Itaú BBA - Copom reduz taxa Selic para 5,50% a.a.

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Copom reduz taxa Selic para 5,50% a.a.

Setembro 20, 2019

O comunicado da reunião indica que um corte adicional de 0,50 p.p. é provável na reunião de outubro.

• Selic caminhando em direção a 5%

• EUA: Fed reduz as taxas de juros em 0,25 p.p.

• Preço de petróleo recua ante forte alta após ataque a refinaria saudita

Selic caminhando em direção a 5%

Em decisão unânime, o Copom levou a taxa Selic para 5,5% a.a., como amplamente esperado (Gráfico 1). O comunicado da reunião indica que um corte adicional de 0,50 p.p. é provável na reunião de outubro. Em uma adição interessante ao comunicado, o comitê mostrou um cenário híbrido para projeções de inflação, com taxa de câmbio constante em R$/US$ 4,05 e taxa de juros recuando em linha com o consenso de mercado, que produz projeções de inflação a 3,4% em 2019 e 3,8% em 2020, ante as metas de 4,25% e 4,00% – sugerindo que o nível atual da taxa de câmbio não é um impedimento para mais estímulos. Na verdade, o texto e, em particular, as projeções de inflação, sugerem que o Copom pode testar níveis de taxas de juros ainda mais baixos, caso as projeções continuem a recuar. Por enquanto, esperamos outro corte de 0,50 p.p. na reunião de outubro, e iremos observar a divulgação dos dados e a evolução da comunicação do banco central, incluindo a ata da reunião (a ser divulgada na terça-feira, 24) e o relatório trimestral de inflação (a ser publicado na quinta-feira, 26), para reavaliar nossa visão.

EUA: Fed reduz as taxas de juros em 0,25 p.p.

Em sua última decisão de política monetária, o Fed reduziu a taxa básica de juros para o intervalo de 1,75% a 2,00%, resultado em linha com as expectativas de mercado. Olhando à frente, a mediana de expectativas dos membros do Fed sobre os próximos passos de política monetária não indica mais cortes de juros em 2019. No entanto, a distribuição dessas expectativas ainda segue inclinada para mais um corte até o fim do ano. Para 2020, a mediana das expectativas sugere estabilidade nas taxas de juros. Em sua comunicação, a autoridade avaliou que o consumo das famílias vem crescendo a um ritmo forte, enquanto os componentes de investimentos e exportações enfraqueceram na margem. Além disso, os membros do Fed indicaram que continuarão a monitorar a evolução dos dados econômicos a fim de agir apropriadamente para dar suporte à expansão da atividade. 

Em nossa visão, a autoridade manteve a porta aberta à possibilidade de mais um corte de juros em 2019, caso permaneçam os riscos para a atividade econômica global. Acreditamos que um corte de juros na reunião de outubro seja improvável, caso haja um avanço nas negociações comerciais entre EUA e China, esperados para ocorrer no mesmo mês. No entanto, é provável que tal avanço, ainda que positivo para ativos globais, não seja suficiente para reduzir de forma sustentável os riscos à atividade global. Desta forma, continuamos a projetar mais um corte de juros (de 0,25 p.p.) na reunião de dezembro.

Preço de petróleo recua ante forte alta após ataque a refinaria saudita

A semana se iniciou com forte alta nos preços de petróleo em consequência de bombardeios com drones a instalações da Arábia Saudita. O ocorrido provocou uma redução de 5% na produção internacional de petróleo, fazendo o preço do barril se elevar rapidamente. Os contratos do tipo Brent chegaram a ser negociados acima de US$ 69 por barril ante US$ 60 na última sexta feira (Gráfico 2). No entanto, após o ministro de Energia da Arábia Saudita afirmar que o país restabeleceu boa parte de sua produção, sugerindo que o choque de oferta na commodity possa ser rapidamente compensado, os preços passaram a recuar ao longo da semana e agora se encontram a US$ 65 por barril, ainda acumulando uma alta próxima de 8% na semana.

Destaques da próxima semana

No Brasil, as atenções estarão voltadas para a apreciação e votação da reforma da Previdência que podem ocorrer na próxima terça-feira. Além disso, a PEC 438, atualmente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que endereça pontos importantes para o ajuste fiscal, seguirá no radar do mercado.

Na agenda doméstica de divulgações econômicas, o Banco Central divulga a ata de sua última reunião de política monetária na terça-feira, e o relatório trimestral de inflação na quinta-feira. Ainda na terça-feira, o IBGE divulga a inflação do IPCA-15 de setembro. Ao longo da semana, a FGV divulga seus indicadores de confiança para setembro. Ainda sem data definida, os dados de criação de emprego formal (Caged) para o mês de agosto podem ser divulgados.

Do lado internacional, o índice PMI da Zona do Euro para setembro será divulgado na segunda-feira. Na terça-feira, ocorrerá nos EUA a Assembleia Geral da ONU, evento que pode trazer repercussão sobre diversos temas geopolíticos relevantes, inclusive sobre as tensões comerciais entre EUA e China.
 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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