Itaú BBA - Inflação em queda abre espaço para juros marginalmente mais baixos

Semana em Revista

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Inflação em queda abre espaço para juros marginalmente mais baixos

Outubro 6, 2017

Reduzimos nossa projeção para a taxa Selic de 7,0% para 6,5% no início de 2018.

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

IPCA sobe 0,16% em setembro

Produção industrial recua 0,8% em agosto

TLP deve aumentar substancialmente a eficácia da política monetária 

Inflação abaixo da meta neste e no próximo ano

Publicamos nossa revisão mensal de cenário (acesse aqui). No Brasil, o aumento de receitas extraordinárias e a recuperação econômica devem permitir que o governo alcance as metas fiscais de 2017 e 2018. Revisamos nossa projeção de câmbio para 3,25 ao final de 2017 (de 3,35), dado o comportamento recente dos fluxos de capitais estrangeiros. Nossa projeção para o final de 2018 permanece em 3,50. Reduzimos nossa projeção para a inflação de 3,2% para 3,0% em 2017. Para o ano de 2018, reduzimos a projeção para o IPCA de alta de 4,0% para 3,8%, em razão da menor inércia inflacionária e da melhora nas expectativas. A inflação comportada e a comunicação recente do Banco Central indicam que há espaço para reduzir a taxa Selic para 6,5%. Assim, projetamos corte na taxa Selic de 0,75 p.p. em outubro, 0,50 p.p. em dezembro e mais um corte de 0,50 p.p. na reunião de fevereiro de 2018, com a taxa Selic atingindo o patamar final de 6,5% (Gráfico 1). Nesse contexto, aumentamos nossa projeção de crescimento do PIB em 2018 de 2,7% para 3,0%. Finalmente, revisamos a trajetória da taxa de desemprego de nosso cenário (para 12,0% em 2018 ante 12,2%), incorporando o crescimento maior no próximo ano (Tabela 1).

IPCA sobe 0,16% em setembro

O IPCA registrou variação de 0,16% em setembro, acima das expectativas de mercado. Com isso, o indicador acumulou variação de 1,78% no ano, com a taxa em 12 meses atingindo 2,54%, pouco acima dos 2,46% do mês anterior (Gráfico 2). Apesar do resultado, a inflação permanece abaixo do piso da meta de inflação (3%), mantendo a tendência de desinflação disseminada entre seus componentes. A principal contribuição de alta no mês veio do grupo transportes (0,14 p.p.), em razão da pressão nos preços dos combustíveis e da passagem aérea. Já no sentido contrário, a maior contribuição de baixa veio do grupo alimentação e bebidas (-0,10 p.p.). Para esse ano, o comportamento mais benigno dos preços de alimentos pode representar um fator de risco de baixa para a inflação. 

Produção industrial recua 0,8% em agosto

A produção industrial recuou 0,8% em agosto, abaixo das expectativas, interrompendo sequência de quatro altas consecutivas (Gráfico 3). No entanto, a abertura dos seus componentes mostra um quadro mais favorável do que o resultado agregado. No mês, o recuo foi influenciado pela indústria extrativa (mais sujeito a questões operacionais), e tanto bens de capital quanto bens de consumo duráveis avançaram novamente na margem.

Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, prévias do setor de automóveis, entre outros) sinalizam alta de 0,6% da produção industrial em setembro (3,1% de alta na comparação anual), retomando a tendência de alta gradual do indicador.

TLP deve aumentar substancialmente a eficácia da política monetária

Publicamos relatório sobre o impacto da Taxa de Longo Prazo (TLP) na condução da política monetária (acesse aqui). Nesta nota, analisamos como o crédito direcionado impacta a taxa Selic e, a partir disto, avaliamos como a criação da TLP e possíveis mudanças no volume de crédito direcionado podem impactar a condução da política monetária pelo Banco Central. Estimamos que a TLP, uma vez implementada por completo, pode permitir uma redução de cerca de 2,2 pontos percentuais na taxa Selic, tudo mais constante.  A TLP também deve aumentar substancialmente a eficácia da política monetária: estimamos que a influência da taxa Selic sobre a taxa de juros média da economia pode aumentar em cerca de 50%. Adicionalmente, a criação da TLP, por balizar o crédito de longo prazo com taxas de mercado, terá uma contribuição importante para o desenvolvimento de instrumentos de financiamento de longo prazo no Brasil.

Congresso vota texto da reforma política

O texto da reforma política terminou de ser votado no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou a criação de um fundo para o financiamento público de campanhas eleitorais, que deve direcionar cerca de R$ 2 bilhões em recursos públicos para os candidatos em 2018. O valor se somará a R$ 1 bilhão do atual Fundo Partidário. A mudança decorre da proibição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a doação de empresas para campanhas eleitorais. Além disso, o Senado também aprovou emenda constitucional que acaba com as coligações nas eleições para deputados e vereadores, e cria uma cláusula de desempenho, com um mínimo de votos para cada partido. Para que as novas regras já passem a valer nas próximas eleições, elas precisam ser sancionadas pelo presidente Michel Temer até sexta-feira (06/10). 

EUA: Furacão distorce dados de criação de empregos em setembro 

Nos EUA, houve destruição de 33 mil empregos formais em setembro (Gráfico 4). O resultado, no entanto, foi distorcido por furações que atingiram as regiões do Texas e Flórida, e deve se recuperar nos próximos meses. Ainda assim, a taxa de desemprego recuou mais uma vez para 4,2%, vindo de 4,4% no mês anterior. Na mesma linha, houve aceleração do ritmo de crescimento em 12 meses dos salários por hora trabalhada para 2,9%, enquanto o resultado de agosto foi revisado para cima para 2,7% (ante 2,5%). Na nossa visão, os dados emprego de setembro não devem mudar a postura das autoridades monetárias, dado que a tendência do mercado de trabalho americano segue consistente com uma retirada gradual dos estímulos monetários.

EUA: Chances renovadas de estímulo fiscal

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou, por 219 votos a 206, o texto-base do projeto de orçamento para 2018. O próximo passo é o encaminhamento da proposta para votação no Senado. A expectativa é de que os congressistas republicanos aprovem uma resolução sobre o orçamento no fim de outubro, permitindo um aumento no déficit federal de US$ 1,5 trilhão ao longo de dez anos (0,6% do PIB por ano). Na nossa visão, é provável que uma redução de impostos diminua ainda mais os riscos de queda para as perspectivas econômicas dos EUA. Isso aumentaria a probabilidade de o Fed realizar seus quatro aumentos dos juros até o fim de 2018, mas não alteraria nossas perspectivas para a política monetária dos EUA. 

Destaques da próxima semana 

No Brasil, o IBGE divulga os dados de vendas no varejo de agosto na quarta-feira. Do lado político, as atenções estarão voltadas para as discussões sobre a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Do lado internacional, destaque para a ata da última reunião de política monetária do Fomc na quarta-feira, e os dados de inflação do consumidor e vendas no varejo de agosto dos EUA na sexta-feira. 


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.



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