Itaú BBA - Trump eleito Presidente dos EUA

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Trump eleito Presidente dos EUA

Novembro 11, 2016

A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais gera incertezas no cenário externo.

Incertezas com relação aos EUA aumenta volatilidade nos mercados

No Brasil, corte de juros com cautela devido a incertezas externas

Atividade no País segue em recessão

Inflação continua em queda 

Incertezas com relação aos EUA aumenta volatilidade nos mercados

A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais gera incertezas no cenário externo. Ainda não é possível saber quais as medidas econômicas que serão adotadas por Trump. Durante a campanha, o candidato prometeu aumentar os gastos com infraestrutura em US$ 500 bilhões nos próximos cinco anos (cerca de 3% do PIB) e cortar os impostos para pessoa física e jurídica (US$ 4 trilhões em 10 anos). Além disso, Trump indicou uma política externa anticomércio e uma postura mais restritiva do Fed, o banco central americano.

As incertezas relacionadas às políticas que serão adotadas nos EUA geraram volatilidade nos mercados globais. Com a perspectiva de um maior estímulo fiscal, as taxas de juros dos títulos do tesouro americano subiram (Gráfico 1). No Brasil, a taxa de câmbio se depreciou 6,2% na semana, atingindo 3,49 reais por dólar e o índice de ações Ibovespa recuou 3,5% (Gráfico 2).

No Brasil, BC volta a intervir no mercado cambial...

Com a forte depreciação do real, o Banco Central do Brasil voltou a intervir no mercado de câmbio através de derivativos cambias. A autoridade monetária anunciou a rolagem dos contratos de swaps cambias que vencem no começo de dezembro. De acordo com a declaração do BCB, a decisão foi tomada após a avaliação das condições atuais do mercado.

... e deve ser cauteloso com corte de juros diante de incertezas externas

Diante das incertezas relacionadas ao ambiente externo, avaliamos que o Banco Central do Brasil (BC) preferirá provavelmente proceder de forma gradual com a flexibilização monetária, com outro corte de juros de 0,25 p.p., em vez de 0,50 p.p., que esperávamos anteriormente. Assim, atualizamos nosso cenário de taxa Selic para o final do ano, de 13,50% para 13,75%. Ainda esperamos que as taxas continuem caindo de forma acentuada no próximo ano, terminando em 10,00%. Em nossa opinião, a combinação de inflação menor, queda das expectativas de inflação, avanços na aprovação de medidas de ajuste fiscal e atividade mais fraca do que o esperado (o que se tornará evidente com a divulgação do PIB do 3T16) fará com que o BC se sinta confortável o suficiente para acelerar o ritmo de corte de juros no início de janeiro de 2017.

Atividade segue em recessão

Os dados de atividade continuam em queda. As vendas no varejo caíram 1,0% em setembro, após ajuste sazonal, bem abaixo das expectativas.  O resultado é consistente com a piora no mercado de trabalho, que reage com defasagens à atividade econômica, e com a baixa confiança dos consumidores, quadro que não deve se alterar nos próximos meses.

Com as vendas no varejo, completamos nosso cálculo do PIB mensal Itaú Unibanco de setembro. O indicador recuou 0,3% no mês e contraiu 1,2% no terceiro trimestre (Gráfico 3). O resultado reforça que a atividade segue em recessão e também sugere um viés de baixa para nossa projeção do PIB (como medido pelas Contas Nacionais do IBGE) no terceiro trimestre (-0,5%).

Indicadores sugerem queda da produção industrial em outubro

Os indicadores coincidentes da produção industrial de outubro decepcionaram as expectativas. As vendas de papel ondulado caíram 1,2% no mês. O tráfego de veículos pesados também recuou 3,1%, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) (Gráfico 4). A produção de veículos recuou 4,6% no mês, de acordo com a ANFAVEA. Como um todo, os indicadores sugerem uma queda da produção industrial em outubro, por volta de 1,2%. Apesar do resultado, avaliamos que a recuperação da produção industrial deve continuar à frente, reflexo da volta da confiança dos empresários e do ajuste cíclico dos estoques.

Inflação continua em queda

O IPCA subiu 0,26% em outubro, um pouco abaixo das expectativas de mercado. Com o resultado, a inflação acumulada em doze meses recuou para 7,9%, vindo de 8,5% em setembro. A surpresa veio de quedas disseminadas em produtos industriais (Gráfico 5). A inflação de serviços teve alta de 0,5%, em linha com o esperado, mas recuou para 6,9% no acumulado nos últimos 12 meses.

Esperamos que a inflação continue a desacelerar à frente, tendência que deverá continuar ao longo de 2017. Projetamos a inflação em 6,9% em 2016 e em 4,8% em 2017.

CCJ do Senado aprova PEC do teto de gastos

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou o parecer do relator, Eunício Oliveira (PMDB-CE), à proposta de emenda constitucional que propõe um teto para os gastos públicos. A proposta propõe que os gastos primários federais cresçam no máximo a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA de junho do ano anterior. A medida segue agora para votação no Senado. A votação em primeiro turno deve ocorrer no dia 29 de novembro e a em segundo turno, no dia 13 de dezembro. Avaliamos que a aprovação de reformas fiscais, como o teto de gastos, é fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e a volta do crescimento econômico.

Destaques da próxima semana

As atenções vão estar voltadas para possíveis notícias relacionadas à composição da equipe de Donald Trump. Destaque também para os dados de atividade econômica da China referente a outubro que serão divulgados na segunda-feira. O PIB do terceiro trimestre da zona do euro será divulgado na terça-feira.

No Brasil, semana com poucas divulgações. O indicador de atividade econômica do Banco Central referente a setembro e a criação de empregos formais de outubro podem ser divulgados, mas não há data definida.


 

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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