Itaú BBA - Produção industrial sobe 1,1% em 2018

Semana em Revista

< Voltar

Produção industrial sobe 1,1% em 2018

Fevereiro 1, 2019

No mês de dezembro, a produção industrial avançou 0,2% na comparação mensal dessazonalizada.

• Produção industrial segue em ritmo fraco

• Confiança da indústria avança em janeiro, mas segue em níveis baixos

• Déficit primário melhor que a meta estabelecida para 2018

• EUA: Fed monitora riscos com paciência

Produção industrial segue em ritmo fraco

A produção industrial avançou 0,2% na comparação mensal dessazonalizada em dezembro, resultado acima da mediana das expectativas (-0,1%) (Gráfico 1). A abertura dos dados sugere um quadro pior do que o resultado agregado na margem. Apenas 10 setores dos 24 divulgados subiram no mês. Os indicadores de bens de capital, de insumos da construção civil e de bens de consumo duráveis recuaram em dezembro. Em relação ao mesmo mês de 2017, a produção avançou recuou 3,6%, o segundo mês consecutivo com variação negativa. Com o resultado de dezembro, a produção industrial fecha 2018 com crescimento de 1,1%, abaixo do observado em 2017 (2,5%). A projeção preliminar para a produção industrial em janeiro aponta para alta de 0,3% na margem. A melhora das condições financeiras desde outubro, o crescimento da população ocupada e a recuperação das concessões devem acelerar o crescimento da produção industrial à frente.

Confiança da indústria avança em janeiro, mas segue em níveis baixos

Os indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados ambíguos no mês de janeiro (Gráfico 2). A confiança da indústria finalmente apresentou um resultado mais expressivo, com crescimento de 2,7% no mês. Contudo, ainda não conseguiu se recuperar da queda gerada pelo aperto de condições financeiras no terceiro trimestre do ano passado. A confiança do comércio apresentou leve queda, oscilando 0,2%, influenciada principalmente pelo componente de condições correntes, que recuou 2,6% no mês. A confiança da construção permaneceu estável, com o ligeiro aumento nas condições correntes compensando a queda no componente de expectativas. Os destaques positivos foram as confianças do consumidor e de serviços, que avançaram 3,9% e 3,7% no mês, respectivamente.

Taxa de desemprego sobe no 4T18

Segundo dados da PNAD Contínua, a taxa de desemprego foi de 11,6% em dezembro, o mesmo resultado observado no mês anterior. O resultado veio acima da mediana das expectativas e da nossa projeção (11,4%). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o desemprego recuou apenas 0,2 p.p. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego subiu 0,23 p.p. para 12,2% no 4T18 (Gráfico 3). Junto com a queda das medidas de uso de capacidade instalada, o resultado sinaliza que o hiato do PIB voltou a abrir no trimestre. A fraqueza na expansão da população ocupada é observável tanto no entre emprego formal quanto na ocupação informal. Entretanto, os dados do Caged sugerem melhora do emprego formal desde o começo do 3T18. Assim, acreditamos que esta melhora deve aparecer na amostra da PNAD contínua mensal em breve. 

Déficit primário melhor que a meta estabelecida para 2018

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 108 bilhões em 2018 (-1,6% do PIB), melhor que a meta estabelecida para o ano de déficit de R$ 161 bilhões (-2,4% do PIB) e próximo ao resultado de 2017 de R$ 111 bilhões (-1,7% do PIB). O governo central registrou déficit de R$ 120 bilhões (-1,8% do PIB), frente a uma meta de R$ 159 bilhões (-2,3% do PIB), enquanto os governos regionais e as estatais registraram superávits de R$ 3,5 bilhões e R$ 4,4 bilhões, frente metas de superávit de R$ 1,2 bilhão e déficit de R$ 3,5 bilhões, respectivamente. Em dezembro, o setor público teve déficit primário de R$ 41,1 bilhões e o governo central de R$ 31,8 bilhões. A dívida bruta do governo geral aumentou de 74,1% do PIB em 2017 para 76,7% do PIB em 2018, enquanto a dívida líquida do setor público alcançou 53,8%, frente 51,6% do PIB no ano anterior. O déficit nominal recuou de 7,8% do PIB em 2017 para 7,1%, refletindo menores despesas de juros. Um cenário fiscal favorável é estritamente dependente da aprovação de reformas, como a da Previdência, que sinalizem o retorno gradual a superávits primários compatíveis com a estabilização estrutural da dívida pública.

Déficit em conta corrente alcança 0,8% do PIB em 2018

O déficit em conta corrente fechou 2018 em US$ 14,5 bilhões ou 0,8% do PIB (contra US$ 7,2 bi ou 0,4% do PIB em 2017). A principal contribuição para aumento do déficit foi a diminuição do saldo comercial, refletindo crescimento das importações maior do que a alta das exportações. O déficit de rendas recuou em relação a 2017 enquanto o déficit se serviços permaneceu praticamente estável. Do lado do financiamento, o investimento direto no país segue em patamar elevado. Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits crescentes, permanecendo em patamar confortável, isto é, sem comprometer a sustentabilidade externa.

EUA: Fed monitora riscos com paciência... 

Em sua última decisão de política monetária, o Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo de 2,25% a 2,50%, em linha com as expectativas. No comunicado que acompanhou a decisão, à luz dos desenvolvimentos recentes da economia global e ativos financeiros, e ausência de excesso de pressões inflacionárias, foi substituído a indicação de “algumas altas graduais adicionais” na taxa de juros para “paciência” antes de se determinar quais serão os próximos passos de política monetária. O Fed também atualizou suas orientações sobre como está conduzindo o processo de redução do seu balanço, sinalizando flexibilidade do ritmo de ajuste em caso de deterioração do cenário econômico. Em linhas gerais, esta decisão de política monetária segue consistente com nossa projeção de uma alta adicional (de 0,25 p.p.) na taxa de juros em 2019, provavelmente na segunda metade do ano.

... em meio a mercado de trabalho robusto com pressão de salários ainda moderada

Foram criados 304 mil empregos formais em janeiro nos EUA, ante 222 mil no mês anterior (Gráfico 4). Para o mesmo período, a taxa de desemprego alcançou 4,0% (ante 3,86%), temporariamente influenciada pelos efeitos da paralisação parcial do governo americano. Além disso, a variação anual do salário por hora trabalhada atingiu 3,2% no mês (ante 3,3% em dezembro), resultado em linha com as expectativas de mercado. Em nossa visão, o desempenho robusto do mercado de trabalho em janeiro em meio à pressões inflacionárias ainda modestas do lado dos salários, dão condições para que o Fed continue a ser paciente a fim de avaliar os riscos globais, assim como os efeitos defasados do aperto recente de condições financeiras sobre a economia americana.

Negociações comerciais entre EUA e China avançam

Após reunião realizada entre o representante de comércio americano, Robert Lighthizer, e o Vice premier chinês, Liu He, os mercados internacionais alimentaram otimismo em relação à possível assinatura de acordo comercial entre os países. Segundo Lighthizer, a última semana foi marcada por “progressos substanciais” em questões como proteção da propriedade intelectual, transferência forçada de tecnologia, agricultura e fiscalização, mas reconhece que há muito trabalho a ser feito para chegar a um acordo com a China. O próximo passo é uma reunião entre Lighthizer e Liu Hee que poderá ocorrer em duas semanas, na China. Em seguida, o presidente americano, Donald Trump, deve se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, para tentar selar um acordo comercial abrangante. Avaliamos que há maior chance de um acordo comercial antes de 1º de março, para evitar novas altas nas tarifas em 2019. No entanto, a reversão das tarifas aplicadas em 2018 segue improvável.

Destaques da próxima semana

No Brasil, hoje à noite, devem ocorrer as eleições para presidência da Câmara e do Senado. Na semana que vem, o Copom volta a se reunir na quarta-feira (acesse aqui nosso Cockpit do Copom). Na sexta-feira, o IBGE divulga a inflação do IPCA de janeiro. No setor de veículos, os dados de vendas da Fenabrave devem ser divulgados na terça-feira, e a produção de automóveis da Anfavea no dia seguinte (ambos para janeiro).

Do lado internacional, sem grandes destaques.



< Voltar