Itaú BBA - Economia tem primeiro mês positivo em 2019

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Economia tem primeiro mês positivo em 2019

Julho 19, 2019

O destaque foi o indicador de atividade IBC-Br, que registrou o primeiro crescimento desde o início do ano.

• Poucas publicações de dados e Legislativo em recesso garantiram uma semana mais tranquila no Brasil. O destaque doméstico ficou por conta do indicador mensal de atividade (IBC-Br), que registrou o primeiro crescimento desde o início do ano.

• O governo anunciou medidas de desburocratização – e deve anunciar nos próximos dias a liberação de recursos de contas do FGTS.

• No fronte internacional, dados corroboraram a fraqueza na economia global.

• Neste contexto, a comunicação de membros do Fed gerou combustível para a discussão sobre corte de juros mais intenso no fim de julho.

Atividade avança em maio

De acordo com o indicador mensal de atividade do banco central, IBC-Br, a economia cresceu 0,5% em maio (com ajuste sazonal), em linha com nossa projeção e a expectativa do mercado (gráfico 1). Foi a primeira melhora registrada no ano. Na comparação anual, o índice avançou 4,4%, impulsionado principalmente pela queda de atividade registrada no mesmo mês de 2018, devido à paralisação dos caminhoneiros. Apesar do crescimento, o número ainda é pequeno, e reforça nossa visão de que o crescimento deve ser fraco em 2019.

Em linha com o dado do BCB, nosso indicador de PIB mensal (PM-Itaú) cresceu 0,3% no mesmo período, com ajuste sazonal (gráfico 2). Na comparação anual, o avanço foi de 4,1%, também influenciado, em grande parte, por maio de 2018. Olhando para a quebra sob a ótica da demanda do PIB, a melhora mensal foi puxada pelo consumo, que registrou um crescimento de 0,4%, enquanto o investimento, o componente mais afetado pela fraqueza da atividade nos últimos anos, permaneceu virtualmente estável no período. 

Governo comemora seus 200 dias com anúncios para estimular a economia

O governo promoveu um evento em comemoração aos 200 dias de mandato em Brasília, na quinta-feira. Aproveitando a ocasião, a equipe econômica deu impulso à agenda econômica de desburocratização e estímulos para a atividade. Na ocasião, o presidente Bolsonaro assinou algumas medidas visando simplificar regulamentos, especialmente a revogação, total ou parcial, de 583 decretos antigos, alguns editados em 1937. Também criou-se o Conselho Brasil, um comitê que irá preparar e acompanhar o processo de entrada do país na OCDE nos próximos anos.

Adicionalmente, havia a expectativa de que, no evento, fosse anunciado oficialmente a liberação de recursos do FGTS. Segundo o ministério da Economia, o governo pretende liberar cerca de R$ 30 bilhões com a flexibilização de saques de contas ativas e inativas do FGTS. A medida tem como objetivo estimular a atividade econômica – a expectativa da equipe econômica é que os saques reforcem o crescimento do PIB deste ano em até 0,3 p.p., o que elevaria a projeção de crescimento para 1,1%, o mesmo nível registrado nos dois últimos anos. Entretanto, a confirmação oficial foi adiada para a próxima semana.

Dados ambíguos de atividade global

Dados de vendas no varejo e emprego foram divulgados nos Estados Unidos no decorrer da semana. No primeiro caso, os indicadores de vendas no varejo restrito de junho cresceram 0,7% em junho, acima das expectativas de mercado, em 0,3%. Com isso, atualizamos nossa estimativa para o PIB do segundo trimestre para 2,1% de crescimento (ante 1,8% no cenário anterior). Por outro lado, indicadores do mercado de trabalho mostraram uma leve piora, com o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego subindo pra 216 mil em junho, em linha com as expectativas e ligeiramente acima do mês passado, em 209 mil.

Na China, os dados também indicaram leve desaceleração da atividade. O crescimento anualizado do PIB no segundo trimestre veio em 6,2%, em linha com as expectativas de mercado e ante 6,4% no trimestre anterior (gráfico 3). Olhando para a ótica da demanda, o consumo desacelerou de 4,2% para 3,8% na variação anual, enquanto o investimento permaneceu fraco (+1,2%). Olhando à frente, esperamos mais pressões negativas sobre a atividade no segundo semestre, à medida que perdura a incerteza trazida pela guerra comercial. Projetamos crescimento de 6,2% em 2019 e 5,9% em 2020. 

Discussão intensa sobre ritmo de corte de juros nos EUA

Em meio a dados ambíguos de atividade econômica e a expectativa do mercado de que o Fed, o banco central norte-americano, irá cortar juros em sua próxima reunião, o debate sobre a magnitude do corte ganhou mais intensidade depois que o presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams, sinalizou que é preciso “agir com rapidez” contra adversidades econômicas. Posteriormente, o Fed agiu para acalmar os mercados, afirmando que o discurso tinha origem em um estudo acadêmico e não devia ser encarado como uma sinalização para o próximo passo da política monetária. Com isso, continuamos esperando um corte de 0,25 p.p. no encontro de 31 de julho, que deve levar a taxa de Fed Funds de 2,50% para 2,25%.

Destaques da próxima semana

No cenário doméstico, o destaque será a publicação do IPCA-15 de julho, na terça-feira, para o qual esperamos uma alta de 0,14% no mês, levando a taxa anual para 3,33%. Ao longo da semana, o CAGED de junho também deve ser divulgado, para o qual esperamos uma criação líquida de 13 mil empregos formais, com ajuste sazonal. Além disso, diversos indicadores de confiança serão lançados ao longo da semana, incluindo indústria (prévia), consumidores, comércio e serviços.

No fronte internacional, o destaque será a divulgação do PIB do segundo trimestre dos Estados Unidos, na sexta-feira.  Além disso, a prévia do número de pedidos de bens duráveis também será publicada, na quinta-feira. No mesmo dia, na Europa, o Banco Central Europeu irá divulgar sua decisão de política monetária.


Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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