Itaú BBA - Retomada à vista, mas sustentabilidade depende das reformas

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Retomada à vista, mas sustentabilidade depende das reformas

Setembro 9, 2016

Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para 2,0% em 2017. Mas, retomada depende da aprovação das reformas fiscais.

Projetamos crescimento do PIB de 2% em 2017

Pressão de preços de alimentos começa a dissipar

Produção industrial deve recuar em agosto

Fed deve voltar a subir juros esse ano

Projetamos crescimento do PIB de 2% em 2017

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, os indicadores recentes sugerem uma retomada mais intensa do que tínhamos em nosso cenário. Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para -3,2% este ano (antes, -3,5%) e 2,0% em 2017 (antes, 1,0%) (Gráfico 1). Apesar da retomada da atividade, o mercado de trabalho deve continuar piorando até o primeiro semestre do ano que vem. Projetamos que a taxa de desemprego atinja 12,5% no fim de 2016, mas recue para 12,2% no fim de 2017, diante da recuperação mais rápida da atividade econômica. Com relação à inflação, esperamos que a inflação continue em tendência de queda à frente. Mantivemos a projeção de 7,2% em 2016 e 4,8% em 2017 (Tabela 1).

No entanto, esse cenário depende crucialmente da aprovação das reformas fiscais. Sem medidas de reequilíbrio fiscal, a estabilidade e a previsibilidade da economia serão afetadas, gerando volatilidade nos mercados financeiros e limitando o espaço para estímulo monetário. Nesse cenário, a retomada da economia fica comprometida.

Pressão de preços de alimentos começa a dissipar 

O IPCA de agosto teve alta de 0,44%, em linha com o esperado pelo mercado. A surpresa veio de produtos industriais, relacionado a automóveis. Os alimentos, por outro lado, tiveram uma alta menor do que esperada, indicando que a pressão dos últimos meses começou a dissipar. Com o resultado de agosto, a inflação acumulada em doze meses subiu para 9,0%, vindo de 8,7% em julho (Gráfico 2). Em nossa visão, a inflação deve voltar a recuar, reflexo do elevado nível de ociosidade da economia e da estabilidade da taxa de câmbio.

Ata do Copom: corte de juros condicionado ao cenário

O Copom decidiu alterar sua comunicação para tornar os próximos passos mais dependentes dos dados. Na ata de sua última reunião, a sinalização do comunicado foi reforçada. O comitê deixou de afirmar que “não há espaço para flexibilização da política monetária” e listou diversas condições das quais dependerá a flexibilização monetária. Em nossa visão, a sinalização é consistente com o nosso cenário de início de ciclo de cortes de juros em outubro, levando a taxa Selic para 13,5% em 2016. Para 2017, projetamos que o ciclo expansionista continuará até os juros atingirem 10%.

Indicadores coincidentes sugerem queda da produção industrial em agosto

Os indicadores coincidentes da produção industrial de agosto decepcionaram as expectativas. A produção de veículos, divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), recuou 14% em agosto. O tráfego de veículos pesados recuou 2,5%, segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Por fim, as vendas de papel ondulado também caíram 1,8%. Como um todo, os indicadores sugerem uma queda da produção industrial em agosto, por volta de 2,0% (Gráfico 3). Apesar da queda no mês, esperamos uma recuperação da produção no segundo semestre, devido a um ciclo de reposição de estoques.

Senado aprova MPs que reduz número de ministérios e que cria PPI

Nessa semana, o Senado aprovou duas medidas provisórias. A primeira foi a MP 726 que muda a administração federal, reduzindo o número de ministérios de 32 para 23. A segunda MP 727/16 cria o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). O programa é composto por todos os empreendimentos públicos de infraestrutura que serão executados pela iniciativa privada. As duas MPs seguem para a sanção presidencial.

Fed deve voltar a subir juros em 2016

Os membros do Fed, o banco central americano, reforçam em discursos que os juros devem voltar a subir esse ano. Em nossa visão, acreditamos que uma alta em dezembro seja o mais provável, mas o risco de acontecer em setembro parece subestimado pelo apreçamento dos ativos. Além disso, o Fed deve manter uma postura gradual e cautelosa, o que não deve afetar o ambiente externo favorável para os mercados emergentes.

Disputa entre Hillary Clinton e Donald Trump intensifica

As últimas pesquisas das eleições americanas mostram que a distância entre os dois candidatos principais, Hillary Clinton do partido democrata, e Donald Trump do partido republicano, voltou a diminuir. A média das últimas doze pesquisas indicam que a vantagem da candidata Clinton recuou, à frente do candidato Trump por somente 3 ponto percentual (Gráfico 4).

Banco central europeu mantém estímulos

O banco central europeu manteve as medidas de estímulos em setembro. Em entrevista após a decisão, o presidente Mário Draghi afirmou que os dados de atividade mostraram resiliência desde a última reunião, mas os riscos são de baixa. Diante disso, Draghi afirmou que os estímulos serão adotados, caso sejam necessários. Esperamos uma extensão do programa de compra de ativos em dezembro.

Destaques da próxima semana                                                                  

No Brasil, as vendas no varejo de julho serão divulgadas na terça-feira. Do lado internacional, destaque para os indicadores de atividade da China de agosto, que serão divulgados na segunda-feira.


 

Caio Megale

Laura Pitta


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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