Itaú BBA - Projetamos IPCA dentro do intervalo da meta em 2016

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Projetamos IPCA dentro do intervalo da meta em 2016

Dezembro 23, 2016

Reduzimos nossa projeção para o IPCA para 6,3% em 2016, dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação que é definida pelo CMN.

 Reduzimos nossa projeção de IPCA para 6,3% em 2016

 BC prepara terreno para um ciclo longo de cortes de juros

 Confiança e utilização da capacidade instalada da indústria voltam a cair

 PIB nos EUA cresce 3,5% no terceiro trimestre

IPCA-15 abaixo do esperado; projetamos IPCA em 6,3% em 2016

A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,19% em dezembro, bem abaixo das expectativas. Em 2016, o índice fechou o ano com alta de 6,58%, bem abaixo dos 10,71% no fim de 2015. A surpresa no mês foi explicada por quedas disseminadas nos itens de serviços (Gráfico 1).

Diante disso, reduzimos nossa projeção para o IPCA para 6,3% em 2016, dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação que é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esperamos que a inflação continue a desacelerar à frente, tendência que deverá continuar ao longo de 2017.

BC prepara o terreno para um ciclo longo de cortes de juros

O Relatório de Inflação do quarto trimestre (RI) do BC apresenta projeções que preparam o terreno para um longo ciclo de flexibilização monetária. O relatório apresentou as projeções de inflação na meta para 2017 e abaixo da meta para 2018 em boa parte dos cenários considerados. Vale destacar que o RI não incorporou os dados de inflação do IPCA-15 de dezembro, que apresentaram resultados abaixo do esperado, e contribuem para uma melhora adicional nas projeções de inflação.

Na nossa visão, acreditamos que o ritmo de corte de juros deve acelerar em janeiro. A queda da inflação e a atividade fraca abrem espaço para cortes mais intensos de juros ao ritmo de 0,50 p.p. por reunião, com uma redução final de 0,25 p.p., até a taxa Selic atingir 10,00% em 2017.

Confiança e utilização da capacidade instalada na indústria voltam a cair

O índice de confiança do empresário industrial recuou 3,3% em dezembro, segundo a prévia da sondagem empresarial da FGV. O resultado foi influenciado tanto pelo componente de situação atual quanto pelas expectativas para o futuro. Apesar do resultado recente, o nível atual encontra-se em um patamar significativamente superior do que no primeiro semestre de 2016 (Gráfico 2). A prévia do nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) aponta para queda de 1,2 p.p. A divulgação final ocorre na próxima segunda-feira.

CMN mantém TJLP em 7,5%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve em 7,5% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), resultado em linha com o esperado. A TJLP é a taxa que baliza os juros cobrados pelo BNDES para a concessão de crédito. A decisão irá vigorar no primeiro trimestre de 2017. Projetamos que a TJLP fique estável à frente.

Déficit em conta correte segue estável em novembro

O déficit em conta corrente no mês de novembro somou US$ 0,9 bilhão. Acumulado em 12 meses, o déficit recuou mais uma vez (para US$ 20,3 bi ou 1,1% do PIB) (Gráfico 3). De forma geral, o déficit em conta corrente estabilizou em um nível mais elevado do que no primeiro semestre do ano, o que é consistente com a nossa expectativa de um pequeno déficit em 2016 (US$ 21 bi ou 1,2% do PIB). O câmbio mais apreciado nos últimos meses ajuda a explicar os resultados. Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits baixos, ainda que levemente crescentes, sem comprometer a sustentabilidade externa. Do lado do financiamento, o investimento direto no país permanece elevado, mas os fluxos de investimento em carteira (renda fixa e ações) mostram saídas nos últimos doze meses.

PIB nos EUA cresce 3,5% no terceiro trimestre

O crescimento do PIB dos Estados Unidos foi de 3,5% no terceiro trimestre, acima das expectativas (Gráfico 4). As surpresas positivas vieram do lado da demanda, demonstrando crescimento sólido no consumo (3,0%) e recomposição de estoques. A atividade mais forte representa uma melhora se comparado ao crescimento do PIB no primeiro semestre desse ano. Na nossa visão, esperamos que o PIB acelere para 2,2% e 2,4% em 2017 e 2018, respectivamente, ante 1,6% em 2016.

Banco central do Japão mantém estímulos

O banco central do Japão (BoJ) manteve os estímulos monetários, como a taxa de juros negativa para depósitos em -0,10%, o programa de compra de ativos, e o “mecanismo de controle da curva de juros”, que coloca uma meta para a taxa de juros de 10 anos, que deverá flutuar ao redor de zero. As medidas visam manter a política monetária fortemente expansionista, reforçando o combate à deflação que aflige o país há décadas. A autoridade monetária também reforçou que os estímulos serão mantidos até que se atinja uma inflação de 2% ao ano “de uma maneira estável”.

Destaques da próxima semana

No Brasil, destaque para os dados de mercados de trabalho referentes a novembro. A taxa de desemprego será divulgada na quinta-feira e a criação de emprego formal também deve ser divulgada, mas não há data definida. O resultado fiscal de novembro será divulgado na terça-feira. 


 

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 


 



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