Itaú BBA - Eventos globais marcam a primeira semana do ano

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Eventos globais marcam a primeira semana do ano

Janeiro 3, 2020

Mercados globais reagem às tensões geopolíticas.

 Escalada nas tensões entre EUA e Irã

 Economia chinesa continua a dar sinais de estabilização

 Superávit comercial brasileiro recua em 2019  

 Vendas de veículos no Brasil sobem 10,5% em 2019

Escalada nas tensões entre EUA e Irã 

Segundo informações do Pentágono americano, o presidente Donald Trump autorizou ataque contra alvos militares no Aeroporto Internacional de Bagdá, com pelo menos sete mortes confirmadas. Entre as vítimas, estão Qassem Soleimani, um dos líderes da Guarda Revolucionária do Irã, e Abu Mahdi al-Muhandis, comandante paramilitar iraquiano. Os eventos ocorrem em meio a tensões crescentes no país, com divergências entre grupos apoiados pelos EUA e Irã. Segundo consultores políticos, há riscos de continuidade dos conflitos, ainda que potencialmente concentrados no Oriente Médio. As tensões geopolíticas refletiram nos mercados globais, com aumento nos preços de petróleo (o preço do petróleo do tipo Brent chegou a subir 4,7% nesta sexta-feira, alcançando 69,4 dólares o barril) e elevação da aversão ao risco. 

Economia chinesa continua a dar sinais de estabilização

O índice PMI industrial da economia chinesa se manteve estável em 50,2 pontos em dezembro (acima do nível de neutralidade, em 50). O resultado foi impulsionado por melhora no componente de novas ordens de compras industriais, que avançou 0,6 pontos para 53,2. Por outro lado, os índices de atividade PMI para os demais setores apresentaram retração, com o componente de serviços recuando para 53 pontos (ante 53,5) e o de construção para 56,7 pontos (ante 59,6). Em linhas gerais, o conjunto de indicadores seguem mostrando sinais de estabilização da atividade no 4T19. 

Olhando à frente, não esperamos um grande avanço na atividade da região, uma vez que as autoridades demonstram conforto com uma trajetória de desaceleração gradual. Projetamos crescimento de 5,7% no PIB chinês em 2020 e 5,6% em 2021, vindo de 6,2% em 2019. Avanços no acordo comercial entre EUA e China podem gerar um viés de alta para essas projeções. Segundo comunicado do presidente americano Donald Trump, a fase 1 do acordo comercial deve ser assinada no dia 15 de janeiro, abrindo espaço para novas rodadas de negociações. 

Superávit comercial recua em 2019 

O saldo comercial de 2019 foi superavitário em US$ 46,7 bi, um nível historicamente elevado, porém US$ 12 bi abaixo dos US$ 58,3 bi registrados em 2018 (Gráfico 1). Em 2019, houve queda das exportações em função da desaceleração do comércio global e de parceiros comerciais importantes, como a Argentina. As importações, por sua vez, também recuaram. Vale notar, no entanto, que ao longo de 2018, as mesmas foram infladas por operações envolvendo plataformas de petróleo. Excluindo tais operações, as importações teriam subido em 2019, em linha com a recuperação gradual da atividade econômica. Para 2020, projetamos nova redução do superávit comercial (US$ 40 bilhões), em linha com a retomada da economia e consequente aumento de importações. 

Vendas de veículos sobem 10,5% em 2019

Segundo a Fenabrave, as vendas de veículos novos cresceram 10,5% em 2019 em comparação com o ano anterior. Os destaques no ano ficaram para as vendas de ônibus e caminhões, com altas de 39% e 33%, respectivamente. Implementos rodoviários (carrocerias de pesados) também mostraram forte desempenho, avançando 42% no ano. No segmento de automóveis de passeio, 2,26 milhões de unidades foram emplacadas em 2019, uma alta de 7,6% em relação a 2018. 

Déficit primário de R$15,3 bilhões em novembro 

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$15,3 bilhões em novembro, melhor que a nossa projeção e o consenso de mercado (em R$ 16,2 bilhões e R$ 16,4 bilhões, respectivamente). No acumulado em 12 meses, o déficit primário consolidado oscilou para 1,2% do PIB (ante 1,3% no mês anterior). A dívida bruta do governo geral subiu de 77,3% para 77,7% do PIB entre outubro e novembro, já a dívida líquida recuou de 55,2% para 54,8% do PIB. Olhando à frente, o controle das despesas obrigatórias, a manutenção das agendas de contração parafiscal, a venda de ativos do governo, juros baixos e a aceleração do crescimento criam condições para que a dívida bruta recue nos próximos anos. Isso não significa que o ajuste fiscal em curso possa ser interrompido. A venda de ativos, juros abaixo do nível de equilíbrio e crescimento acima do potencial são fatores temporários. Portanto, a estabilização estrutural da dívida bruta requer melhora do resultado primário. Esperamos que esse movimento ocorra gradualmente, com o superávit primário alcançando o patamar de 1,0% do PIB em 2023.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE divulga a produção industrial de novembro na quinta-feira e a inflação do IPCA de dezembro no dia seguinte. Na terça-feira, a Anfavea publica os dados de produção de veículos para dezembro. Ainda sem data definida, os índices de fluxo de veículos nas estradas (ABCR) e expedição de papel ondulado (ABPO) (ambos para dezembro) também devem ser conhecidos.

Do lado internacional, os dados de inflação ao consumidor da Zona do Euro e o índice ISM do setor de serviços para a economia americana (ambos para dezembro) serão divulgados na terça-feira. Na sexta-feira, as atenções estarão voltadas para os dados de mercado de trabalho dos EUA para o mês de dezembro. 


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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