Itaú BBA - Criação de emprego formal segue melhorando no 4T18

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Criação de emprego formal segue melhorando no 4T18

Dezembro 21, 2018

Com este resultado, a média móvel de 3 meses avançou de 63 mil para 71 mil empregos

Foram criados 58,7 mil empregos formais em novembro

IPCA-15 encerra 2018 com alta de 3,86%

Ata do Copom indica conforto com Selic em 6,5% a.a.

EUA: Fed adota postura mais cautelosa sobre alta de juros

Foram criados 58,7 mil empregos formais em novembro

Segundo o Ministério do Trabalho houve criação líquida de 58,7 mil empregos formais em novembro (Caged) resultado acima das expectativas de mercado. Dados livres de sazonalidade apontam para a criação líquida de 82,5 mil empregos em novembro, o maior ritmo desde outubro de 2013. Com este resultado, a média móvel de 3 meses avançou de 63 mil para 71 mil empregos (Gráfico 1). Na abertura por setores, houve avanços nos 4 principais setores (serviços, comércio, manufatura e construção civil). Da mesma forma que no resultado do mês anterior, não há sinais de que a melhora do ritmo mensal do Caged desde julho esteja associada às mudanças trazidas com a Reforma Trabalhista, dados que as contratações com jornada parcial e jornada intermitente representam menos de 1% das admissões, e os desligamentos por acordo correspondem a 1,2% das demissões realizadas no mês.

IPCA-15 encerra 2018 com alta de 3,86%

O IPCA-15 registrou variação de -0,16% em dezembro, um pouco abaixo da mediana das expectativas de mercado (-0,12%). De acordo com o IBGE, esse foi o menor resultado para um mês de dezembro desde a implantação do Plano Real, em 1994. Com isso, o índice fechou o ano com alta de 3,86%, ante 2,94% no ano passado (Gráfico 2). Os grupos transportes (-0,18 p.p.), habitação (-0,08 p.p.) e saúde (-0,07 p.p.) registraram contribuições negativas no mês, diante de quedas nos preços de combustíveis, energia elétrica e cuidados pessoais. No sentido contrário, a maior contribuição de alta veio do grupo alimentação e bebidas (0,08 p.p.), seguido pela contribuição de despesas pessoais (0,05 p.p.). A nossa projeção preliminar para o IPCA de dezembro aponta variação de 0,18%, com a inflação fechando o ano em 3,78%, após registrar 2,95% em 2017.

Ata do Copom indica conforto com Selic em 6,5% a.a.

A ata do Copom surpreendeu ao reintroduzir a afirmação de que o balanço de riscos é assimétrico, com prevalência dos riscos de alta para a inflação – mesmo reconhecendo que estes são menos intensos do que avaliado anteriormente. Também divulgado nesta semana, o relatório de inflação do 4T18 mostra projeções de inflação consistentes com a estabilidade da taxa Selic, no nível atual de 6,5% a.a., ao longo de 2019, na ausência de novos choques. De fato, no cenário de referência, com taxa Selic e taxa de câmbio constantes, as projeções de inflação são de 4,0% para 2019 e 2020, e 4,1% para 2021 (ante metas de 4,25% para 2019, 4,00% para 2020 e 3,75% para 2021), mostrando necessidade de aumentos de taxa de juros apenas em 2020. Portanto, vemos o relatório como totalmente consistente com nossa projeçao de taxa Selic estável em 2019 e de início do processo de normalização da política monetária em algum momento de 2020.

Arrecadação federal segue ritmo bom de crescimento

A arrecadação federal do mês de novembro foi de R$ 119,4 bilhões, representando um recuo real de 0,3% na variação mensal em 12 meses. No entanto, o resultado da variação em doze meses foi influenciado por uma base de comparação elevada em novembro de 2017, reflexo de elevado volumes de receitas arrecadadas no Programa de Regularização Tributária (PRT) e Parcelamento REFIS. Excluindo as receitas do REFIS/PRT, a arrecadação federal avançou 4,2% na variação real em 12 meses, mantendo um ritmo bom de crescimento ao longo de 2018 (Gráfico 3).

Déficit em conta corrente menor em novembro

As transações em conta corrente registraram déficit de US$ 795 milhões em novembro, abaixo do consenso de mercado. Acumulado em 12 meses, o déficit em conta recuou para US$ 14,0 bilhões ou 0,7% do PIB, patamar historicamente baixo (Gráfico 4). Para os próximos anos, mantemos a nossa visão de aumento gradual do déficit em conta corrente em linha com alguma retomada da atividade (reduzindo o superávit comercial), mas sem comprometer a sustentabilidade das contas externas. Vale destacar que o investimento direto no país continua sendo a principal fonte de financiamento do déficit em conta corrente.   

EUA: Fed adota postura mais cautelosa sobre alta de juros

Em sua última decisão de política monetária, o Fed, Banco Central americano, subiu a taxa básica de juros para o intervalo de 2,25% a 2,50%, pela quarta vez este ano, em linha com as expectativas. A autoridade sinalizou trajetória mais lenta de elevação dos juros no ano que vem, com a mediana de expectativas dos membros do Fed apontando para duas altas em 2019 (ante três altas na reunião anterior). No comunicado que acompanhou a decisão, o Fed indicou estar monitorando os desenvolvimentos globais e financeiros. Em linhas gerais, acreditamos que a decisão do Fed é consistente com seu objetivo de equilibrar os riscos do cenário e adotar uma postura mais cautelosa de aumentos das taxas de juros. Isto ocorre em um contexto de correção acentuada nas condições financeiras nos EUA, que se disseminaram de juros mais altos e dólar mais forte para queda de ações e aumento dos spreads de crédito corporativo nos últimos dois meses. Esse aperto generalizado das condições financeiras deve levar a uma desaceleração no investimento fixo corporativo e na criação de empregos.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o resultado primário do governo central de novembro será divulgado na quinta-feira, e o resultado consolidado no dia seguinte. Na sexta-feira, o IBGE divulga a taxa de desemprego de novembro.

Do lado internacional, não enxergamos grandes destaques.



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