Itaú BBA - Desequilíbrio externo na Turquia no centro das atenções

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Desequilíbrio externo na Turquia no centro das atenções

Agosto 17, 2018

A forte depreciação da moeda da Turquia tem provocado elevação das incertezas nos mercados globais, com reflexo nas moedas de países emergentes

Depreciação da lira turca reflete vulnerabilidade externa do país

China: atividade mais fraca em julho

No Brasil, indicadores de atividade mostram normalização no mês de junho

Presidenciáveis registram candidaturas no TSE

Depreciação da lira turca reflete vulnerabilidade externa do país

A forte depreciação da moeda da Turquia tem provocado elevação das incertezas nos mercados globais, com reflexo nas moedas de países emergentes, especialmente aqueles com maior vulnerabilidade externa (Gráfico 1). Na última semana, a lira turca chegou a valer 7,23 liras por dólar (voltando para o patamar de 6,04 nesta sexta-feira), e já acumula queda de 37% neste ano. O país, que vinha apresentando uma das maiores taxas de crescimento do PIB no mundo nos últimos anos, se encontra em um forte desequilíbrio externo, com déficit em conta corrente ao redor de 6,5% do PIB – muito maior do que a média dos seus pares. Soma-se a isso o elevado nível de inflação – a variação em 12 meses está em 15,8% em julho – característico de uma economia sobreaquecida, e a dificuldade que o país enfrenta em endereçar esses desequilíbrios através dos instrumentos de política fiscal e monetária.

Contribuiu para amplificar a escalada das incertezas o anuncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de dobrar as taxas sobre a importação de aço e alumínio turcos, elevando a tensão diplomática entre os países. A crise política entre os dois países também se estende ao caso do pastor americano Andrew Brunson, que foi julgado na Turquia por "terrorismo" e "espionagem", e está em prisão domiciliar desde julho, depois de passar um ano e meio em uma penitenciária. Os EUA pedem a libertação imediata do pastor, e ameaçam impor sanções à Turquia caso Brunson não seja libertado, representando, assim, um risco a ser monitorado.

China: atividade mais fraca em julho

Os dados de atividade econômica chinesa, divulgados em julho apresentaram resultados mais fracos que as expectativas de mercado. A produção industrial subiu 6,0% na variação em 12 meses, resultado estável se comparado ao mês anterior. Na mesma linha, as vendas no varejo apresentaram alta de 8,8% em julho, um ritmo mais moderado do que aqueles observados no início do ano. Por fim, o investimento em ativos fixos para o mesmo período também surpreendeu para baixo, após a variação em 12 meses desacelerar para 3,0% (ante 5,7% em junho), influenciado por resultados mais fracos no componente de investimentos públicos. Em nossa visão, acreditamos que o componente de investimentos públicos em infraestrutura deve se recuperar à frente, em linha com as recém-anunciadas medidas de cunho fiscal e creditício na China que buscam posicionar a economia frente às incertezas relacionadas à disputa comercial com os EUA. 

Indicadores de atividade mostram normalização no mês de junho

A receita real do setor de serviços subiu 6,6% na comparação mensal dessazonalizada em junho, revertendo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros (Gráfico 2). Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o aumento foi de 0,9%, superando a mediana das expectativas (-0,4%). Olhando para a composição do indicador, houve avanço em 9 de 12 subsetores, com destaque para o aumento mensal de 15,7% no componente de transportes. É importante lembrar que a PMS compreende aproximadamente 34% do PIB de serviços e, portanto, não representa a totalidade do setor. 

Além disso, o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 3,3% em junho, em termos livres de sazonalidade, refletindo a normalização de grande parte dos indicadores de atividade no mês de junho. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador avançou 1,8% (ante queda de 2,9% em maio).

Presidenciáveis registram candidaturas no TSE

O prazo de registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se encerrou na última quinta-feira (15/08). Treze foram os candidatos que apresentaram registros: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo), João Vicente Goulart (PPL), José Maria Eymael (DC), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

Paraná Pesquisas mostra quadro relativamente inalterado nas eleições

Segundo dados divulgados pelo Instituto Paraná Pesquisas, no cenário sem Lula (PT), Jair Bolsonaro (PSL) lidera a disputa presidencial com 24% das intenções de voto (ante os mesmos 24% na pesquisa anterior do mesmo instituto), seguido de Marina Silva (REDE) com 13% (de 14%), Ciro Gomes (PDT) com 10% (de 11%), Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% (de 8%), Álvaro Dias (PODE) com 5% (de 5%) e Fernando Haddad (PT) com 4% (de 3%). Neste cenário, brancos, nulos e indecisos representam 30% do eleitorado. No cenário com Lula (PT), o ex-presidente lideraria com 31% das intenções de voto. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 13 de agosto.

Destaques da próxima semana 

No Brasil, o IBGE divulga a inflação do IPCA-15 de agosto na quinta-feira. Ainda sem data definida, os dados de criação de emprego formal do Caged de julho também devem ser divulgados. Do lado político, diversas pesquisas de intenção de votos para presidente devem ser divulgadas, segundo registro no TSE. As pesquisas do Ibope e MDA podem ser divulgadas a partir de segunda-feira, já o Datafolha pode divulgar sua pesquisa a partir de quarta-feira (todas com amostragem nacional).

Do lado internacional, a ata da última reunião de política monetária do Fed, Banco Central americano, deve ser divulgada na quarta-feira. Na quinta-feira, a sondagem de atividade (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro de agosto será divulgada na quinta-feira.



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