Itaú BBA - Teto dos gastos é aprovado na Câmara

Semana em Revista

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Teto dos gastos é aprovado na Câmara

Outubro 28, 2016

A aprovação de reformas fiscais é fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e o retorno ao crescimento econômico.

PEC 241 segue agora para votação no Senado

Desemprego continua em alta

Ata do Copom reforça que ritmo de cortes de juros depende do cenário

Dados nos EUA reforçam alta de juros em 2016

Câmara dos Deputados aprova teto de gastos em segundo turno

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno, com 359 votos a favor e 116 contra, a proposta de emenda constitucional (PEC) 241 que propõe um teto para os gastos públicos. A medida determina que os gastos primários federais cresçam no máximo a inflação acumulada em 12 meses em junho do ano anterior.  A proposta segue agora para votação em dois turnos no Senado e o calendário ainda está sendo definido. As notícias indicam que a primeira votação deve ocorrer em 29 de novembro e a segunda, em 13 de dezembro. Na nossa visão, a aprovação de reformas fiscais, como o teto de gastos, é fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e o retorno ao crescimento econômico.

Receita acima do esperado com regularização de recursos no exterior 

As notícias apontam para uma arrecadação acima do esperado com o programa de regularização de recursos no exterior. A arrecadação parcial com multa e imposto se encontra em 40 bilhões de reais. O prazo final para adesão ao programa é até 31 de outubro. O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, afirmou que os recursos acima do esperado com o programa de regularização de recursos no exterior vão ajudar a atingir um déficit fiscal menor do que a meta para o governo central, de 170,5 bilhões de reais em 2016.

Desemprego continua em alta...

Os dados divulgados esta semana indicam que o mercado de trabalho continua enfraquecendo. A criação líquida de postos de trabalho voltou a ser negativa em setembro. Corrigindo por fatores sazonais, houve destruição líquida de 117 mil vagas no emprego formal (Gráfico 1). Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego nacional atingiu 11,8%, 2,9 p.p. acima do resultado registrado em setembro do ano passado. Projetamos que a deterioração do mercado de trabalho continue à frente até o primeiro semestre de 2017, refletindo a recessão econômica dos últimos anos.

...reforçando queda do consumo à frente

A piora do mercado de trabalho aponta para a queda no consumo das famílias à frente. O indicador de confiança do consumidor, divulgado pela FGV subiu 2,2% em outubro. Mas, o resultado (como nos últimos meses) foi impulsionado pelo componente de expectativas para o futuro, que avançou 2,8% no mês, enquanto o outro componente de situação atual teve alta apenas de 1,2% e segue em patamar bem baixo, reforçando que o consumo segue fraco (Gráfico 2). Em nosso cenário, esperamos uma volta do consumo apenas em 2018, depois da recuperação do mercado de trabalho.

Ata do Copom reforça que ritmo de cortes de juros depende do cenário

A ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) segue o comunicado de sua última reunião e mostra a disposição do Comitê em continuar reduzindo a taxa Selic, em um processo descrito como "gradual e moderado". Enquanto o texto sugere que, por ora, um ritmo de cortes nos juros de 0,25 p.p. por reunião pode ser o preferido pelo Copom, na nossa visão, consideramos que os dados econômicos a serem divulgados à frente e as notícias devem evoluir de forma a respaldar um corte de 0,50 p.p na próxima reunião em novembro, levando a taxa Selic para 13,5% em 2016.

Déficit em conta corrente abaixo do esperado em setembro

O déficit em conta corrente em setembro somou US$ 465 milhões, bem abaixo das expectativas, em função da surpresa na conta de rendas. O resultado devolve parte do desempenho mais fraco da conta corrente dos últimos meses e não muda a nossa visão de um pequeno déficit no ano. Acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente recuou mais uma vez (para US$ 23,3 bi ou 1,3% do PIB) (Gráfico 3). Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits baixos, ainda que levemente crescentes, sem comprometer a sustentabilidade externa.

Dados nos EUA reforçam alta de juros em 2016

Os dados de atividade e de inflação divulgados essa semana reforçam o cenário de alta de juros nos Estados Unidos ainda em 2016. O crescimento do PIB dos Estados Unidos foi de 2,9% no terceiro trimestre. Apesar do crescimento maior do que as expectativas, a composição veio pior com uma expansão menor do consumo (2,1%) e um maior acúmulo de estoques. As exportações contribuíram fortemente para o crescimento do PIB no trimestre. Do lado da inflação, o deflator dos gastos de consumo pessoal veio um pouco mais pressionado, com uma alta de 1,7% no trimestre. A atividade mais forte e a inflação mais pressionada reforça que há espaço para uma alta de juros ainda esse ano. Esperamos que o Fed, banco central americano, suba os juros em dezembro.

Hillary Clinton mantém a vantagem sobre Donald Trump

Apesar das divergências entre as pesquisas nacionais, a média dos resultados mostra a candidata Hillary Clinton à frente de Donald Trump, com vantagem em torno de 5 p.p (Gráfico 5). As eleições estão marcadas para 8 de novembro. Em nosso cenário base, consideramos uma vitória de Hillary Clinton.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o segundo turno das eleições municipais ocorre no domingo. Do lado econômico, o IBGE divulga a produção industrial de setembro na terça-feira. Projetamos um crescimento de 0,5% no mês.

Nos Estados Unidos, destaque para os dados de mercado de trabalho de outubro, que serão divulgados na sexta-feira. As sondagens ISM do setor industrial e de serviços serão divulgadas na terça e na quinta-feira, respectivamente.


 

Caio Megale

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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