Itaú BBA - Governo define meta fiscal para 2017

Semana em Revista

< Voltar

Governo define meta fiscal para 2017

Julho 8, 2016

Mantivemos nossa projeção de resultado primário em -2,4% do PIB para 2016, mas reduzimos a de 2017 para -2,2% do PIB

Meta de resultado primário é definida em -2,2% do PIB para 2017

Publicamos nossa revisão mensal de cenário

No Brasil, reduzimos nossas projeções de câmbio para 2016 e 2017

Diante de incertezas globais, Fed não deve subir juros em 2016

Meta fiscal para 2017 é definida em -2,2% do PIB

O governo anunciou uma meta de resultado primário de déficit de 2,2% do PIB (R$ 143 bilhões) para 2017. A meta é melhor do que a definida para 2016 (R$ 164 bilhões, -2,6% do PIB) e estabelece que no ano que vem o crescimento do gasto primário federal será igual à inflação de 2016, em linha com a proposta do teto para o crescimento dos gastos públicos. Para viabilizar a meta, é necessário um esforço adicional de R$ 55 bilhões nas receitas, que podem vir de vendas de ativos, concessões ou aumento de impostos. Neste cenário, mantivemos nossa projeção de resultado primário em -2,4% do PIB para 2016, mas reduzimos a de 2017, de -1,5% para -2,2% do PIB, em linha com a nova meta fiscal (Gráfico 1).

Acreditamos que os déficits primários ainda elevados no curto prazo não significam um relaxamento do compromisso com o ajuste fiscal. O mais importante é endereçar a dinâmica fiscal de longo prazo com a aprovação das reformas estruturais que permitirão os resultados primários melhorarem ano a ano, enquanto a economia volta a crescer.

Reduzimos nossas projeções de taxa de câmbio para 2016 e 2017

Publicamos nossa revisão de cenário mensal (acesse aqui). No Brasil, a economia segue se ajustando, mas as contas públicas continuam em deterioração.

Neste ambiente, revisamos a nossa projeção de taxa de câmbio para 3,25 reais por dólar, ao fim de 2016 (ante 3,65), e 3,50 reais por dólar, ao fim de 2017 (ante 3,85), refletindo o provável adiamento da alta de juros nos EUA, o maior consenso em torno de reformas fiscais e a postura conservadora do Banco Central. Mantivemos a projeção para a inflação do IPCA para este ano em 7,2%, uma vez que a pressão recente dos preços de alimentos tende a ser compensada pelos efeitos do câmbio mais apreciado e pela queda maior da conta de luz. Para 2017, reduzimos a projeção de 5,0% para 4,8%, diante do cenário de câmbio mais apreciado. Matemos nossa projeção de crescimento do PIB em -3,5% em 2016 e em 1% em 2017. O BC reafirmou o objetivo de alcançar o centro da meta em 2017, o que pode demandar uma política monetária contracionista por mais tempo. Projetamos agora o início do ciclo de corte de juros em outubro (antes, agosto), com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual. Esperamos que a Selic termine 2016 em 13,50% e 2017 em 10,00% (Tabela 1).

Inflação em tendência de queda

O IPCA subiu 0,35% em junho, resultado um pouco abaixo das expectativas. Acumulado em 12 meses, a inflação recuou de 9,3% em maio para 8,8% (Gráfico 2). Os preços de alimentos seguem pressionados. Por outro lado, a inflação de

serviços e industriais seguem recuando, reflexo da atividade fraca e da taxa de câmbio mais apreciada. Na nossa visão, a inflação seguirá em tendência de queda, encerrando o ano em 7,2% e 2017, em 4,8%.

Banco Central volta a intervir no mercado de câmbio

Com a apreciação recente do real, o Banco Central do Brasil voltou a intervir no mercado de câmbio vendendo swaps reversos, mas a um ritmo menor (de US$ 500 milhões/dia). De acordo com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, uma conjunção de fatores domésticos e internacionais abriu espaço para redução do estoque de swaps cambiais. Acreditamos que a autoridade monetária deve intervir com parcimônia, mantendo o regime de câmbio flutuante.

Indicadores coincidentes da indústria de junho

Nesta semana, foram divulgados indicadores coincidentes da produção industrial de junho. A produção de veículos, divulgada pela ANFAVEA, cresceu 13,6% no mês, bem acima da nossa projeção (Gráfico 3). Além disso, a expedição de papel ondulado, calculada pela ABPO, também surpreendeu, com um crescimento de 2,8% e o tráfico de veículos pesados, divulgados pela ABCR, cresceu 2,0%, em linha com a nossa expectativa. Projetamos uma alta 0,7% na produção em junho, em linha com o nosso cenário de recuperação da indústria no segundo semestre desse ano.

Deputado Eduardo Cunha anuncia sua renúncia da presidência da Câmara

O deputado Eduardo Cunha anunciou que vai renunciar ao seu cargo como presidente da Câmara dos Deputados. No início de maio, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu Cunha da presidência da Câmara. Formalmente, em até 5 sessões, novas eleições serão convocadas para eleger um novo presidente da Câmara. O mandato terá duração até fevereiro de 2017. O novo presidente da Câmara terá um papel importante na realização de sessões que irão determinar a aprovação de medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo.

Incerteza com relação a contágio financeiro afetam os mercados globais

Nessa semana, a incerteza com relação aos bancos europeus afetaram os mercados globais. As preocupações foram relacionadas ao congelamento dos saques em sete fundos imobiliários no Reino Unido e à saúde dos bancos italianos, diante das incertezas econômicas geradas pelo Brexit. Na nossa visão, o stress financeiro de curto prazo gerado pelo Brexit deve permancer contido pelo Banco Central Europeu (BCE). As ações dos bancos na Europa estão em níveis mínimos históricos (Gráfico 4). Mas acreditamos que isso seja um reflexo natural de uma deterioração das perspectivas macroeconômicas na região, e não um sinal de crise bancária. No entanto, para o longo prazo, há uma preocupação de que a falta de reformas possa sobrecarregar o BCE, levando o banco a alcançar os limites da política monetária.

Diante de incertezas globais, Fed não deve subir juros em 2016 

Os dados do mercado de trabalho de junho nos EUA reduziram as preocupações de que a economia americana estava desacelerando antes do Brexit. A criação líquida de empregos formais nos EUA foi de 287 mil novas vagas em junho, bem acima do esperado pelo mercado. O resultado veio depois de um número fraco de apenas 38 mil vagas criadas em junho. A média móvel de três meses ficou em 147 mil, mostrando que o mercado de trabalho segue sólido, mas não tão robusto quanto o resultado de junho (Gráfico 5). Mesmo assim, os salários seguem crescendo a um ritmo moderado. Em nossa visão, devido às incertezas globais, acreditamos que o Fed, banco central americano, não deve subir a taxa de juros em 2016.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE divulga as vendas no varejo de maio na quarta-feira. O indicador de atividade do Banco Central (IBC-Br), também de maio, pode ser divulgado, mas não há data definida.

Do lado internacional, o PIB do segundo trimestre e os demais dados de atividade da China de junho serão divulgados na quinta-feira. Além disso, as vendas no varejo de junho dos Estados Unidos serão publicadas na sexta-feira.


 

Caio Megale

Laura Pitta

André Matcin


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 



< Voltar