Itaú BBA - Desemprego encerra 2019 em 11,6%, após ajuste sazonal

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Desemprego encerra 2019 em 11,6%, após ajuste sazonal

Janeiro 31, 2020

Olhando à frente, projetamos declínio lento da taxa de desemprego, apesar da gradual aceleração da atividade econômica.

 Taxa de desemprego segue recuando gradualmente

 Déficit em conta corrente encerra 2019 em 2,8% do PIB

 Casos de coronavírus já se aproximam de 10 mil

 EUA e Zona do Euro mostram desaceleração do PIB em 2019

Taxa de desemprego segue recuando gradualmente

A taxa de desemprego atingiu 11,0% em dezembro, em linha com as expectativas do mercado e abaixo da nossa projeção (11,2%). Com ajuste sazonal, a taxa de desemprego atingiu 11,6%, ante 11,7% em novembro (Gráfico 1). A taxa de subutilização da força de trabalho foi de 23,0% em dezembro, com queda de 1,1 p.p. em relação a novembro. Com ajuste sazonal, a taxa de subutilização caiu de 23,8% para 23,6%. Olhando à frente, projetamos declínio lento da taxa de desemprego, apesar da gradual aceleração da atividade econômica. Isso ocorre em parte pela mudança de composição na criação de emprego, com aumento da formalização ocorrendo concomitantemente a uma desaceleração na criação de emprego informal.

O salário real recuou 0,3% em termos dessazonalizados na comparação com o trimestre terminado em novembro, e a massa salarial desacelerou de 3% para 2,5% na comparação anual. Isso reflete o forte aumento temporário da inflação em dezembro, que reduz a renda real e impõe um viés negativo para o consumo (incluindo as vendas no varejo) no mês.

Confiança empresarial avança no primeiro mês do ano

O índice de confiança empresarial da FGV subiu 0,9 ponto em janeiro de 2020, para 98,0 pontos, maior nível desde março de 2014. O balanço setorial de seus subcomponentes indicou alta mensal na construção civil (+ 2,1 pontos), comércio (+1,3 ponto) e indústria (+ 1,5 ponto), sendo este último (em 100,9 pontos) o único indicador de confiança acima do nível de neutralidade, centrado em 100. A confiança no setor de serviços ficou praticamente estável em janeiro (-0,1 ponto), reflexo da queda no índice de situação atual (-1,4 ponto), que compensou o avanço do índice de expectativas para o futuro (+1,2 ponto). Na ponta negativa, como comentado na semana passada, a confiança do consumidor recuou 1,2 ponto no mês, influenciado pela pressão recente nos preços de alimentos que impactam o poder de compra das famílias, principalmente aquelas com menor poder aquisitivo. 

Déficit em conta corrente encerra 2019 em 2,8% do PIB

As transações em conta corrente registraram déficit de US$ 5,7 bilhões em dezembro de 2019, acima da nossa expectativa (déficit de US$ 4,2 bilhões) e das expectativas de mercado (déficit de US$ 4,6 bilhões). Acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente somou US$ 50,8 bilhões, ou 2,8% do PIB em 2019 (Gráfico 2). O principal fator de contribuição para o aumento do déficit em relação a 2018 (déficit de US$ 41,5 bilhões, ou 2,2% do PIB) foi a queda do superávit comercial, em particular a desaceleração das exportações. O déficit de serviços permaneceu praticamente estável no período, enquanto o déficit de rendas recuou, compensando em parte o enfraquecimento da balança comercial.

Para os próximos anos, projetamos déficits em conta corrente em torno de 2,5%-3,0% do PIB, em linha com a retomada da economia. Apesar do patamar mais elevado, o déficit em conta corrente deve continuar sendo confortavelmente financiado por investimento estrangeiro direto.

Déficit primário de R$ 62 bilhões (-0,9% do PIB) em 2019

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 62 bilhões em 2019 (-0,9% do PIB), frente a um déficit de R$ 108 bilhões (-1,6% do PIB) em 2018 e uma meta estabelecida para o ano de déficit de R$ 132 bilhões (-1,8% do PIB). O resultado se deu por maiores receitas extraordinárias, que afetaram liquidamente o resultado em R$ 49 bilhões (0,7% do PIB), além de gastos abaixo do previsto no orçamento do ano, por conta, de medidas de revisão de subsídios e gastos obrigatórios.

A dívida bruta do governo geral recuou de 76,5% do PIB em 2018 para 75,8% do PIB em 2019, refletindo principalmente devoluções do BNDES ao Tesouro e a redução das reservas internacionais, que somaram 2,8% do PIB no ano. A dívida líquida do setor público, por sua vez, alcançou 55,7%, frente 53,6% do PIB no ano anterior. O déficit nominal recuou de 7,1% do PIB em 2018 para 5,9%, refletindo menores despesas de juros e o melhor resultado primário. Após a aprovação da reforma da Previdência, é necessário continuar a focar na revisão de gastos obrigatórios, como as despesas de pessoal, de modo a consolidar o cenário de retorno gradual a superávits primários compatíveis com a estabilização estrutural da dívida pública.

Casos de coronavírus já se aproximam de 10 mil

A epidemia do novo coronavírus, centrada na China, tem motivado aumento de aversão ao risco e depreciação de ativos de economias emergentes, inclusive os brasileiros. Acreditamos que tais efeitos tendem a ser passageiros e que, a médio prazo, esses desenvolvimentos configuram pressão negativa sobre a atividade econômica global, e um risco potencial de baixa para a recuperação no Brasil.

PIB dos EUA cresce 2,3% em 2019

O PIB dos EUA cresceu 2,1% anualizado no 4T19, mesmo ritmo do trimestre anterior. Com isso, o PIB dos EUA desacelerou para 2,3% em 2019 (ante 2,9% no ano anterior) (Gráfico 3). No trimestre, houve desaceleração no componente de consumo das famílias e queda nos estoques das empresas. Por outro lado, os investimentos não residenciais diminuíram o ritmo de queda, em um contexto de menor desaceleração nos investimentos em equipamentos e maior crescimento nos investimentos em propriedade intelectual. Os gastos do governo aceleraram, e as exportações líquidas contribuíram positivamente, influenciado por forte queda nas importações. 

Olhando à frente, projetamos crescimento de 2,0% no PIB dos EUA em 2020, com o componente de consumo das famílias (+2,4%) liderando a demanda doméstica do país. Já os investimentos e exportações devem continuar a desacelerar, ainda reflexo das tensões comercias e moderação do crescimento global. Por fim, os gastos do governo também devem desacelerar, contribuindo para a moderação da atividade.

PIB da Zona do Euro desacelera para 1,2% em 2019

O PIB da Zona do Euro cresceu 0,1% na variação trimestral (ante 0,3% no 3T19). Com isso, o PIB de 2019 desacelerou para 1,2% (ante 1,9% no ano anterior), indicando um ritmo de crescimento aquém do observado no resto do mundo. Há expectativa de recuperação do PIB no primeiro trimestre de 2020, em um contexto de menor incerteza em relação ao Brexit e o acordo comercial entre EUA e China, mas o índice de confiança do empresário (PMI) permanece em níveis baixos, sugerindo tendência de crescimento fraco na região.

Destaques da próxima semana

No Brasil, as atenções estarão voltadas para o retorno às atividades do Congresso e a decisão de política monetária do Copom na quarta-feira. O IBGE divulga os dados de produção industrial de dezembro na terça-feira e inflação do IPCA de janeiro na sexta-feira.

Do lado internacional, os casos de coronavírus continuarão a ser monitorados de perto, enquanto os governos nacionais avaliam medidas de políticas públicas para conter seu avanço. Na agenda econômica, o índice ISM de atividade industrial dos EUA para janeiro será divulgado na segunda-feira. Na sexta-feira, os EUA publicam os dados de mercado de trabalho referentes a janeiro.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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