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Semana em Revista, Dez 2016 | Itaú BBA

Dezembro 9, 2016

No Brasil, projetamos crescimento menor em 2016 e em 2017.

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

No Brasil, projetamos crescimento menor em 2016 e em 2017

Governo envia Reforma da Previdência para o Congresso

Inflação em queda

Projetamos PIB menor em 2016 e em 2017

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, as reformas fiscais continuam avançando, mas houve aumento da incerteza política. A atividade econômica vem surpreendendo negativamente e, assim, reduzimos nossas projeções de crescimento do PIB para -3,3% em 2016 (antes, -3,2%) e 1,5% em 2017 (antes, 2,0%) (Gráfico 1). A inflação segue em queda e a taxa de câmbio continua próxima de seu nível de equilíbrio. Mantivemos as nossas projeções de taxa de câmbio em 3,40 reais por dólar, ao fim de 2016, e em 3,60 reais por dólar, ao fim de 2017. Além disso, esperamos que o Banco Central intensifique o ritmo de corte de juros em janeiro, para 0,50 p.p. Avaliamos que o cenário doméstico continuará favorável para flexibilização monetária e a evolução do ambiente externo não deve atrapalhar, de modo que o ritmo de corte de juros deve se intensificar ao longo de 2017, até a Selic atingir 10,00% (Tabela 1).

Governo envia Reforma da Previdência para o Congresso

O governo enviou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma da Previdência (PEC 287), dando sequência ao ajuste fiscal estrutural, iniciado com o teto para o crescimento dos gastos. A proposta deve ser apreciada ao longo do primeiro semestre de 2017. A PEC estabelece uma idade mínima de 65 anos para as aposentadorias, além de unificar as regras de acesso aos benefícios previdenciários para homens e mulheres, trabalhadores do setor público e do setor privado e com domicílio urbano e rural.

A mudança na Previdência é essencial para viabilizar o cumprimento do teto de gastos nos próximos anos. As despesas com Previdência correspondem a 40% do gasto primário total (8,0% do PIB) do governo federal em 2016 e aumentarão em termos reais nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população. A reforma adequaria o orçamento público à nova realidade demográfica do país, aliviando a necessidade de cortes significativos no restante do orçamento e tornando possível o cumprimento do teto de gastos por um período prolongado.

Publicamos um relatório que sintetiza as perguntas frequentes sobre a reforma da Previdência proposta (acesse aqui).

Inflação em queda

O IPCA subiu 0,18% em novembro, abaixo do piso das expectativas de mercado. Com o resultado, a inflação acumulada em doze meses recuou para 7,0%, vindo de 7,9% em outubro. A surpresa veio de desacelerações mais fortes em preços administrados e produtos industriais (Gráfico 2).

Esperamos que a inflação continue a desacelerar à frente, tendência que deverá continuar ao longo de 2017. Projetamos a inflação em 6,5% em 2016 e em 4,8% em 2017.

BC abre as portas para cortes de juros maiores

O Banco Central (BC) divulgou a ata de sua decisão de política monetária de novembro. No documento, o BC não se compromete a realizar um corte de 0,50 p.p. na reunião de janeiro, mas deixa claro que esse é o seu cenário base. Alguns elementos da comunicação sugerem que o BC tendia a optar por uma aceleração do ritmo de corte de juros e, caso não tivesse ocorrido a surpresa no resultado das eleições americanas. Avaliamos que o cenário doméstico continuará favorável para flexibilização monetária e a evolução do ambiente externo não deve atrapalhar. Entendemos que a comunicação do BC e a nossa expectativa para a evolução da economia nos próximos meses são consistentes com nossa projeção de intensificação do ritmo de cortes de juros na reunião de janeiro.

Indicadores sugerem melhora da produção industrial em novembro

Os indicadores coincidentes da produção industrial de novembro apresentaram resultados positivos no mês. A produção de veículos surpreendeu ao subir 21,3% no mês, de acordo com a ANFAVEA (Gráfico 3). As vendas de papel ondulado subiram 0,1% em novembro. O tráfego de veículos pesados também avançou 2,9%, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Na nossa visão, avaliamos que a recuperação da produção industrial deve continuar à frente, reflexo da volta da confiança dos empresários e do ajuste cíclico dos estoques.

Banco Central Europeu mantém postura acomodatícia

Em sua última reunião de política monetária, em dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros e decidiu estender o programa de compra de ativos por mais 9 meses, até dezembro de 2017, reduzindo o ritmo de compra mensal de títulos de 80 bilhões para 60 bilhões de euros. Nesse sentido, a autoridade monetária sinaliza que o programa de flexibilização monetária não pode durar para sempre, mas que o processo de retirada de estímulos será gradual. Apesar da redução parcial no ritmo de compras, o BCE sinalizou com a possibilidade de expandi-lo novamente caso as condições econômicas se deteriorem.

Preços ao produtor contribui para melhora no sentimento na China

O índice de preços ao produtor chinês avançou em novembro (Gráfico 4), acima das expectativas, representando um resultado positivo para a confiança dos investidores. O motivo, é que a melhora no indicador se reflete em um aumento dos lucros das empresas e do PIB em termos nominais, contribuindo para uma diminuição dos níveis de endividamento. Do lado externo, o resultado da balança comercial da China veio bem acima das expectativas em novembro, representando um considerável avanço em relação ao mês anterior. Em nossa visão, esperamos que a estabilidade da atividade econômica se estenda até 2017. Mantemos nossas projeções do PIB para a China em 6,6%, para 2016, e 6,3%, para 2017.

Destaques da próxima semana

No Brasil, a votação em segundo turno no Senado do teto de gastos e da Reforma da Previdência na CCJ deve ocorrer na terça-feira. O IBGE divulga as vendas de varejo referentes a novembro na terça-feira. Nos Estados Unidos, a decisão de política monetária ocorre na quarta-feira. Esperamos que o Fed, o banco central americano, suba os juros em 0,25 p.p. Na China, os dados de atividade referentes a novembro serão divulgados na terça-feira.

 

Laura Pitta

André Matcin

 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.



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