Itaú BBA - Michel Temer assume a Presidência

Semana em Revista

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Michel Temer assume a Presidência

Setembro 2, 2016

Senado conclui processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff, Temer assume a presidência até 2018.

Senado aprova impeachment, Temer é o novo Presidente

PIB recua no 2º trimestre, mas há sinais melhores do investimento e da indústria

Banco central sinaliza que flexibilização monetária depende dos dados

Emprego dos EUA em agosto reforça alta de juros ainda em 2016

Senado aprova impeachment, Temer assume a Presidência

O Senado concluiu o processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff, que resultou em seu afastamento permanente por crime de responsabilidade, mas sem perda dos direitos políticos. Votaram a favor do impeachment 61 senadores, enquanto 20 senadores votaram contra. O presidente interino Michel Temer (PMDB-SP) assumiu definitivamente a posição de Presidente da República, até a realização das próximas eleições, em 2018. Em pronunciamento em cadeia nacional, Temer disse que os alicerces de seu governo serão: eficiência administrativa, retomada do crescimento, geração de emprego, segurança jurídica, ampliação de programas sociais e a pacificação do país.

PIB no 2º trimestre mostra sinais melhores do investimento e da indústria 

O PIB recuou 0,6% no segundo trimestre, em linha com o esperado (Gráfico 1). Pelo lado da demanda, o consumo das famílias recuou 0,7%, mas o investimento voltou a crescer após 10 trimestres de contrações consecutivas, expandindo 0,4%. Pela ótica da oferta, houve interrupção na sequência de contrações na indústria, que cresceu 0,2% no trimestre, enquanto serviços e agricultura recuaram 0,8% e 2,0% respectivamente.

Para o segundo semestre, os indicadores antecedentes sugerem atividade acima do que temos atualmente no cenário, sobretudo no quarto trimestre. Desta forma, os números divulgados e os indicadores recentes sugerem um viés de alta para nossa projeção de -3,5% do PIB de 2016 e, principalmente, para a projeção de 1,0% de 2017.

Banco central sinaliza que flexibilização monetária depende dos dados 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a taxa Selic em 14,25% a.a. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom retirou a frase que ”não há espaço para flexibilização da política monetária”, um sinal de que  os próximos passos dependerão da evolução dos dados e dos eventos. Acreditamos que o balanço de riscos para a inflação irá evoluir favoravelmente nas próximas semanas, levando o Copom a iniciar um ciclo de redução de juros em outubro, que leve a taxa Selic para 10,00% até o fim de 2017. (Gráfico 2).

Resultado fiscal continua fraco em julho e governo envia orçamento de 2017

Em julho, o governo consolidado registrou um déficit de R$ 12,8 bilhões, menor que as expectativas do mercado. A principal surpresa no mês foi o menor déficit do governo central, devido às despesas menores com subsídios. Acumulado em 12 meses, o déficit como proporção do PIB ficou estável em 2,5% (Gráfico 3).

Além disso, o governo também apresentou a sua proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 ao Congresso, que estabelece as despesas e as receitas que serão realizadas no próximo ano. Para cumprir o déficit primário de R$ 139 bilhões previstos para 2017, o governo aumentou a estimativa de receitas em R$ 49,7 bilhões (sendo R$ 18,4 bilhões em concessões e permissões) e reduziu a estimativa de despesas em R$ 5,3 bilhões, totalizando R$ 55,4 bilhões de impacto positivo no resultado primário. Como era esperado, o governo não anunciou aumento de impostos para o próximo ano.

Produção industrial registra a quinta alta mensal consecutiva em julho

Em julho, a produção industrial cresceu 0,1%, acima do esperado pelo mercado (Gráfico 4). Houve crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas. O resultado é a quinta alta consecutiva e reforça que a indústria está se recuperando. Em nossa visão, o ajuste nos estoques no setor deve continuar nos próximos meses e a produção industrial deve continuar a se recuperar no segundo semestre deste ano.

Desemprego segue em alta

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego nacional atingiu 11,6% em julho. Usando nosso ajuste sazonal, observamos alta do desemprego que passou de 11,1% em junho para 11,3% em julho, vigésimo aumento consecutivo. Projetamos que a taxa de desemprego continue em alta à frente, uma vez que a queda recente da atividade econômica ainda não teve seu impacto completo no mercado de trabalho. O crescimento da massa salarial em termos reais continua em terreno negativo, sugerindo a continuidade na contração no consumo das famílias nos próximos meses.

Moderação do superávit comercial à frente

A balança comercial registrou um superávit comercial de US$ 4,1 bilhões em agosto, abaixo das expectativas do mercado. Em nossa visão, a balança comercial será o principal vetor de melhora das contas externas em 2016, assim como foi no último ano. No entanto, os resultados nos próximos meses vão ser mais modestos, em função do câmbio mais apreciado e de alguma recuperação da atividade doméstica, sem comprometer de forma significativa a sustentabilidade das contas externas.

Emprego dos EUA em agosto reforça alta de juros ainda em 2016

Os dados de mercado de trabalho de agosto são consistentes com o cenário de que o Fed (o banco central americano) deve subir juros pelo menos uma vez este ano. A criação de empregos formais foi de 151 mil, um pouco abaixo das expectativas, mas mantendo o ritmo de contratação dos últimos meses (Gráfico 5). A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,9%. Do lado dos salários, a tendência de aceleração gradual continua. Em nossa visão, o desempenho robusto do mercado de trabalho reforça que o Fed deve voltar a subir os juros no segundo semestre de 2016, em particular, na reunião de dezembro.

Destaques da próxima semana                                                                  

No Brasil, as atenções vão estar voltadas para a divulgação da ata da última reunião do Copom na terça-feira, quando o banco central deve explicar com mais detalhes os próximos passos da política monetária. Na sexta-feira, o IBGE divulga o IPCA de agosto. Projetamos alta de 0,40% no mês, já incorporando uma pressão menor de alimentação.

Nos Estados Unidos, a sondagem ISM do setor de serviços de agosto será divulgada na terça-feira.


 

Caio Megale

Laura Pitta


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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