Itaú BBA - PIB cresce 0,2% no segundo trimestre

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PIB cresce 0,2% no segundo trimestre

Agosto 31, 2018

Olhando à frente, projetamos crescimento do PIB de 1,3% em 2018 e de 2,0% em 2019

Investimento em capital fixo impactado pelo aperto nas condições financeiras

Desemprego recua para 12,3% em julho

TSE inicia julgamento de registro de candidaturas nesta sexta-feira

Elevada volatilidade no Brasil e nos mercados internacionais 

Investimento em capital fixo impactado pelo aperto nas condições financeiras 

O PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,2% no 2T18 ante o trimestre anterior (Gráfico 1) e alta de 1,0% na comparação anual. A abertura pela ótica da demanda mostra um quadro de desaceleração. O investimento em capital fixo recuou 1,8%, impactado pelo aperto nas condições financeiras, enquanto o consumo das famílias avançou 0,1%, perdendo força com relação ao trimestre anterior (0,4%). 

Ao longo de 2018, diferentes fatores nos fizeram revisar a perspectiva para o crescimento no ano. Inicialmente, os dados mais fracos do mercado de trabalho nos levaram a reavaliar o impacto dos estímulos à demanda agregada. Posteriormente, houve aperto nas condições financeiras, tanto por um quadro externo mais desafiador quanto por maior incerteza em relação à aprovação das reformas fiscais. Por fim, a paralisação dos caminhoneiros afetou negativamente o PIB do 2T18 (em 0,3 p.p., segundo nossas estimativas).  Olhando à frente, projetamos crescimento do PIB de 1,3% em 2018 e de 2,0% em 2019. Este cenário considera nossa avaliação de que o crescimento subjacente da atividade econômica segue perdendo força. 

Desemprego recua para 12,3% em julho

Segundo dados da PNAD Contínua, a taxa de desemprego recuou para 12,3% em julho, ante 12,4% no trimestre concluído em junho (Gráfico 2). Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou 0,1 p.p. para 12,2%, influenciado por um aumento da população ocupada que compensou a alta na taxa de participação. Projetamos que a taxa de desemprego – de acordo com nosso ajuste sazonal – recue para 12,1% ao fim de 2019, refletindo o cenário de crescimento mais fraco da atividade econômica.

Setor público consolidado regista déficit primário de R$ 3,4 bi em julho

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 3,4 bilhões em julho, resultado menor que as expectativas de mercado. Os governos regionais e as estatais registraram déficit de R$ 1,8 bilhão e superávit de R$ 1,1 bilhão, respectivamente. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,3% em junho para 1,1% do PIB em julho (Gráfico 3). A dívida bruta do governo geral atingiu 77,0% do PIB e a dívida líquida do setor público alcançou 51,4% do PIB em julho. Apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional e o patamar historicamente baixo das taxas de juros reais farão a dívida bruta apresentar um crescimento como proporção do PIB mais moderado em 2018. No entanto, sem reformas, como a da Previdência, os resultados fiscais voltarão a uma tendência de deterioração de 2019 em diante.

TSE inicia julgamento de registro de candidaturas nesta sexta-feira

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou nesta sexta-feira o julgamento de contestações ao registro de três candidaturas a presidente da República. Até o momento desta publicação, o TSE aprovou o registro de José Maria Eymael (DC) e Geraldo Alckmin (PSDB). Seguindo a ordem oficial da pauta divulgada pelo Tribunal, o plenário julga o registro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Vale lembrar que as demais candidaturas, de um total de treze, já foram aprovadas pelo Tribunal.

Propaganda eleitoral no rádio e TV começa no dia 31 de agosto

A propaganda eleitoral gratuita começa a ser divulgada no rádio e televisão a partir desta sexta-feira (31). A Minirreforma Eleitoral de 2017, que entra em vigor nestas eleições, introduziu alterações importantes na forma como os candidatos podem expor suas ideias e propostas na televisão e rádio. O tempo para as propagandas eleitorais gratuitas foi reduzido para 35 dias, ante 45 dias na última eleição. O horário eleitoral gratuito também sofreu mudanças. Em 2014, eram dois blocos de 50 minutos cada, um com início às 13h00 e outro às 20h30. Nestas eleições, o horário de exibição continua o mesmo, mas reduziu-se o tempo máximo dos blocos para 25 minutos cada. Esta redução foi parcialmente compensada pelo aumento do tempo máximo de exibição das inserções, que são pequenos anúncios de 30 ou 60 segundos ao longo da programação diária do canal, que passou de 30 minutos/dia em 2014 para 70 minutos/dia neste ano.

Elevada volatilidade no Brasil e nos mercados internacionais

Pressionado tanto por incertezas domésticas quanto por um cenário internacional mais turbulento – especialmente no que diz respeito a mercados emergentes que apresentam necessidades de ajuste – o real apresentou bastante volatilidade ao longo da última semana e chegou a ser cotado a 4,21 reais por dólar na quinta-feira, levando o Banco Central a realizar uma nova intervenção no mercado de câmbio. Um dos fatores por trás desse movimento, na Argentina o peso depreciou de cerca de 20% ao longo da última semana e ocasionou um novo aumento na taxa de juros, que agora se encontra em 60% a.a. O país apresenta elevada vulnerabilidade ao aperto das condições financeiras internacionais, devido aos seus elevados déficits em conta corrente e nas contas públicas, inflação alta e baixo volume de reservas internacionais. 

Também nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a dar indicações de que estaria inclinado a seguir em frente com a implementação tarifas sobre mais 200 bilhões de dólares em importações chinesas, contribuindo para que os riscos de uma guerra comercial sigam elevados. As incertezas nas agendas comerciais das duas maiores economias do mundo relegaram ao segundo plano o alívio temporário derivado do acordo entre EUA e México, sobre o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês). Até o momento, a inclusão do Canadá no novo acordo, em substituição ao Nafta, segue indefinida. 

Destaques da próxima semana 

No Brasil, o IBGE deve divulgar o indicador de produção industrial de julho na terça-feira, e a inflação do IPCA de agosto na quinta-feira. Os dados de produção de automóveis da Anfavea serão divulgados na quinta-feira, e as vendas de veículos da Fenabrave também podem ser divulgadas, ainda sem data definida (ambos referentes ao mês de agosto). Do lado político, duas pesquisas nacionais de intenções de voto para presidente foram registradas no TSE. A partir de terça-feira, pode ser divulgada a pesquisa do Ibope, e a partir de quinta-feira o Datafolha pode divulgar sua pesquisa. 

Do lado internacional, os dados de criação de emprego formal e taxa de desemprego de agosto da economia americana serão divulgados na sexta-feira. 



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