Itaú BBA - Economia melhor em meio a riscos maiores

Semana em Revista

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Economia melhor em meio a riscos maiores

Dezembro 8, 2017

Previdência volta ao debate, mas ainda há incerteza sobre aprovação no congresso

Publicamos nossa revisão de cenário
 

Banco Central reduz a taxa Selic para 7,0% ao ano

IPCA sobe 0,28% em novembro

Foram criados 228 mil empregos em novembro nos EUA

Aumentamos nossa projeção do PIB em 2017 para 1,0% 

Publicamos nossa revisão de cenário (acesse aqui). No Brasil, aumentamos nossa projeção do PIB em 2017 de 0,8% para 1,0%, após incorporar uma revisão das séries históricas e os resultados do 3T17. Projetamos o crescimento em 3,0% para 2018 e 3,7% para 2019, mas vemos riscos de queda no caso de mudanças nas perspectivas de reformas do setor público. Para este ano, reduzimos a projeção para inflação para 2,8%, resultado ligeiramente abaixo do piso da meta de inflação (3,0%). Para 2018, mantivemos a projeção de alta de 3,8%. Já em 2019, nossa projeção aponta inflação ao redor de 4,0%. Mantivemos a nossa projeção de taxa de câmbio em 3,25 reais por dólar ao fim de 2017, 3,50 ao fim de 2018 e 3,60 ao fim de 2019. Do lado da política monetária, esperamos que o Copom corte os juros para 6,5%, em dois movimentos de 0,25 p.p., em fevereiro e março (mais detalhes abaixo). Esperamos juros estáveis em 2018, com aumentos somente em 2019, quando a taxa Selic deve chegar a 8,0% (Tabela 1).

Banco Central reduz a taxa Selic para 7,0% ao ano

O Copom fez o que era amplamente esperado: cortou a taxa Selic em 0,50 p.p., para 7,0% a.a., o nível mais baixo da série histórica (Gráfico 1). O comitê sinalizou, com certa clareza, que salvo uma maior surpresa nas condições econômicas, sua intenção é cortar a taxa Selic em 0,25 p.p., para 6.75% na próxima reunião, em fevereiro de 2018. Por ora, mantemos nossa visão de que o Copom irá cortar a Selic para 6,5%, em dois movimentos de 0,25 p.p., em fevereiro e março, em vez de em um único corte de 0,50 p.p. Mas reconhecemos que a ausência de progressos na agenda de reformas e de ajuste fiscal tornaria o segundo corte de 0,25 p.p. menos provável e, consequentemente, aumentaria a chance do ciclo de flexibilização terminar com a taxa Selic em 6,75%. Como de costume, o racional do Copom será explicado em mais detalhes na ata da reunião que será divulgada na próxima terça-feira, 12 de dezembro, às 08:00 horas.

IPCA sobe 0,28% em novembro

O IPCA registrou variação de 0,28% em novembro, resultado abaixo do piso das expectativas de mercado. Com isso, o indicador acumulou variação de 2,5% no ano, com a taxa em 12 meses subindo para 2,8%, ante 2,7% no mês anterior (Gráfico 2). Apesar do resultado, a inflação permanece abaixo do piso da meta de inflação (3,0%), mantendo a tendência de desinflação disseminada entre seus componentes. As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos habitação (0,20 p.p.) e transportes (0,09 p.p,), refletindo pressões nos preços da energia elétrica e dos combustíveis, respectivamente. Já no sentido contrário, os grupos alimentação e artigos de residência registraram taxas negativas. No caso de alimentos, foi o sétimo mês consecutivo de deflação. Com isso, reduzimos a projeção de inflação deste ano para 2,8% e mantivemos a de 2018 em 3,8%.

Produção industrial sobe 0,2% em outubro, mantendo retomada gradual

A produção industrial subiu 0,2% em outubro, em linha com as expectativas (Gráfico 3). O resultado contou com forte alta na produção de farmoquímicos e farmacêuticos (20,3%), devolvendo quase toda a queda do mês anterior. Os indicadores ligados à formação bruta de capital fixo mostraram desempenho ambíguo em outubro, com nova alta na produção de bens de capital (1,1%) e queda na produção de insumos da construção civil (-1,2%). Os primeiros indicadores coincidentes (confiança da indústria, utilização da capacidade instalada, dados semanais de comércio exterior e consumo de energia, prévias do setor de automóveis, entre outros) sinalizam queda de 0,5% da produção industrial em novembro (alta de 3,0% na comparação anual). 

Foram criados 228 mil empregos em novembro nos EUA

A criação de empregos formais foi de 228 mil no mês (Gráfico 4), acima das expectativas. Enquanto que a taxa de desemprego se manteve no baixo patamar de 4,1%. Mais uma vez, a surpresa ficou para os dados mais moderados de pressões salariais, que cresceram abaixo das expectativas de mercado. A variação dos salários por hora trabalhada nos últimos 12 meses apresentou um leve avanço para 2,5% (ante 2,4% no mês anterior). Na nossa visão, o crescimento da atividade econômica acima do potencial deve aumentar gradualmente os salários e a inflação. Essa perspectiva econômica é consistente com a implementação do Fed, o Banco Central dos EUA, de um aumento dos juros em dezembro e três aumentos adicionais de 0,25 p.p. em 2018.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, as atenções estarão voltadas para a divulgação a ata da última reunião de política monetária na quarta-feira, e as vendas no varejo de outubro na quinta-feira. Acerca da reforma da previdência, um último esforço para obter mais votos para sua aprovação no Congresso está ocorrendo no momento da redação deste relatório e continuará no centro das atenções ao longo dos próximos dias.

Do lado internacional, semana com diversas decisões importantes de política monetária. Na quarta-feira, a inflação ao consumidor de novembro da economia americana será divulgada, e o Fed decidirá sua taxa de juros no mesmo dia. Na quinta-feira, o destaque fica para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu. Ainda nesta frente, a América Latina merece atenção na próxima quinta-feira, a medida que os bancos centrais do México, Chile, Colômbia e Peru também decidirão suas taxas de juros. 


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.



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