Itaú BBA - Inflação em queda

Semana em Revista

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Inflação em queda

Novembro 25, 2016

Esperamos que a inflação continue a desacelerar à frente, tendência que deverá continuar ao longo de 2017.

Inflação desacelera com alívio de produtos industriais e alimentos

Deterioração do mercado de trabalho continua

Sondagem na indústria em alta, consumidor segue fraco

Publicamos um mapa de calor da produção industrial

Inflação desacelera com alívio de produtos industriais e alimentos

A inflação do IPCA-15 ficou em 0,26% em novembro, um pouco abaixo das projeções de mercado. Acumulada em 12 meses, a inflação recuou para 7,64%, vindo de 8,3% em outubro. O resultado no mês é explicado por quedas disseminadas de produtos industriais e da reversão do choque recente de alimentos. A inflação de grupos menos voláteis, como serviços, também vem recuando, refletindo a recessão econômica (Gráfico 1).

Esperamos que a inflação continue a desacelerar à frente, tendência que deverá continuar ao longo de 2017. Reduzimos nossa projeção de IPCA no fim de 2016 de 6,8% para 6,7%. Para 2017, projetamos a inflação em 4,8%.

Criação de empregos formais continua negativa em outubro

Segundo dados do CAGED do Ministério do Trabalho, houve fechamento de 75 mil empregos formais em novembro. Em termos dessazonalizados, o resultado representa uma destruição de 79 mil vagas (Gráfico 2). O fechamento de vagas foi disseminado entre os setores na economia. Projetamos que a deterioração do mercado de trabalho continue até o primeiro semestre de 2017, refletindo a recessão econômica dos últimos anos.

Dados da PNAD mostram deterioração do mercado de trabalho em 2015

O IBGE divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referente a 2015. Os resultados mostram uma forte deterioração do mercado de trabalho. O rendimento do trabalho recuou 5,0%, a primeira queda em 11 anos. A contração foi mais intensa em faixas de rendimentos mais elevados. A taxa de desemprego subiu 2,7 p.p., passando de 6,9% em 2014 para 9,6%. A população ocupada recuou pela primeira vez desde 2004, com queda disseminada entre as atividades. Com relação aos indicadores sociais, a desigualdade de renda e taxa de analfabetismo continuaram recuando.  De acordo com o IBGE, esta será a última divulgação da PNAD anual, que a partir de agora será substituída por divulgações especiais da PNAD Contínua.

Sondagem na indústria em alta, consumidor segue fraco

A sondagem do empresário industrial, divulgado pela FGV aumentou 1,3% em novembro, acima das expectativas. Apesar de estabilização recente, o nível atual encontra-se em um patamar significativamente superior do que no primeiro semestre de 2016. Na nossa visão, esperamos um melhora do setor industrial nos próximos meses. Por outro lado, a piora do mercado de trabalho aponta para queda no consumo das famílias à frente. O indicador de confiança do consumidor recuou 4,0% em novembro, após seis altas consecutivas (Gráfico 3). Ambos os componentes, de expectativas para o futuro (-5,3%) e situação atual (-1,6%) apresentaram quedas, reforçando que o consumo segue fraco. Em nosso cenário, esperamos uma volta do consumo apenas em 2018, depois da recuperação do mercado de trabalho.

Mapa de calor da produção industrial

Publicamos um mapa de calor para avaliar a evolução setorial da produção industrial, medida pela Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE (acesse o relatório aqui). A análise do mapa de calor reforça que a atividade parou de cair, mas ainda não há sinais claros de retomada. Para frente, o ajuste cíclico nos estoques, em curso nos últimos meses, deve continuar, uma vez que a demanda segue acima da produção. Esse quadro, juntamente com a continuidade da flexibilização da política monetária, indica um cenário de crescimento da indústria à frente. A partir do próximo relatório de produção industrial, vamos publicar a atualização do mapa de calor.

Contas externas: estabilidade na margem

O déficit em conta corrente no mês de outubro somou US$ 3,3 bilhões. Acumulado em 12 meses, o saldo subiu mais uma vez (para US$ 22,3 bi ou 1,3% do PIB) (Gráfico 4). De forma geral, o déficit em conta corrente estabilizou em um nível mais elevado do que no primeiro semestre do ano, o que é consistente com a nossa expectativa de um pequeno déficit em 2016 (US$ 21 bi). Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits baixos, ainda que levemente crescentes, sem comprometer a sustentabilidade externa. Do lado do financiamento, o investimento direto no país permanece elevado, mas os fluxos de investimento em carteira (renda fixa e ações) mostram saídas nos últimos doze meses.

Destaques da próxima semana

Semana com eventos e divulgações importantes no Brasil. Na quarta-feira, ocorre a última reunião do Copom de 2016. Diante das incertezas relacionadas ao ambiente externo, avaliamos que o Banco Central do Brasil preferirá proceder de forma gradual com a flexibilização monetária, com outro corte de juros de 0,25 p.p., levando a taxa Selic para 13,75%. O IBGE divulga o PIB do terceiro trimestre na quarta-feira. Projetamos contração de 1,1% do PIB no 3T16. Os dados de desemprego e a produção industrial (ambos de outubro) serão divulgados na terça-feira e na sexta-feira, respectivamente. Na parte política, destaque para a votação do teto de gastos em primeiro turno no Senado na terça-feira.

Nos Estados Unidos, os dados de mercado de trabalho referentes a novembro serão divulgados na sexta-feira.


 

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



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