agentes da própria empresa? Então a governança corporativa ela objetiva isso, você ter normas, regulamentos, que possibilitem você minimizar os conflitos que existem de interesse entre esses três agentes.
Muito bem, no Itaú nós acreditamos que governança corporativa se faz com estruturas. Em outras palavras, políticas, regulamentos internos, comitês, comissões... Ou seja, você montar uma estrutura perene, que independe de pessoas, independe de quem esteja trabalhando no Banco, os comitês com os seus regulamentos internos, com as suas políticas, ele vai fazer o trabalho dele usualmente sem precisar mudar devido à mudança de pessoas, está ok? Então a gente acredita muito nisso, na estrutura, todas as informações são públicas, todos os comitês, comissões que nós temos, os regulamentos, as políticas desses comitês, então tudo público, todas as pessoas podem ver e ver como que o Banco é gerido, e como que o Banco consegue minimizar o máximo possível esse conflito de interesses. Então por isso que nós fazemos a nossa governança visando nos alinhar cada vez mais com os nossos acionistas, vamos lembrar que hoje nós temos 206 mil acionistas, sendo a grande maioria brasileiros, pessoas físicas, com interesses na organização, com interesses nos dividendos, no crescimento, nos riscos da empresa, e esses comitês, essa estrutura de governança visa alinhar esses interesses entre o Conselho, a área executiva do banco e os 206 mil acionistas.

Cassio Politi: E essa estrutura ela está baseada em três pilares, que são IUPAR, o Conselho de Administração e o Comitê Executivo. Eu queria que você explicasse um pouquinho o papel de cada um deles.

Geraldo Soares: A IUPAR é onde tem o controle familiar do Itaú Unibanco. Então são três famílias que estão dentro dessa empresa IUPAR, que detém o controle das ações ordinárias do Banco, o Banco é uma empresa de controle familiar, isso é importantíssimo na governança corporativa. E esse acordo de acionistas, e esse grupo de três famílias que está dentro da IUPAR, tem uma visão de longo prazo. Não é uma visão de curto prazo nem de médio prazo, é uma visão de longo prazo, eles tão olhando a empresa daqui a décadas. A a empresa tem mais de 90 anos, e querem que tenha mais 90 anos ainda. Então essa questão da visão da família é muito importante, não é uma visão só de executivos, isso é um dado bem importante para o Banco e é fundamental para a nossa governança, essa visão de longo prazo.
Além da IUPAR nós temos o nosso Conselho de Administração. O Conselho de Administração do Banco, ele é formado por 11 pessoas, 11 eleitos na assembleia geral de acionistas, sendo que dos 11 nenhum é um executivo do Banco, não tem ninguém que trabalha no Banco, na área executiva, então são só conselheiros, sendo que desses 11, 45% conceitualmente são considerados independentes, ou seja, não têm nenhum relacionamento com o Banco, nunca tiveram nenhum relacionamento, são pessoas que vieram do mercado contribuir na discussão. Então, temos a IUPAR, que é o controle familiar, temos o Conselho de Administração, que é um grupo de pessoas que, como eu falei, não executivas e independentes, que auxiliam o Banco, que dá as grandes diretrizes, que dá a estratégia que o Banco vai ter nos próximos anos. E por outro lado temos o Comitê Executivo que é o executor das estratégias definidas pelo Conselho de Administração. É, o Comitê Executivo vos que vai ler, vai se alimentar das informações estratégicas do Conselho de Administração para implementar isso dentro do Banco. Então são esses três grandes órgãos de governança que nós temos, são os três grandes pilares da governança, que depois vai ser disseminado isso em vários comitês, comissões, dentro da área executiva do Itaú Unibanco.
Além disso, acho que vale a pena comentar que o Banco tem ADRs, que são ações negociadas no exterior. Isso significa que nós, além de termos que cumprir regras de governança corporativa estabelecidas no Brasil, nós temos regras estabelecidas nos Estados Unidos, pelo regulador norte americano, que nós temos que seguir aqui também. Então, nós temos basicamente dois reguladores hoje, Brasil e Estados Unidos, que o Banco tem que cumprir todas as regras de governança. Mas eu acho que é importante frisar que o Banco ele tem, voluntariamente, muito mais, ele faz muito mais de governança do que as duas entidades, os dois reguladores, exigem. A gente faz o mínimo que é o que eles exigem e tem voluntariamente muito mais políticas, muito mais regulamentos, muito mais comitês do que é exigido, porque nós acreditamos na estrutura de governança corporativa, nós acreditamos que isso dá, isso fornece, gera, criação de valor para a empresa.

Cassio Politi: Inclusive a gente fez um Podcast recente com o Augusto Vilela, em que ele detalhou também ADRs, vale a pena ouvir esse Podcast também. E quanto à administração, a estrutura da administração, você poderia falar um pouco também sobre as principais funções e composições?

Geraldo Soares: O principal órgão de governança corporativa, o início de tudo, né, o principal órgão é a assembleia geral de acionistas, que pode ser ordinária, pode ser extraordinária, onde se define como vai ser a composição do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal do Banco. Então, tudo começa na assembleia geral dos acionistas, aquilo que eu comentei anteriormente, hoje nós temos 206 mil acionistas, esses 206 mil acionistas votam, têm direito a voto em algumas questões e outras não, mas eles votam em assembleia geral de acionistas e elegem o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal. O Conselho de Administração, eu já comentei o que ele faz, o Conselho Fiscal é um órgão que ele fiscaliza a administração, é um órgão que, no nosso caso atualmente, é composto por três membros independentes mais três suplentes, e esse órgão ele vai checar, verificar, por exemplo, as demonstrações financeiras do Banco. Ele é um órgão que se reporta somente à assembleia, ele não se reporta a administração e nem ao Conselho de Administração. Então, o Conselho Fiscal se reporta à assembleia geral de acionistas.
Muito bem, então é eleito o Conselho Fiscal e o Conselho de Administração. O Conselho de Administração, por sua vez, que vai eleger o Presidente da empresa, ele que vai indicar o Presidente da empresa, os 11 membros, e esse indica o seu Comitê Executivo. Então, tudo começa na assembleia, a assembleia elege o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal, e o Conselho de Administração elege o Presidente do Comitê Executivo, que vai eleger, que vai indicar o seu Comitê Executivo, que é formado, além do Presidente, por dois Diretores Gerais e mais três Vice Presidentes. Então essa é a composição dos pilares que nós falamos anteriormente que começa na assembleia geral de acionistas.
Além disso, eu acho que vale comentar do Comitê de Auditoria. O Banco tem um Comitê de Auditoria estabelecido, inclusive ele segue as regras do mercado norte americano, e regras do banco central brasileiro, nós temos um especialista no nosso Comitê de Auditoria, são cinco independentes, totalmente independentes, cinco pessoas independentes que hoje compõem o Comitê de Auditoria, sendo que um deles é um especialista em finanças. Eles fazem um trabalho extremamente importante dentro da organização, então, conversa com auditoria interna, com auditoria externa, com executivos, etc e tal, para verificar os riscos que o Banco está correndo, é um órgão totalmente independente.
Então, no Banco Itaú, todos esses exemplos que eu estou colocando para você, Cassio, é que, como a gente acredita na governança corporativa a gente leva muito a sério isso e a gente cria estruturas realmente independentes, realmente atuantes. Quando eu falo que é estrutura e tem regulamentos, não é só no papel, na verdade são estruturas que existem e interferem, e têm iniciativas dentro da organização, gerando uma melhoria nos controles, no compliance e na melhoria estratégica da Companhia como um todo.

Cassio Politi: E Geraldo, governança corporativa tem a ver com transparência e eu queria entender como a transparência se encaixa nessa relação do Itaú Unibanco com o acionista.

Geraldo Soares: É fundamental a transparência, você conversar, você dialogar com o seu acionista, com o seu investidor é fundamental. O Itaú leva isso muito a sério, nós somos a empresa que mais faz reuniões Apimecs no Brasil, além das reuniões Apimecs a gente faz mais 54 eventos entre roadshows, visita a investidores, são mais de 54 eventos por ano que nós fazemos, que nós acessamos, que nós conversamos, que nós, acho que a palavra adequada, Cassio, é dialogamos com o nosso investidor. E isso é muito importante porque, a partir do momento que você dialoga, você sabe o que ele está pensando, você sabe onde você está acertando e onde você está errando. Eu sempre gosto de comparar o nosso investidor, ele é como se fosse um membro do meu Conselho Fiscal, do meu Comitê de Auditoria, onde ele critica, faz críticas e sugestões de melhoria para a Empresa. Ele não está aqui dentro para ver em detalhes as informações, mas ele pode perceber coisas lá fora e nesse diálogo, nesse contato que nós temos com eles em reuniões, nesses 54 eventos que eu comentei, a gente consegue perceber, consegue filtrar o que realmente é importante e trazer para dentro de casa e rediscutir aqui internamente. Então a transparência é fundamental nesse diálogo com o mercado de capitais, nesse diálogo com o acionista, com o investidor do Banco, e é muito importante isso para nós. E a gente altera procedimentos, altera políticas, altera iniciativas do Banco com base nesse diálogo que só vem através de uma transparência real, voluntária, vontade de ser transparente. Essa é a política do Banco e isso a gente vai continuar fazendo, com certeza, nos próximos anos.

Cassio Politi: Certo Geraldo, muito obrigado por, mais uma vez, disponibilizar um pouco do seu tempo para conversas conosco e obviamente com os acionistas do Itaú Unibanco.

Geraldo Soares: Muito obrigado, à disposição, quem tiver dúvidas e etc, temos o nosso site, temos e-mail, telefone, estamos à disposição, Cassio, para discutir qualquer outro detalhe que ficou faltando, que alguém quiser complementar alguma coisa, muito obrigado.

Cassio Politi: E o site que o Geraldo Soares mencionou, agora no final da conversa, é o site itau.com.br/relações-com-investidores, lembrando sempre que esse “relações com investidores” é escrito naquele formato web, sem ç, sem acento, e sem espaço, então fica itau.com.br/relacoes-com-investidores. Você ouviu o Geraldo Soares, Superintendente de Relações com Investidores do Itaú Unibanco. Eu espero você nos próximos programas. Até lá!