Itaú BBA - Copom reduz taxa Selic para 3,00% a.a.

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Copom reduz taxa Selic para 3,00% a.a.

Maio 8, 2020

O Copom reduziu a taxa Selic para 3,0% a.a. e sinalizou um corte final em junho

 Copom faz corte ousado frente aos riscos

 Produção industrial recua 9,1% após ajuste sazonal em março

 IPCA recua 0,31% em abril e atinge 2,40% em 12 meses

 Congresso aprova medidas emergenciais.

 Mercado de trabalho americano se deteriora diante do choque de Covid-19

Copom faz corte ousado frente aos riscos

O Copom reduziu a taxa básica de juros para o mínimo histórico de 3,0% a.a. (esperávamos um movimento menos agressivo, para 3,25%). Isso aconteceu apesar da depreciação de mais de 20% do real desde a reunião anterior e após sinais de que a deterioração da política fiscal pode ser mais persistente que o esperado. Além disso, as autoridades indicaram que dois membros do comitê eram a favor de um corte ainda mais ousado e que a decisão de 0,75 p.p. foi um ajuste "moderado". Olhando à frente: o comunicado indica que o Copom realizará um corte final em sua próxima reunião, não maior que 0,75 p.p. Em nossa opinião, seria necessário um agravamento ainda mais intenso da situação fiscal e um nível ainda mais depreciado da taxa de câmbio para impedir que o Copom repita em junho a decisão de maio. Assim, esperamos que o banco central leve a taxa Selic para 2,25% a.a. em sua próxima reunião, patamar que deve ser mantido até o fim do ano. Note-se que, dadas as recentes mudanças legais, o banco central deverá em breve estar em posição de atuar no mercado de títulos públicos, de modo a impedir que a curva de juros fique muito mais inclinada. Isso pode deixar o comitê mais confortável para agir de forma mais rápida na parte curta da curva juros. 

Produção industrial recua 9,1% após ajuste sazonal em março

A produção industrial recuou 9,1% no comparação mensal com ajuste sazonal, resultado abaixo das expectativas do mercado (-3,7%) e próximo da nossa projeção (-8,0%) (Gráfico 1). O resultado reflete os efeitos das medidas de distanciamento social iniciadas em meados do mês. Vale notar que o declínio foi generalizado, com queda em 23 dos 26 ramos de atividade. Sob a ótica das categorias econômicas, a contração mais acentuada ocorreu no setor de bens de consumo duráveis (-23,5%). Os indicadores relacionados ao investimento também recuaram fortemente (bens de capital: -15,2%; insumos para construção civil: -12,5%).  Em nossa visão, os dados de março e abril serão relevantes para medir a magnitude da contração da atividade econômica durante o distanciamento social, mas os dados de maio, junho e terceiro trimestre também serão fundamentais para analisar a velocidade da recuperação, caso a economia possa reabrir gradualmente ao longo de maio e junho.

Dados de abril refletem a intensificação impacto do Covid-19 na atividade econômica

A produção de veículos no Brasil, segundo a Anfavea, atingiu o menor patamar da história, ao registrar produção de 1751 automóveis, após nosso ajuste sazonal. Com isso, o recuo na produção foi de 99% na variação mensal e 99,3% na variação em 12 meses. A instituição também reportou o pior resultado para as exportações em 23 anos, após registrar queda de 79,3% ante o mesmo período do ano passado. Adicionalmente,  entidade apontou que o número de trabalhadores empregados na indústria automobilística caiu 3,7% em abril de 2020, ante o mesmo período do mês anterior. Quanto ao licenciamento, segundo a Fenabrave, foram emplacados 55,7 mil veículos em abril, representando um recuo de 63,5% na variação mensal, após ajuste sazonal. Entre as categorias, as quedas nas vendas foram mais concentradas em motos (-59,6%) e automóveis e comerciais leves (-64,7%), enquanto o desempenho de caminhões e ônibus foi mais moderado que os demais (-39,4%). Também referente ao mês de abril, o índice de atividade da ABCR que mede o movimento nas estradas pedagiadas recuou 17,9% no mês. Dentre seus componentes, nota-se que a queda mais intensa foi observada no componente de veículos leves (-38,2%), enquanto o índice para veículos pesados recuou 18% no mês. 

IPCA recua 0,31% em abril e atinge 2,40% em 12 meses

O IPCA de abril registrou deflação de 0,31%, resultado um pouco abaixo da nossa projeção (-0,26%) e da mediana das expectativas do mercado (-0,24%). O grupo de transporte apresentou deflação de 2,66% em abril (maior contribuição negativa no resultado, em -0,54 p.p.), puxado pelo componente de combustíveis de veículos, que recuou 9,6% no mês. No sentido contrário, a maior contribuição de alta veio da alimentação no domicílio, que acelerou para 2,2% (de 1,4% em março). Com isso, a variação acumulada em 12 meses do IPCA recuou para 2,40% (ante 3,30% até março) (Gráfico 2). As medidas de núcleo de inflação seguem em patamares baixos e desacelerando na margem. Olhando à frente, acreditamos que as próximas leituras do IPCA devem seguir no terreno negativo. Projetamos deflação de 0,42% em maio e de 0,02% em junho. Esperamos, portanto, deflação de 0,74% no segundo trimestre do ano.

Senado aprova socorro emergencial a estados e municípios

O Senado aprovou a versão final do projeto de lei complementar que garante o apoio a estados e municípios durante a pandemia. A medida representa um auxílio de até R$ 125 bilhões a estados, Distrito Federal e municípios. Desse montante, R$ 60 bilhões são transferências diretas de recursos, enquanto o restante será dividido entre suspensão e renegociação de dívidas com a União e bancos públicos, renegociação de empréstimos com organismos internacionais, e suspensão do pagamento de dívidas previdenciárias municipais. Como contrapartida ao auxílio, foi acordado o congelamento dos salários dos servidores públicos por 18 meses. Ao mesmo tempo, o Congresso incluiu a permissão para que algumas categorias de servidores – relacionadas à saúde, segurança e educação – pudessem ter reajuste salarial nesse período. A medida aprovada no Congresso agora segue para sanção presidencial. Segundo o noticiário, existe a possibilidade de o presidente vetar a possibilidade de reajuste salarial para os servidores incluídos neste projeto de auxílio emergencial.

Congresso promulga “orçamento de guerra”

O Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional que institui o chamado “orçamento de guerra”. A emenda permite, entre outros pontos, agilizar processos para compras, obras e contratação de pessoal temporário e de serviços. Também autoriza a União a descumprir a “regra de ouro” durante o estado de calamidade pública, instituído em 20 de março e que deve vigorar até 31 de dezembro, devido ao Covid-19. Além disso, o Banco Central fica autorizado a comprar e vender títulos do Tesouro Nacional e ativos privados nos mercados secundários.

Foram destruídos 20,5 milhões de empregos formais nos EUA em abril; desemprego atinge 14,7%

Diante da elevada incerteza causada pela crise de Covid-19 e os consequentes impactos das medidas de restrição à mobilidade social nos EUA, foi registrada destruição de 20,5 milhões de empregos formais no país, a maior queda da séria histórica. A taxa de desemprego subiu para 14,7% (ante 4,4% em março), influenciada principalmente pelo aumento do desemprego temporário. Retirando o desemprego temporário da conta e considerando taxa de participação constante, a taxa de desemprego teria alcançado 8,4% no mês, sugerindo que a alta da taxa de desemprego pode ser revertida com alguma celeridade, para baixo dos 10%, nos próximos meses, quando a atividade econômica voltar a ser normalizar. Já a variação anual do salário por hora trabalhada subiu para 7,9% (ante 3,3%), potencialmente refletindo um efeito de composição.

Destaques da próxima semana

No Brasil, além da evolução dos casos, será importante acompanhar as medidas dos governos estaduais em relação à duração das medidas de distanciamento social e planejamento de reabertura. Na frente econômica, teremos mais informações sobre a visão do Copom com a divulgação da ata da reunião, na terça-feira. O IBGE divulga a receita do setor de serviços e vendas no varejo (ambos para março), na terça e quarta-feira, respectivamente. Na sexta-feira, o Banco Central divulga seu indicador de atividade econômica (IBC-Br) para março.

Do lado internacional, os dados de produção industrial, vendas no varejo e investimentos físicos da economia chinesa (ambos referentes ao mês de abril) serão publicados na quinta-feira. No dia seguinte, os dados de vendas no varejo de abril da economia americana, e o PIB do primeiro trimestre da Zona do Euro serão conhecidos.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf em anexo.



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