Itaú BBA - PIB do 3T17 mostra forte avanço da demanda doméstica

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PIB do 3T17 mostra forte avanço da demanda doméstica

Dezembro 1, 2017

PIB cresceu 0,1% ante o trimestre anterior

Demanda forte e revisões na série melhoram perspectiva do PIB em 2017 
 

Desemprego cai para 12,2% em outubro

Copom: Desaceleração para corte de 0,50 p.p.

EUA: Reforma tributária avança

Demanda forte e revisões na série melhoram perspectiva do PIB em 2017

Segundo o IBGE, o PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,1% no terceiro trimestre do ano ante o trimestre anterior, e alta de 1,4% na comparação anual (Gráfico 1). Os resultados mostram um forte avanço da demanda doméstica, reforçando o sinal dos indicadores mensais de que a recuperação está cada vez mais disseminada, ainda que ocorra em ritmo gradual. O consumo das famílias subiu 1,2%, se mantendo firme mesmo após o fim do saque das contas inativas do FGTS. A formação bruta de capital fixo subiu 1,6%, interrompendo a sequencia de 15 trimestres em queda. Pela ótica da oferta, o PIB agropecuário recuou 3,0% no trimestre, ainda devolvendo parcialmente a alta do 1T17, ao passo que indústria e serviços avançaram 0,8% e 0,6%, respectivamente. Outro destaque para os números do PIB, foi a revisão para cima de sua trajetória trimestral desde 2015. Com isso, o crescimento real do PIB de 2015 foi revisado de -3,8% para -3,5%, e o de 2016 de -3,6% para -3,5%.

Na nossa visão, o resultado impõe um viés de alta para nosso cenário de crescimento do PIB 2017 (atualmente em 0,8%). Olhando à frente, os fundamentos econômicos melhores, em especial no que tange à taxa de juros, devem manter a recuperação. No entanto, para que esta recuperação seja robusta, é preciso que a agenda de reformas continue avançando.

Desemprego cai para 12,2% em outubro

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego recuou para 12,2% em outubro, ante 12,4% no trimestre concluído em setembro. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego ficou estável em 12,5% (Gráfico 2). Vale notar que o emprego informal continua sendo fator determinante para a queda do desemprego na comparação trimestral. Entretanto, o avanço dessa categoria começou a perder força no último mês. Ao fim de 2018, projetamos que a taxa de desemprego estará em 11,8%, com contribuição cada vez maior do emprego formal. Por fim, a massa salarial real avançou 4,2% na comparação anual, beneficiada pelo aumento da população ocupada e pela alta dos salários reais. 

Superávit primário acima do previsto para outubro

O setor público consolidado registrou um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em outubro, acima das expectativas. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado acumulado em 12 meses aumentou de 2,4% do PIB para 2,9% do PIB (Gráfico 3). Com surpresas positivas nas receitas, tanto recorrentes quanto extraordinárias, gastos obrigatórios abaixo do orçado e melhores resultados dos governos regionais e estatais, o resultado primário do ano deve ser ligeiramente melhor que a meta fixada de R$ 162 bilhões (-2,4% do PIB) para o setor público consolidado. Apesar do resultado superavitário no mês, os resultados fiscais continuam em uma tendência estrutural de deterioração, reforçando a extrema importância de reformas (principalmente a da Previdência) que corrijam o desequilíbrio fiscal do país.

Copom: Desaceleração para corte de 0,50 p.p.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volta a se reunir semana que vem. Os dados recentes continuam a mostrar um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas, em um contexto de recuperação gradual da atividade econômica. Em linha com a comunicação recente da autoridade monetária, esperamos que o Copom corte a taxa juros básica em 0,50 p.p., o que representaria uma redução moderada de ritmo em relação aos 0,75 p.p. feitos na última reunião. Esta decisão seria consistente com a sinalização do comitê, dada a evolução do cenário básico como esperado e o estágio do ciclo de flexibilização. No comunicado, acreditamos que, seguindo a prática recente, o comitê deve sinalizar a possibilidade de uma flexibilização monetária adicional no início de 2018, caso o cenário básico evolua conforme esperado e balanço de riscos nao se altere, mas não deve se comprometer com nenhum curso de ação pré-definido.

EUA: Reforma tributária avança 

Mercados seguem atentos à evolução da reforma tributária nos EUA. Após ser aprovada na Câmara, a proposta avançou nos últimos dias no Senado americano, e está prestes a ser votada em plenário, onde são necessários 50 votos para sua aprovação. Caso esse cenário se concretize, o próximo passo seria a formação de uma comissão conjunta entre e o Congresso e Senado para alinhar as diferenças com relação às propostas de cada casa. Na nossa visão, o pacote fiscal proposto pelo Partido Republicano deve ser aprovado.

EUA: Futuro presidente do Fed faz seu primeiro discurso oficial

Em painel do Senado dos EUA, Jerome Powell, futuro presidente do Fed, banco central americano, sinalizou que deve manter a continuidade da postura gradual de política monetária, e indicou a necessidade de rever a regulação do sistema financeiro americano, potencialmente em direção a um maior alívio em relação às regras atuais. Powell foi indicado pelo presidente Donald Trump, e deve assumir a autoridade financeira a partir de fevereiro de 2018, quando substituirá a atual presidente, Janet Yellen.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, as atenções estarão voltadas para a decisão de política monetária do BCB na quarta-feira. O IBGE divulga a produção industrial de outubro na terça-feira e a inflação do IPCA de novembro na sexta-feira.

Do lado internacional, destaque para as divulgações da taxa de desemprego e criação de emprego formal dos EUA na sexta-feira (ambos de novembro). 


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.



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