Itaú BBA - Queda disseminada da produção industrial

Semana em Revista

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Queda disseminada da produção industrial

Maio 3, 2019

A fraqueza na indústria foi disseminada entre os componentes

 Produção industrial teve queda de 1,3% em março

 Desemprego recua em março

 Governo apresenta pacote para reduzir burocracia

 Mercado de trabalho dos EUA robusto em abril

Produção industrial teve queda de 1,3% em março

A produção industrial recuou 1,3% em março na comparação mensal dessazonalizada. O resultado veio abaixo da mediana das expectativas e da nossa projeção (queda de 0,6% e 0,7%, respectivamente), o que reforça a tendência de fraqueza na indústria  (Gráfico 1). Vale notar que a fraqueza no mês foi disseminada entre os componentes. Pela ótica da atividade econômica, tanto a indústria extrativa quanto a de transformação retraíram em março. Uma desagregação maior (em 26 atividades) mostra avanço em apenas 9 atividades. Entendemos que existem diversos fatores, não necessariamente excludentes, que explicam a fraqueza da indústria e da economia em geral. Avaliamos que (i), nos últimos anos, o juro real neutro recuou como consequência da adoção de uma política fiscal mais austera e pela contenção dos subsídios creditícios. Além disso, (ii) a incerteza em relação ao processo das reformas fiscais, em particular a da previdência, pode estar inibindo investimentos. Por fim, (iii) a desaceleração do ritmo de crescimento global (em particular de países com participação relevante nas exportações de manufatura do Brasil) pode estar impactando a produção. 

Desemprego recua em março

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego alcançou 12,7% em março, ante 13,1% no mesmo período do ano passado. O resultado veio abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas de mercado (12,8% e 12,9%, respectivamente). De acordo com nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,2 p.p. para 12,0% em março, ante o trimestre concluído em fevereiro (Gráfico 2). Apesar da queda no trimestre, o desemprego segue em níveis historicamente elevados. Além disso, outros indicadores do mercado de trabalho, como a criação líquida de empregos formais (CAGED – Ministério da Economia), apontam para uma desaceleração da atividade econômica à frente. Finalmente, a massa salarial real subiu 3,3% na comparação anual e 0,5% na variação trimestral. Vale notar que a massa salarial possui boa correlação com as vendas no varejo restrito, que exclui veículos e materiais de construção. 

Déficit primário de R$ 18,6 bilhões em março

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 18,6 bilhões em março, melhor que a nossa projeção (-29,0 bilhões) e que o consenso de mercado (-21,7 bilhões). Governos regionais e estatais registraram superávits de R$ 1,5 bilhões e R$ 0,2 bilhão, respectivamente. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,5% para 1,4% do PIB entre fevereiro e março (Gráfico 3). Acreditamos que o cumprimento da meta de resultado primário do ano de déficit de R$ 132 bilhões para o setor público exige disciplina, mas não deve constituir grande desafio. A dívida bruta do governo geral cresceu de 77,4% para 78,4% do PIB entre fevereiro e março, enquanto a dívida líquida do setor público recuou na margem, de 54,4% para 54,2% do PIB no mesmo período. Cabe notar que um cenário fiscal favorável é estritamente dependente da aprovação de reformas, como a da Previdência, que sinalizem o retorno gradual a superávits primários compatíveis com a estabilização da dívida pública.

Governo apresenta pacote para reduzir burocracia

O presidente assinou a medida provisória (MP 881), conhecida como MP da liberdade econômica, com objetivo de reduzir a burocracia e facilitar a abertura de negócios, estimulando o empreendedorismo. As regras passam a ter valor imediato, mas necessitam de aprovação do Congresso em até 120 dias, contados a partir da última terça-feira (30). Caso contrário, as medidas perdem seu efeito.

As mudanças podem ser resumidas em 10 principais pontos: (i) fim de atos de liberação para atividades de baixo risco; (ii) liberdade de horário e dia para produzir e comercializar; (iii) preços de produtos e serviços livremente definidos pelo mercado (refletindo oferta e demanda); (iv) decisões administrativas igualitárias, com efeito vinculante (o que for definido para um cidadão, deverá valer para todos); (v) presunção de que as pessoas agem sem objetivo de fraudar a lei, até que se prove o contrário; (vi) obrigação do Estado de permanecer atualizado com as melhores práticas internacionais e avanços da tecnologia; (vii) desburocratização do processo de inovação e novos modelos de negócios; (viii) respeito aos contratos empresariais privados; (ix) necessidade de fixar prazos e manter eficiência, com aprovação tácita de todas as solicitações, caso os prazos não sejam cumpridos; (x) Brasil Digital, dando valor legal para documentos digitais (o particular poderá, após a regulamentação, digitalizar documentos e descartar os originais).

Mercado de trabalho dos EUA robusto em abril...

No último mês, foram criados 263 mil empregos formais nos EUA, resultado acima da mediana de expectativas do mercado, ante 189 mil em março (Gráfico 4). Para o mesmo período, a taxa de desemprego recuou para 3,6%, ante 3,8% no mês anterior, reflexo do recuo da taxa de participação para 62,8% (ante 63% em março). Além disso, a variação anual do salário por hora trabalhada se manteve em 3,2%. Em nossa visão, o mercado de trabalho segue robusto em meio a pressões salariais ainda modestas, oferecendo condições para que o Fed continue paciente na condução da política monetária e avalie a evolução dos dados econômicos.

...Fed segue sem pressa para mudança nas taxas de juros 

Em sua última decisão de política monetária, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo de 2,25% a 2,50%, em linha com as expectativas. A autoridade segue reconhecendo o ritmo robusto apresentado pelo mercado de trabalho. Na avaliação da atividade, passou a qualificar seu crescimento como sólido, apesar de notar o menor desempenho dos componentes de consumo das famílias e investimento fixo na divulgação do PIB do primeiro trimestre. No tocante à inflação, avaliou que a medida de núcleo (que excluí itens mais voláteis, como energia e alimentos) recuou desde a última reunião e está abaixo da meta de 2%. Em linhas gerais, tendo em vista a evolução econômica e financeira global, em um contexto de pressões inflacionárias moderadas, o comitê segue indicando paciência na condução da política monetária.

Destaques da próxima semana

No Brasil, as atenções estarão voltadas para a reunião do Copom na quarta-feira, na qual esperamos a manutenção da taxa em Selic em 6,50%. O IBGE divulga os dados de vendas no varejo de março na quinta-feira e a inflação do IPCA de abril na sexta-feira. A Anfavea deve divulgar os dados de produção de veículos de abril na terça-feira. No tocante à agenda de reformas,  há expectativa que os trabalhos da Comissão Especial da Câmara voltada à reforma da Previdência avancem efetivamente a partir de terça-feira.

Do lado internacional, as negociações comerciais entre os EUA e a China seguem avançando, com reuniões agendadas entre representantes dos dois países na quarta e quinta-feira. Na terça-feira, serão divulgados os dados das importações e exportações chinesas do mês de abril. Além disso, os índices de inflação ao consumidor da economia chinesa será divulgado na quarta-feira, e o da economia americana na sexta-feira (ambos para abril).



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