Itaú BBA - Inflação em queda abre espaço para redução dos juros

Semana em Revista

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Inflação em queda abre espaço para redução dos juros

Julho 7, 2017

A desaceleração da inflação segue disseminada entre seus componentes

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

No Brasil, reduzimos a projeção de inflação para 3,3% em 2017

IPCA apresenta deflação de 0,23% em junho

Resultados sólidos no mercado de trabalho dos EUA

Reduzimos a projeção de inflação para 3,3% em 2017

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, a incerteza política permanece elevada, atrasando a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. Projetamos crescimento de 0,3% em 2017, e de 2,7% em 2018, consistente com uma recuperação gradual e com o tramite mais lento das reformas. Mantivemos a nossa projeção de taxa de câmbio em 3,50 reais por dólar em 2017, e em 3,60 reais por dólar em 2018, níveis ligeiramente mais depreciados do que o observado hoje, em razão da expectativa de que o aperto gradual das condições monetárias globais pressionará moderadamente as moedas emergentes. Reduzimos as projeções de inflação para 2017 de 3,7% para 3,3%, refletindo dados mais favoráveis na margem (ver abaixo). Para 2018, reduzimos ligeiramente a projeção para a inflação de 4,1% para 4,0% (Tabela 1). Entendemos que a queda da inflação abre espaço para queda adicional dos juros. Assim, reduzimos nossa projeção de taxa Selic para 8,00% em 2017, e para 7,50% em 2018 (Gráfico 1).

IPCA apresenta deflação de 0,23% em junho

A inflação do IPCA registrou variação de -0,23% em junho, mais uma vez abaixo das expectativas. Segundo o IBGE, este foi o primeiro resultado negativo para o IPCA de junho desde 2006. Acumulada em 12 meses, a inflação recuou para 3,0%, ante 3,6% no mês anterior (Gráfico 2). A desaceleração da inflação no mês segue disseminada entre seus componentes e consideravelmente abaixo do centro da meta do Banco Central (de 4,5%), o que, na nossa visão, mantém o caminho aberto para a continuidade do processo de flexibilização monetária.

Produção industrial sobe 0,8% em maio

A produção industrial subiu 0,8% em maio, acima das expectativas. O crescimento positivo pelo segundo mês consecutivo sugere que a recuperação vinha ficando mais disseminada. Em particular, as fortes altas da produção de bens de capital (3,5%) e de bens de consumo durável (6,7%) sinalizam melhora em componentes da demanda associados a decisões de longo prazo, reforçando a avaliação de uma retomada consistente. No entanto, a queda da confiança da indústria em junho com o aumento da incerteza política pode afetar negativamente a produção industrial à frente. É importante que as reformas voltem a avançar para anular a queda recente da confiança e consolidar a recuperação da atividade econômica.

Superávit comercial recorde no primeiro semestre

O superávit comercial em junho alcançou US$ 7,2 bilhões, acima das expectativas. As exportações, que avançaram fortemente no início do ano, somaram US$ 19,8 bi  no mês, patamar ligeiramente mais baixo em linha com a queda recente nos preços de commodities. Já as importações somaram US$ 12,6 bi, mas mantiveram patamar baixo no primeiro semestre, o que tem garantido resultados comerciais mais fortes em 2017 do que ao longo de 2016. Com isso, mantemos a nossa visão de saldo comercial elevado este ano (assim como em 2016), com viés de alta, ratificado pelo forte resultado dos primeiro semestre do ano.

Resultados sólidos no mercado de trabalho dos EUA...

A criação de empregos formais foi de 222 mil no mês, acima das expectativas (Gráfico 3). Apesar do resultado, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, vindo de 4,3% no mês anterior, em razão da elevação na taxa de participação. Apesar dos indicadores do mercado de trabalho sugerirem que a economia esteja próxima do pleno emprego, as pressões salariais seguem atenuadas. Os salários por hora trabalhada mantiveram o crescimento de 2,5% nos últimos 12 meses, indicando que poderá levar mais tempo para o indicador voltar a subir.

....consistentes com aumento gradual nos juros

O Fed, banco central americano, divulgou nessa semana a ata de sua última reunião. O documento voltou a mencionar que  o início da redução do balanço pode ocorrer em breve, possivelmente numa das próximas duas reuniões de política monetária. Não houve indicações mais claras sobre a data da próxima alta de juros, mas o comitê manteve a visão de manter um ritmo gradual de altas de juros. Assim, continuamos esperando que o Fed realize mais uma alta de juros (de 0,25 p.p.) em dezembro.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o Congresso Nacional terá uma agenda cheia, com decisões importantes. O parecer do relator da denúncia contra Temer deve ser apresentado na segunda-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, podendo ser votado antes do fim da semana. Após ter o pedido de urgência aprovado no Senado, a proposta da reforma trabalhista poderá ser votada no plenário da Casa na semana que vem, possivelmente na terça-feira. Do lado econômico, o IBGE divulga os dados de vendas do varejo na quarta-feira e volume de serviços na quinta-feira. Por fim, o BCB divulga seu indicador de atividade econômica de maio na sexta-feira.

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para os dados de inflação e vendas no varejo dos EUA de junho na sexta-feira.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 

 



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