Itaú BBA - Reformas incertas, cenário mais desafiador

Semana em Revista

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Reformas incertas, cenário mais desafiador

Junho 16, 2017

O cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas.

• Publicamos nossa revisão mensal de cenário

• Vendas no varejo sobem 1% em abril

• Fed eleva juros e sinaliza início de redução de balanço

• Partido de Macron tem maioria no primeiro turno das eleições legislativas

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, o cenário político mais conturbado deve postergar a tramitação das reformas, dificultando o reequilíbrio fiscal e consequentemente impactando a confiança dos agentes e os preços dos ativos. Assim, reduzimos a projeção de crescimento do PIB para 0,3% este ano e 2,7% em 2018. Esperamos agora uma taxa de câmbio mais depreciada, de R$3,50 em 2017 e R$3,60 em 2018. Do lado da inflação, reduzimos a projeção de IPCA de 3,9% para 3,7% este ano, mas elevamos a de 2018 de 3,8% para 4,1% em função da depreciação do real. Mantemos nossa expectativa para a taxa de juros no final de 2017 em 8,0% (Tabela 1). Acreditamos que o Copom reduzirá o ritmo de corte para 0,75 p.p. na reunião de julho.

Vendas no varejo sobem 1% em abril

As vendas no varejo subiram 1% em abril, resultado bem acima das expectativas (Gráfico 1). Avaliamos que a surpresa positiva no mês é explicada pelo resultado do setor de supermercados, que vem mostrando elevada volatilidade ao longo do ano, enquanto a maior parte dos demais componentes mostrou um quadro de queda nas vendas. Olhando à frente, projetamos que as vendas no varejo voltem a mostrar alguma recuperação nos próximos meses, influenciadas pelo efeito da desinflação na renda real dos consumidores e pelo saque das contas inativas do FGTS.

Com as vendas no varejo, completamos nosso cálculo do PIB mensal Itaú Unibanco (PIBIU) de abril. O indicador apresentou estabilidade no mês, após ajuste sazonal. Na comparação anual, houve queda de 1,4%.

Indicador de atividade do BC apresenta alta no mês

O índice de atividade do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,28% em abril, após ajuste sazonal. A melhora no mês foi influenciada pelas altas tanto do varejo quanto da produção industrial e por um aumento de 1% do volume de serviços. Na comparação trimestral, com ajuste sazonal, houve alta de 1,4% no indicador (Gráfico 2).

Fed eleva juros e sinaliza início de redução de balanço

O Fed, banco central dos EUA, aumentou as taxas de juros para o intervalo de 1,00% a 1,25%, em linha com as expectativas e a sinalização de que o ritmo de alta dos juros será mais rápido do que nos dois anos anteriores. A comunicação que acompanhou a decisão indicou que a inflação mais baixa registrada em maio tem sido resultado de fatores transitórios – apesar desse ser o terceiro mês consecutivo em que o núcleo de inflação apresentou resultados aquém das expectativas –, e que o comitê está monitorando de perto sua evolução. Na nossa visão, esperamos que a autoridade monetária suba mais uma vez a taxa de juros em dezembro desse ano.

Além disso, os membros do comitê definiram o cronograma do processo de normalização do seu balanço, sugerindo que seu início esteja “relativamente próximo”. Ainda que o principal instrumento para condução de política monetária seja a definição do intervalo da taxa de juros, o Fed também sinalizou que poderá retomar a política atual de reinvestimento integral dos resgates de títulos caso ocorra uma deterioração relevante do cenário econômico que justifique uma redução forte da taxa de juros.

Partido de Macron tem maioria no primeiro turno das eleições legislativas

O presidente francês, Emmanuel Macron, teve uma ampla vitória durante o primeiro turno das eleições legislativas, processo importante na determinação de suas condições de governabilidade. O segundo turno das eleições está agendado para domingo (18). Na nossa visão, se confirmada a maioria absoluta do En marche!  – partido de Macron – na Assembleia Nacional, o presidente terá o suporte necessário para avançar com sua agenda de reformas, como a trabalhista, e fortalecer a relação Franco-Germânica na busca por uma agenda pró-UE.

Banco central do Japão mantém estímulos

O banco central do Japão (BoJ) manteve os estímulos monetários, como a taxa de juros negativa para depósitos em -0,10%, o programa de compra de ativos, e o “mecanismo de controle da curva de juros”, que coloca uma meta para a taxa de juros de 10 anos, que deverá flutuar ao redor de zero. As medidas visam manter a política monetária fortemente expansionista, reforçando o combate à deflação que aflige o país há décadas.

Destaques da próxima semana             

No Brasil, destaque para a divulgação, pelo Banco Central, do relatório trimestral de inflação (2T) na quinta-feira. Na sexta-feira, o IBGE divulga a inflação do IPCA-15 de junho. Ainda sem data definida, os dados de criação de emprego formal e arrecadação federal (ambos para maio) devem ser divulgados.

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para as sondagens de atividade econômica (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro de junho, que deverão ser divulgadas na sexta-feira.

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.

 

 



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