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Viva a Experiência

01/10/2012

Espetáculo à parte

Do norte ao sul, do Oiapoque ao Chuí, o Brasil possui teatros, fundações culturais e salas de espetáculos com tão belas construções que por si só valem a visita.

SPTuris

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Em São Paulo, uma das mais imponentes construções é o Teatro Municipal, de 1911, assinado pelos arquitetos Ramos de Azevedo e pelos italianos Cláudio e Domiziano Rossi. Muitos anos depois, em 1987, o teatro foi restaurado por uma equipe da qual o arquiteto Nelson Dupré fez parte. “Gostei tanto da experiência que acabei me especializando em projetos de teatros e em restauração de edifícios tombados”, conta. Dupré destaca detalhes do Municipal para serem vistos com calma, como obra de arte que é: as colunas neoclássicas, os vitrais e os bronzes. Eles representam parte da estética da belle époque brasileira, que teve seu apogeu entre os anos 1889 e 1922, trazendo a europeização na arquitetura e também na moda. Não por acaso, o Teatro Municipal de São Paulo segue estilo arquitetônico semelhante ao da Ópera de Paris.

Sala São Paulo, um marco pessoal

Em 1997, Nelson Dupré recebeu o convite para restaurar a Estação Júlio Prestes e implementar no grande hall do edifício a Sala São Paulo – a arquitetura original, de 1872, é do brasileiro Christiano Stockler. “Hoje, esse projeto representa o divisor de águas entre o meu desenvolvimento como profissional de arquitetura e o reconhecimento da minha maturidade como arquiteto”, revela. Pelo trabalho da Sala São Paulo, Dupré ganhou o prêmio de honra 2000 da USITT – United States Institute for Theatre Technology. “Não é comum os arquitetos que atuam na área de restauro receberem prêmios, pois eles enaltecem as qualidades dos autores originais das obras nas quais intervêm. Porém, nesse caso, tivemos a chance de inserir no edifício uma nova arquitetura e de vê-la julgada paralelamente à obra do primeiro autor”, explica. Apesar do restauro, a Sala São Paulo mantém as características do estilo eclético Luís XVI – iguais às da Estação Júlio Prestes, construção anexa a esse espaço. Seus 12.000 metros quadrados seguem referências das melhores salas de concerto do mundo, entre elas, a do Boston Symphony Hall (Boston, EUA), o Teatro Colón (Buenos Aires, Argentina) e o Royal Opera House (Londres, Inglaterra). Subdividido em módulos ajustáveis que permitem variações volumétricas e, assim, a versatilidade na adequação das apresentações no palco, o teto – coberto por policarbonato – possui um dos mais modernos sistemas de isolamento acústico. E muitos especialistas consideram que a sala possui uma das melhores acústicas do mundo.

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Luxo no Amazonas

Além do Teatro Municipal e da Sala São Paulo, existem no país outros espaços históricos que atraem pela beleza arquitetônica. O Teatro Amazonas (1884-1896), em Manaus (AM), é um dos que estão na lista de Dupré. “Ele é um dos mais importantes do cenário brasileiro e o mais representativo do Amazonas”, diz. Sua construção foi marcada pelo auge do ciclo da borracha na região. Quase todos os materiais utilizados na arquitetura vieram da Europa, com exceção da madeira brasileira, que era enviada à Europa e voltava para cá já na forma de móveis e pisos. Lá, estão painéis de Domenico de Angelis e o pano de boca que retrata o encontro das águas dos rios Negro e Solimões, de Crispim do Amaral. Com projeto arquitetônico realizado pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, o teatro foi restaurado em 1990 e, hoje, abriga a orquestra Amazonas Filarmônica.

Modernidade gaúcha

Das construções modernas, Dupré destaca o MuBE (1995) – projeto de Paulo Mendes da Rocha –, o Masp (1968) – da arquiteta Lina Bo Bardi – e o Auditório do Ibirapuera (1950) – feito pelo célebre Oscar Niemeyer. Todos apresentam traços simples e leves, como pede a arquitetura contemporânea. Também destaca a Fundação Iberê Camargo (1999-2008), em Porto Alegre (RS). “Essa obra do arquiteto português Álvaro Siza é emblemática: perfeitamente adequada às criações do artista plástico gaúcho que empresta o nome à fundação”, conta. Dupré arremata: “As diversas aberturas que preenchem os andares do museu permitem ao visitante ter ampla visão e observar as curvas sinuosas da construção".

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