Itaú BBA - Produção industrial cresce 2,5% em 2017

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Produção industrial cresce 2,5% em 2017

Fevereiro 2, 2018

Indústria fecha 2017 com o maior ritmo de crescimento anual da produção desde 2010.

Produção industrial mantém tendência de alta em dezembro

Taxa de desemprego recua em dezembro

Copom deve reduzir o ritmo de corte de juros para 0,25 p.p.

EUA: Dados de emprego consistentes com alta de juros em março

Produção industrial mantém tendência de alta em dezembro

A produção industrial subiu 2,8% em dezembro ante novembro, acima da mediana das expectativas de mercado. Em 2017 houve alta de 2,5%, o maior ritmo de crescimento desde 2010 (Gráfico 1). Apesar da surpresa para cima, o resultado no mês deve ser lido com cautela. A recessão recente mudou a composição da indústria, reduzindo a importância de setores cíclicos (que sazonalmente tendem a contrair mais em dezembro). Desta forma, o filtro estatístico que corrige a série por fatores sazonais provavelmente ajustou o nível de produção (para cima) mais do que seria consistente com a nova composição da indústria. Os indicadores ligados à formação bruta de capital fixo seguem consistentes com crescimento desse componente da demanda. Apesar de a produção de bens de capital ter ficado estável na margem (após sete altas consecutivas) a produção de insumos da construção civil subiu 5,0% e acumula alta de 7,2% na comparação anual. 

Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, prévias do setor de automóveis, entre outros) sinalizam recuo de 2,1% da produção industrial em janeiro. Cabe notar que a tendência de alta (avaliada pela média móvel de três meses) continuaria mesmo se essa queda for confirmada.

Taxa de desemprego recua em dezembro

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego nacional recuou para 11,8% no trimestre concluído em dezembro, ante 12,0% no trimestre concluído em novembro. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 12,4% (Gráfico 2). A queda do desemprego na margem foi influenciada por ligeira queda na taxa de participação. A contribuição da população ocupada informal segue relevante mas vem perdendo força, enquanto o aumento da população ocupada no setor privado com carteira assinada está melhorando gradualmente. Esse processo deve ganhar força à frente, conforme a recuperação fica mais disseminada e consolidada. A massa salarial real cresceu 3,5% na comparação anual e 1,2% ante o trimestre concluído em setembro. 

Copom deve reduzir o ritmo de corte de juros para 0,25 p.p.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volta a se reunir na semana que vem. Os dados recentes continuam a mostrar um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas, em um contexto de recuperação gradual da atividade econômica, que vem se tornando cada vez mais disseminada. Esperamos que o Copom anuncie um corte de 0,25 p.p. após sua reunião em 6 e 7 de fevereiro. Esta redução de magnitude do corte não seria surpreendente dada a comunicação recente do comitê, segundo a qual, se o cenário básico evoluísse conforme esperado, seria adequado reduzir moderadamente o ritmo de flexibilização monetária em relação aos 0,50 p.p. feitos na última reunião. Como, em nossa visão, não houve alteração material no cenário básico ou no balanço de riscos desde a última reunião, segue naturalmente que o corte de 0,25 p.p. é o mais provável. 

Olhando à frente, a decisão de março ainda deve permanecer em aberto. Mas acreditamos que, mesmo que as expectativas de aprovação da reforma da previdência neste início de ano sejam frustradas, as autoridades podem considerar apropriado um pouco mais de estímulo, dada a magnitude da ociosidade estimada, o balanço de riscos em torno do cenário base (que pode ser influenciado pela recente apreciação do Real) e o ritmo lento de convergência da inflação para a meta. Assim, mantemos nossa visão de que o fim do ciclo só virá em março, com um corte final de 0.25 p.p., levando a taxa Selic para 6,5%.

Déficit Primário de R$ 111 bilhões (1,7% do PIB) em 2017

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 111 bilhões em 2017 (-1,7% do PIB), melhor do que a meta fixada para o ano de R$ 163 bilhões (-2,5% do PIB) (Gráfico 3). O governo central, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional, teve déficit de R$ 124 bilhões, frente a uma meta de R$ 159 bilhões (-2,4% do PIB). A diferença de R$ 35 bilhões é explicada por R$ 30 bilhões de despesas menores, (sobretudo discricionárias) e R$ 5 bilhões de receitas maiores. O melhor resultado primário em 2017 não altera o quadro fiscal desafiador. A surpresa não implica uma melhora permanente nos resultados fiscais, dado que o resultado foi influenciado por um elevado montante de receitas extraordinárias (cerca de R$ 70 bilhões ou 1,1% do PIB), que não deve se repetir a frente. 

Segundo o Datafolha, Lula ainda lidera em todos os cenários

De acordo com a pesquisa, em um cenário em que Lula concorre à presidência, ele obteria 34% dos votos no primeiro turno, seguido por Jair Bolsonaro (16%) e Marina Silva (8%). Luciano Huck e Geraldo Alckmin obtiveram 6% de votos cada. Em um cenário alternativo, Bolsonaro lidera com 18%, seguido por Marina (10%) e Ciro Gomes (10%). Luciano Huck e Geraldo Alckim também acumularam 8% dos votos cada um. Em um eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro (49%vs 32%), bem como Marina Silva também venceria (42% vs 32%). Em uma outra simulação de segundo turno, Lula também derrotaria Geraldo Alckmin (49% vs 30%) e Marina Silva (47% vs 32%). No cenário em que Lula não chega ao segundo turno, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes estariam tecnicamente empatados (34% vs 32%). Nesse último cenário, quase um terço dos eleitores disseram que votariam branco ou nulo.

EUA: Crescimento maior nos salários...

A criação de empregos formais da economia americana foi de 200 mil no mês de janeiro (Gráfico 4), enquanto que a taxa de desemprego se manteve no baixo patamar de 4,1%. A surpresa veio do lado dos salários por hora trabalhada, que apresentou variação de 2,9% nos últimos 12 meses, resultado acima das acima das expectativas de mercado. Na nossa visão, os números robustos de criação de emprego formal, os níveis baixos na taxa de desemprego e a maior pressão dos salários na margem não devem alterar as indicações de política monetária do Fed, Banco Central Americano, que apontam para uma alta gradual nas taxas de juros.

... consistente com sinalização de alta na taxa de juros em março

Em sua última decisão de política monetária, o Fed manteve as taxas de juros no intervalo de 1,25% a 1,50%, em linha com as expectativas. Do lado da atividade econômica, o comunicado que acompanhou a decisão sinalizou maior otimismo com o ritmo sólido de crescimento econômico. Além disso, indicou que, novos ajustes graduais na política monetária permitirão que a economia americana cresça em um ritmo moderado à frente. Do lado da inflação, o documento ressaltou o aumento nas medidas de inflação implícita do mercado nos últimos meses, apesar da inflação continuar abaixo dos 2%. Também sugeriu maior confiança, por parte dos seus membros, no aumento dos índices de preços ao consumidor em 2018, à medida que os núcleos recentes de inflação e preços de petróleo já apontam nesta direção. Na nossa visão, a comunicação recente do Fed é consistente com novo aumento na taxa de juros, de 0,25 p.p., na próxima reunião de março.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, destaque para a decisão de política monetária do Copom na quarta-feira. O IBGE divulga a inflação do IPCA de janeiro na quinta-feira e os dados de vendas no varejo referentes ao mês de dezembro na sexta-feira.

Do lado internacional, destaque para comunicações de membros do Fed ao longo da semana, assim como a decisão de política monetária do Reino Unido na quinta-feira. 


 



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