Itaú BBA - PIB brasileiro cresce 1,0% em 2017

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PIB brasileiro cresce 1,0% em 2017

Março 2, 2018

Este é o melhor ritmo do PIB anual desde 2013

PIB sobe 0,1% no 4T17 e 1,0% em 2017

Taxa de desemprego sobe para 12,2% em janeiro

Resultados ambíguos nos indicadores de confiança em fevereiro

Um bom começo do lado fiscal: superávit de R$ 47 bilhões em janeiro

PIB sobe 0,1% no 4T17 e 1,0% em 2017

Segundo o IBGE, o PIB apresentou crescimento dessazonalizado de 0,1% no 4T17 ante o trimestre anterior, resultado abaixo da mediana das expectativas de mercado (0,3%). Em 2017, o PIB cresceu 1,0% ante o ano anterior, o melhor ritmo desde 2013 (Gráfico 1). Pela ótica da demanda, este crescimento foi devido principalmente ao avanço no consumo das famílias, que também cresceu 1,0%. O consumo do governo, e o investimento recuaram 0,6% e 1,8% respectivamente, enquanto tanto exportações quanto importações tiveram crescimento acentuado (5,2% e 5,0%, respectivamente). Pela ótica da oferta, o principal destaque foi a produção agropecuária, que cresceu 13,0% no ano, enquanto a produção da indústria ficou estável e o setor de serviços mostrou ligeiro avanço (0,3%) em 2017. 

Para 2018, projetamos crescimento de 3,0% do PIB, influenciado por efeitos adicionais da queda na taxa de juros e da melhora nos balanços de empresas e famílias. Na nossa visão, a sustentação desses dois fatores depende da confiança na retomada do avanço das reformas, em particular a da previdência. O panorama global também é importante para o cenário: projetamos um crescimento elevado, em particular nas economias avançadas, combinado com retirada gradual dos estímulos monetários.

Taxa de desemprego sobe para 12,2% em janeiro

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego subiu para 12,2% em janeiro, ante 11,8% no trimestre concluído em dezembro (Gráfico 2). Vale notar que os resultados são muito afetados pela sazonalidade das demissões, que aumentam no final do ano. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego subiu 0,1 p.p. para 12,5%, influenciado por ligeiro avanço na taxa de participação. Olhando à frente, projetamos que a taxa de desemprego recuará para 11,7% ao fim de 2018 e 10,7% ao fim de 2019, de acordo com nosso ajuste sazonal, com uma contribuição cada vez mais relevante do emprego formal. 

Resultados ambíguos nos indicadores de confiança em fevereiro

Os indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados ambíguos em fevereiro (Gráfico 3). A confiança do empresário industrial subiu 1,0% no mês, com melhora concentrada no componente de expectativas para o futuro (+3,5%), enquanto houve recuo no componente de situação atual (-1,5%). Na mesma linha, a confiança do comércio apresentou alta de 0,4%, mantendo a tendência de recuperação observada desde o primeiro trimestre de 2016. O índice do setor de serviços também subiu (1,4%) – pelo oitavo mês consecutivo. Por outro lado, houve queda de 1,6% no índice de confiança do consumidor, interrompendo uma sequência de cinco altas consecutivas. Também houve recuo no indicador de construção civil (-1,5%), que apesar do resultado no mês, apresenta o componente de expectativas para o futuro bem acima do componente de situação atual, sugerindo o início de tendência positiva para o índice agregado à medida que a recuperação no setor continue a avançar. Em linhas gerais, os dados de confiança divulgados no mês de fevereiro, apesar de recuo em alguns indicadores, seguem consistentes com a continuidade do processo de recuperação gradual da atividade econômica.

Um bom começo do lado fiscal: superávit de R$ 47 bilhões em janeiro

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 46,9 bilhões em janeiro, acima das expectativas de mercado. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado recuou de 1,7% para 1,5% do PIB (Gráfico 4). O resultado indica que o cumprimento das metas de resultado primário em 2018 deve ser menos desafiador do que nos últimos anos. Com a recuperação da economia, a necessidade de receitas extraordinárias para o cumprimento da meta do ano é de $ 11 bilhões. Esse montante, no entanto, deve ser atingido e o resultado do ano ser melhor que a meta fixada, dado que, somente em janeiro, já houve entrada, líquida de transferências para os governos regionais, de R$ 5 bilhões em receitas extraordinárias. 

Além disso, a dinâmica da dívida pública (especialmente a bruta) também deve ser uma restrição menor em 2018.  A dívida bruta do governo geral atingiu 74,5% do PIB  e a dívida líquida do setor público alcançou 51,8% do PIB em janeiro. Apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional, a melhora no crescimento econômico e a redução das taxas de juros reais, deixarão a dívida bruta relativamente estável como proporção do PIB em 2018. No entanto, sem reformas, como a da Previdência, os resultados fiscais voltarão a uma tendência de deterioração de 2019 em diante. Sem viabilizar o controle de gastos públicos previsto no teto de gastos, a convergência gradual para superávits primários compatíveis com a estabilizaçao da divida pública estará interrompida e aumentarão as dúvidas sobre a consistência da retomada da atividade econômica e da manutenção das taxas de juros em níveis historicamente baixos.

Superávit comercial de US$4,9 bi em fevereiro

O superávit comercial em fevereiro alcançou US$ 4,9 bilhões, em linha com as expectativas. Acumulado em doze meses, o resultado comercial ficou estável em US$ 67 bi de superávit (Gráfico 5), mas a média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada avançou para US$ 69 bi (ante US$ 64 bi) ajudada pela exportação ficta de uma plataforma de petróleo. Excluindo esta operação atípica, este indicador teria mostrado estabilidade do superávit comercial em relação ao mês anterior. 

Destaques da próxima semana 

No Brasil, o IBGE divulga os dados de produção industrial de janeiro na segunda-feira, e a inflação do IPCA de fevereiro na sexta-feira. Do lado político, destaque para a pesquisa de intenção de votos para presidente,  realizada pela CNT/MDA, que está programada para ser divulgada a partir da próxima segunda-feira. 

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para os dados de criação de emprego formal e taxa desemprego da econômica americana (ambos referentes a fevereiro). 



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