Itaú BBA - Novo governo, mesmos desafios

Semana em Revista

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Novo governo, mesmos desafios

Novembro 9, 2018

Revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para 2,5% em 2019

Taxa Selic estável e crescimento maior em 2019

IPCA subiu 0,45% em outubro, abaixo das expectativas

Eleições legislativas dos EUA resultam em Congresso dividido

EUA: Fed sinaliza manter alta gradual de juros

Taxa Selic estável e crescimento maior em 2019

Publicamos nossa atualização mensal de cenário (acesse aqui). Incorporando a melhora das condições financeiras no Brasil, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB para 2,5% em 2019, ante 2,0% no cenário anterior. Também alteramos nossa projeção para a taxa de câmbio no fim de 2018 para 3,75 reais por dólar, refletindo a percepção de mercado de menor incerteza sobre a implementação de reformas. Com menores riscos de pressões inflacionárias, uma moeda mais forte e uma economia que ainda apresenta capacidade ociosa, revisamos nosso cenário para a política monetária, passando a projetar estabilidade da taxa Selic em 6,5% ao longo de 2019. No entanto, destacamos que manutenção desse cenário mais favorável segue dependente da aprovação das reformas (Tabela 01).

IPCA subiu 0,45% em outubro, abaixo das expectativas

O IPCA apresentou variação de 0,45% em outubro, acumulando alta de 3,81% no ano. Com isso, a taxa em 12 meses subiu para 4,56% (ante 4,53% em setembro) (Gráfico 01). As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos transportes (0,17 p.p.) e alimentação e bebidas (0,15 p.p.). A nossa projeção preliminar para o IPCA de novembro aponta variação de 0,05%, com recuo na taxa em 12 meses para 4,3%. No resultado do mês, destaque para as contribuições de baixa de energia elétrica e gasolina. Para este ano, nossa projeção para a inflação foi reduzida de 4,5% para 4,2%, basicamente por conta da queda recente no preço da gasolina. Após registrar altas nos meses de setembro e outubro, esperamos que o preço da gasolina, para o consumidor final, recue nos dois últimos meses do ano, refletindo a expressiva queda nos preços da refinaria desde o fim de setembro. Para 2019, reduzimos a projeção de inflação de 4,3% para 4,2%, refletindo o efeito da menor inércia inflacionária derivada da redução na projeção para 2018.

Ata do Copom sugere Selic estável por período prolongado

A ata do Copom apresenta uma avaliação equilibrada da conjuntura econômica, destacando, por um lado, o cenário externo desafiador e, por outro, a redução da incerteza doméstica. As projeções no cenário de referência (com taxa Selic constante de 6,5% aa) estão em linha com a trajetória de metas até 2020, sugerindo que a política monetária pode estar se aproximando de uma hibernação no patamar atual por um bom tempo, salvo choques imprevistos. Diante desse quadro, o Copom provavelmente deixará sua taxa básica inalterada em 6,5% ao ano em sua reunião de política monetária de 12 de dezembro.

Eleições legislativas dos EUA resultam em Congresso dividido

As eleições legislativas de 2018 nos Estados Unidos resultaram em um Congresso dividido, com maioria democrata na Câmara e maioria republicana no Senado. Em nossa visão, a nova configuração das Casas contribuirá para diminuir a capacidade do presidente Trump de implementar novas medidas de estímulo fiscal, o que pode resultar em menores significa que é mais provável que ele se concentre na política comercial na segunda metade de seu mandato. Em linhas gerais, a divisão não leva a nenhuma mudança na situação fiscal favorável para a atividade econômica em 2018 e 2019, mas aumenta a probabilidade de se tornar um vento contrário em 2020. 

EUA: Fed sinaliza manter alta de juros gradual

Em sua última decisão de política monetária, o Fed, Banco Central americano, manteve as taxas de juros no intervalo de 2% a 2,25%, em linha com as expectativas de mercado. No comunicado que acompanhou a decisão, a autoridade monetária manteve a sinalização de novas altas graduais da taxa de juros. Acerca da avaliação sobre a conjuntura econômica, o Fed apontou que a taxa de desemprego “recuou” (ao invés de “se manteve baixa”, mencionado no comunicado anterior). Também foi mencionado que o consumo das famílias seguiu em ritmo de crescimento forte, enquanto os investimentos fixos moderaram em comparação ao forte ritmo observado no início do ano. Em nossa visão, o Fed deve continuar apertando a política monetária para que ela se torne neutra (ou ligeiramente contracionista), de forma a reduzir o crescimento dos EUA à sua taxa potencial e manter as expectativas de inflação ancoradas em 2%. Esperamos um aumento adicional, levando a taxa de juros para 2,25%-2,5% no fim de 2018, seguido por três aumentos dos juros para 3,0%-3,25% no fim de 2019.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE divulga os dados de vendas no varejo na terça-feira e a receita real do setor de serviços no dia seguinte (ambos de setembro). Na sexta-feira, o Banco Central divulga seu índice de atividade econômica (IBC-Br) para setembro.  

Do lado internacional, a inflação ao consumidor americano para outubro será divulgada na quarta-feira. Na madrugada de quinta-feira, os dados de produção industrial, investimentos fixos e vendas no varejo da economia chinesa (referentes ao mês de outubro) também devem ser divulgados.



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