Itaú BBA - Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

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Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

Novembro 1, 2018

Jair Bolsonaro obteve 55,1% dos votos válidos, contra 44,9% de seu adversário.

Jair Bolsonaro vence as eleições presidenciais com 55% dos votos válidos
 

Banco Central mantém Selic estável em 6,5%

Produção industrial recua 1,8% em setembro

Taxa de desemprego cai para 11,9% em setembro 

Bolsonaro vence as eleições presidenciais com 55% dos votos válidos

No último domingo, Jair Bolsonaro (PSL) se tornou o 38º presidente do Brasil, com início do mandato em 1º de janeiro de 2019. Ele obteve 55,1% dos votos válidos, contra 44,9% de seu adversário, Fernando Haddad (PT). Nas eleições para governadores, o partido NOVO e o PSL (partido de Jair Bolsonaro), siglas que até então não tinham governadores, tiveram resultados importantes. O NOVO ganhou em Minas Gerais, enquanto que o PSL venceu em três estados – Roraima, Rondônia e Santa Catarina. A última vez que o PSL teve um governador eleito foi em 2002. Já os partidos usualmente considerados mais tradicionais, como MDB, PSDB, DEM e PT, foram os que mais recuaram na comparação com 2014. O MDB, por exemplo, passou de seis para três governadores, ficando apenas com Pará, Alagoas e Distrito Federal. 

Banco Central mantém Selic estável em 6,5%

O Copom tomou a decisão esperada de manter a taxa básica inalterada em 6,5% a.a., por unanimidade (Gráfico 1). O comunicado traz poucas – mas relevantes – mudanças em comparação com a edição anterior. Em particular, embora tenham mantido a mensagem de que o estímulo monetário pode ser retirado gradualmente no caso de perspectivas piores para a inflação e/ou do balanço de riscos em torno dela, os membros do Copom admitem que os riscos se tornaram menos assimétricos – ou seja, menos dominados por riscos de alta da inflação. As autoridades apresentaram projeções, no cenário de referência, com taxa Selic constante em 6,5% a.a. e taxa de câmbio de 3,70, que são totalmente compatíveis com a trajetória almejada para a inflação: 4,4% para 2018 (em relação a uma meta de 4,5%); 4,2% para 2019 (vs. meta de 4,25%) e 4,1% para 2020 (vs. meta de 4,0%). Nessas circunstâncias, não há razão aparente para elevação da taxa básica no curto prazo, que deve terminar o ano no atual patamar de 6,5% a.a. 

Produção industrial recua 1,8% em setembro

A produção industrial recuou 1,8% na comparação mensal dessazonalizada em setembro (Gráfico 2). O resultado veio abaixo das expectativas de mercado, com fraqueza disseminada entre várias atividades e categorias econômicas. O resultado no mês reflete o aperto das condições financeiras no 3T18, observável também nas sondagens da indústria com uma percepção de demanda mais fraca. Os dois componentes mais associados ao investimento mostram um quadro de estagnação. A produção de bens de capital recuou e a de insumos típicos da construção civil subiu apenas 1,0% (sem compensar a queda e 2,8% observada no começo do trimestre). Em nossa visão, a melhora das condições financeiras desde outubro, o crescimento da população ocupada e a recuperação das concessões devem influenciar a demanda e recuperar a produção industrial à frente. A projeção preliminar para a produção industrial em outubro aponta para estabilidade na margem.

Taxa de desemprego cai para 11,9% em setembro 

A taxa de desemprego recuou para 11,9% em setembro, ante 12,1% em agosto, em linha com as expectativas (Gráfico 3). Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o desemprego recuou 0,5 p.p. A população ocupada avançou 1,1% na comparação com o trimestre anterior (em nosso ajuste sazonal), influenciado pela ocupação informal. Cabe notar que o desempenho do emprego com carteira assinada na Pnad ainda não mostra a melhora do emprego formal observada nos dados do Caged nos últimos meses. Com o aumento na população ocupada compensando o avanço na taxa de participação, o desemprego recuou 0,2 p.p. em termos dessazonalizados para 12,0% no trimestre findo em setembro. O salário médio real ficou estável na comparação trimestral, e avançou 0,6% na comparação anual. Com isso, a massa salarial real avançou 0,8% ante o trimestre anterior. Na comparação anual, o crescimento foi de 2,2%.

Setor público consolidado registra déficit primário de R$ 24,6 bi em setembro

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 24,6 bilhões em setembro, ligeiramente pior que o consenso de mercado (em R$ 22,0 bilhões). Os governos regionais e as estatais registraram déficit de R$ 0,8 bilhão e superávit de R$ 0,5 bilhão, próximo às nossas expectativas. No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado aumentou de 1,2% em agosto para 1,3% do PIB em setembro (Gráfico 4). O resultado do mês confirma a perspectiva de um resultado primário melhor do que a meta de déficit fixada para o ano. A dívida líquida do setor público aumentou de 51,2% do PIB em agosto para 52,2% em setembro, enquanto a dívida bruta do governo geral oscilou de 77,3% para 77,2% no mesmo período. Um cenário fiscal favorável é estritamente dependente da aprovação de reformas, como a da Previdência, que sinalizem o retorno gradual a superávits primários compatíveis com a estabilização estrutural da dívida pública.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o Banco Central irá divulgar a ata de sua última reunião de política monetária na terça-feira. No dia seguinte, o IBGE divulga a inflação do IPCA de outubro.

Do lado internacional, amanhã (feriado no Brasil) saem os dados de mercado de trabalho da econômica americana. Na próxima semana, os eleitores dos EUA vão às urnas na terça-feira para escolher deputados, senadores e governadores, eventos capaz de influenciar o equilíbrio de poder entre os dois principais partidos americanos. No dia seguinte, as atenções estarão voltadas para a decisão de política monetária do Fed, Banco Central americano. 



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