Itaú BBA - Inflação segue baixa em outubro

Semana em Revista

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Inflação segue baixa em outubro

Outubro 20, 2017

A taxa em 12 meses de inflação deve continuar a subir nos próximos meses, mas ainda em patamares confortáveis

•    IPCA-15 subiu 0,34% em outubro

•    Criação de 34,4 mil empregos formais em setembro

•    Copom: esperamos desaceleração gradual do ritmo de cortes de juros

•    China: leve desaceleração no PIB do 3T17

IPCA-15 subiu 0,34% em outubro

O IPCA-15 registrou variação de 0,34% em outubro, resultado em linha com as expectativas (Gráfico 1). Com isso, a taxa em 12 meses subiu para 2,71%, após ter atingido 2,56% em setembro, e segue abaixo do intervalo inferior da meta de inflação (3%). As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos transportes (0,11 p.p.) e habitação (0,10 p.p.), com destaque para os aumentos nos preços dos combustíveis para veículos e do gás de cozinha. Por outro lado, os grupos alimentação e despesas pessoais registraram taxas negativas. Na nossa visão, a taxa em 12 meses de inflação deve continuar a subir nos próximos meses, mas ainda em patamares confortáveis, à medida que a economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego. Projetamos inflação de 3% para esse ano e 3,8% em 2018.

Copom: esperamos desaceleração gradual do ritmo de cortes de juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volta a se reunir semana que vem. Os dados recentes mostram um ambiente de inflação em nível baixo e expectativas ancoradas, com sinais de uma retomada ainda gradual, mas cada vez mais abrangente, da atividade econômica. Em linha com a comunicação recente da autoridade monetária, esperamos que o Copom reduza o ritmo de corte da taxa Selic para 0,75 p.p., o que representaria uma redução moderada de ritmo em relação aos cortes de 1,00 p.p. feitos nas últimas quatro reuniões. Esta decisão seria consistente com a sinalização do comitê, dada a evolução do cenário básico como esperado e o estágio do ciclo de flexibilização. No comunicado, esperamos que o comitê mantenha a sinalização de continuidade do ciclo de cortes de juros e também de nova redução do ritmo de flexibilização na reunião de dezembro caso sejam mantidas as condições descritas no cenário básico. Mantemos nossa expectativa de que o corte esperado de 0,75 p.p. na próxima semana seja seguido de dois cortes de 0,50 p.p. nas reuniões de dezembro e fevereiro, o que levaria a taxa Selic para o nível final de 6,5%.

Criação de 34,4 mil empregos formais em setembro

Segundo o Ministério do Trabalho houve criação de 34,4 mil empregos formais em setembro (Caged), abaixo do piso das expectativas de mercado. Dados livres de sazonalidade apontam para destruição de 21,6 mil vagas, e ligeira melhora na média móvel de 3 meses, que passa de -13 mil para -12 mil (Gráfico 2). Apesar do fraco resultado no mês, a evolução no mercado de trabalho segue consistente com a recuperação gradual da atividade econômica.

IBC-BR recua 0,4% em agosto

Segundo o Banco Central, o índice de atividade econômica (IBC-Br) recuou 0,38% em agosto, após ajuste sazonal, resultado abaixo das expectativas do mercado. Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, o índice subiu 1,64%. O resultado é consistente com outros indicadores mensais de agosto, como produção industrial, receita real de serviços e vendas do varejo restrito que apresentaram recuo no mês.

Arrecadação federal alcança 105,6 bilhões de reais em setembro

O Tesouro Nacional divulgou os dados de arrecadação federal de setembro. O resultado, de 105,6 bilhões de reais, veio acima das expectativas, com forte alta no crescimento real anual (Gráfico 3). A melhora nas receitas do governo apresentou, mais uma vez, um quadro disseminado entre seus componentes. Houve alta real anual de 11,0% nas receitas ligadas ao consumo (PIS/COFINS, IPI), em grande parte reflexo da alta de impostos sobre combustíveis que contribuíram para elevar a arrecadação do PIS/COFINS no mês. Também houve crescimento de 3,1% nas receitas relacionadas ao lucro das empresas (IRPJ/CSLL), assim como alta de 6,6% para receitas relacionadas à massa salarial (IRPF e previdência social).

CCJ rejeita segunda denúncia contra Temer

Por 39 votos a favor e 26 contra, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou parecer rejeitando a acusação contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da República) por organização criminosa e obstrução à Justiça. O próximo passo é a votação do parecer no plenário da Câmara que deverá ocorrer na próxima semana, possivelmente na quarta-feira (25/10). Se autorizada na Câmara, a denúncia será encaminhada para o STF. 

China: leve desaceleração no PIB do 3T17

O PIB do 3T17 veio em linha com as expectativas e mostrou uma leve desaceleração de 0,1 p.p. para 6,8% (Gráfico 4). Os componentes da demanda agregada mostram uma contribuição positiva vinda do setor externo, reforçando a visão de que a melhora recente no comércio internacional tem contribuído positivamente para a performance da economia chinesa. Além disso, os dados de atividade de setembro apresentaram uma leve recuperação ante os meses mais fracos de julho e agosto, mas ainda seguem moderados se comparado aos resultados observados no início do ano. O ritmo de crescimento da produção industrial avançou 0,6 p.p., para 6,6%, enquanto o investimento fixo cresceu 7,5% nos últimos 12 meses. O crescimento das vendas no varejo aumentou para 10,3% na variação em 12 meses. Os dados de imóveis, vendas e novas construções apresentaram resultados moderados em setembro, ainda que os estoques continuaram a tendência recente de queda. Na nossa visão, os dados de atividade de setembro são consistentes com a desaceleração gradual da economia no segundo semestre do ano, enquanto os riscos seguem controlados.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, além da votação do parecer na CCJ na próxima quarta-feira, as atenções estarão voltadas para a decisão da taxa Selic no mesmo dia. Na quinta-feira, o resultado primário do governo central de setembro será divulgado.

Do lado internacional, destaques para a decisão de política monetária da zona do euro na quinta-feira  e para a divulgação do PIB do terceiro trimestre dos EUA na sexta-feira.

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.



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