Itaú BBA - Resultados de atividade ainda ambíguos, mas sinalizando possível aceleração

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Resultados de atividade ainda ambíguos, mas sinalizando possível aceleração

Setembro 27, 2019

Criação de emprego formal e taxa de desemprego surpreenderam em direções opostas.

 Criação de emprego formal e taxa de desemprego agosto surpreenderam em direções opostas.

 Confiança também mostrou resultados divergentes entre setores em setembro.

 Inflação permanece benigna.

 Comunicação do Copom reforça cenário de novo corte, para 5%.

 Ameaça de impeachment de Donald Trump cresce, mas segue improvável.

Criação de emprego formal e taxa de desemprego em direções opostas 

Os principais indicadores de emprego trouxeram resultados ambíguos em agosto, com tanto a criação de emprego formal (CAGED) quanto a taxa de desemprego, medida pela PNAD, surpreendendo as expectativas para cima. Do lado do CAGED, houve criação líquida de 121 mil empregos no mês, resultado acima da nossa projeção (+102 mil) e da mediana das expectativas de mercado (+100 mil). Dados livres de efeitos sazonais apontam para criação de 53 mil postos de trabalho, levando a média móvel de 3 meses para 41 mil empregos, ante 29 mil no mês anterior (gráfico 1). Tal resultado, se mantido nos próximos meses, seria consistente com uma aceleração do PIB para um ritmo de 1,4% anualizado. Já a taxa de desemprego alcançou 11,8% no mesmo período, acima da mediana das expectativas do mercado e da nossa projeção (11,6% e 11,7%, respectivamente). De acordo com nosso ajuste sazonal, o desemprego avançou de 11,9% para 12,0%. No geral, acreditamos que os indicadores corroboram a leitura de retomada apenas gradual da atividade. 

Confiança com sinais ambíguos

Ainda do lado de atividade, a FGV também divulgou os indicadores de confiança de setembro (gráfico 2). Como no último mês, os índices apresentaram resultados divergentes entre os setores. Houve recuo no comércio (-1,5 p.p.) e construção civil (2,5 p.p.), enquanto a confiança subiu no setor de serviços (+1,7 p.p.) e também pela ótica do consumidor (+0,5 p.p.). A indústria registou estabilidade no mês, porém a decomposição do índice foi favorável, dado que houve melhora significativa de sub-componentes que tipicamente antecipam movimentos do investimento – e nesse sentido, podem mostrar um primeiro sinal de aceleração de componente do PIB.

Inflação permanece em níveis comportados em setembro

O IPCA-15 de setembro registrou alta de 0,09%, próximo da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, em 0,07% e 0,08%, respectivamente. No ano, o índice acumula alta de 2,60% (2,51% até agosto). Já no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa se manteve em 3,22%. Com estes números moderados, a divulgação do dado de setembro corrobora nossa visão de que a inflação segue em trajetória benigna, com todas as medidas de núcleo rodando em patamares confortáveis. Para isto, contribuem tanto a fraqueza econômica quanto a própria inflação, seja ela na forma de inércia ou de expectativas ancoradas. Olhando à frente, mantemos nossa projeção de 3,4% de alta no IPCA deste ano e 3,5% no próximo.

Comunicação da ata do Copom e RI reforçam expectativa de corte

O comitê de política monetária do BC divulgou, nesta semana, a ata da reunião da semana passada e o relatório de inflação (RI) do terceiro trimestre. Em nossa visão, ambos documentos reforçam a indicação de que outro corte de 0,50 p.p. é o cenário mais provável para a reunião de outubro. Olhando mais à frente, entretanto, a menção do comitê aos riscos de adversidades para a taxa de câmbio limita, pelo menos por enquanto, o espaço para que o Copom venha a testar níveis de juros abaixo dos 5% – patamar que, segundo as projeções do relatório de inflação, pode ser mantido ao longo de todo o ano que vem. 

Votação da Previdência no Senado é adiada

Após uma semana conturbada na Casa, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu adiar a votação da reforma da previdência para a próxima terça-feira. Assim, de acordo com o parlamentar, a votação tanto na CCJ quanto em plenário devem ocorrer no mesmo dia. Apesar do ocorrido, acreditamos que o risco de diluições adicionais na proposta é baixo, ainda que, eventualmente, alguns atrasos adicionais possam ocorrer.

Ameaça de impeachment a Donald Trump cresce, mas é improvável

Nessa semana, foi protocolado no Congresso americano um pedido de impeachment ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ruídos relacionados à alegação de que Trump teria condicionado a ajuda militar na Ucrânia à exigência que o governo local investigue acusações de corrupção ligadas à família de Joe Biden, um possível concorrente nas eleições de 2020. Ainda assim, acreditamos que as chances de que Trump seja removido do seu cargo é remota, uma vez que, para isto, seria necessário aprovação de dois terços do Senado, que tem maioria republicana. De qualquer forma, o processo de impeachment pode ter repercussões sobre a candidatura do atual presidente à reeleição, no ano que vem.

Destaques da próxima semana

No fronte de dados domésticos, o destaque será a divulgação da produção industrial de agosto, na terça-feira. Esperamos um avanço de 0,3% no mês, que levaria a variação anual a recuar 3,2%. Também no mesmo dia, a reforma da previdência pode ser votada na CCJ e no plenário do Senado. Adicionalmente, dados de resultado primário do governo consolidado e balança comercial serão publicados na segunda e na terça-feira, respectivamente.

Do lado internacional, as divulgações de dados sobre a indústria na China e nos Estados Unidos, no domingo e na terça-feira, respectivamente, devem tomar o centro das atenções. Esperamos que os resultados do final de semana apresentem ligeira queda em relação ao mês anterior, dada a desaceleração global e a incerteza generalizada que deve continuar a pesar sobre o investimento. Além disso, também serão publicados os dados de mercado de trabalho nos EUA na sexta-feira, como folha de pagamentos (payroll) e taxa de desemprego.

 



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