Itaú BBA - Copom reduz taxa Selic em 0,25 p.p. para 6,75%

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Copom reduz taxa Selic em 0,25 p.p. para 6,75%

Fevereiro 9, 2018

Estamos revisando nossa projeção da taxa Selic ao fim do ciclo de 6,50% para 6,75%, nível em que esperamos que continue ao longo do ano.

Publicamos nossa revisão de cenário
 

Copom sinaliza o fim do ciclo

IPCA sobe 0,29% em janeiro, abaixo do piso das expectativas

Vendas no varejo crescem 2% em 2017

Cenário benigno para emergentes favorece o real e reduz a inflação

Publicamos nossa revisão de cenário (acesse aqui). O crescimento global disseminado favorece um ambiente de dólar mais fraco, principalmente contra as moedas de países desenvolvidos, mas também contra grande parte dos mercados emergentes. Este cenário benigno para emergentes também se nota no Brasil, onde o recuo do risco-país observado nos últimos meses levou a um câmbio mais apreciado (revisamos nossa projeção para 2018 de 3,50 para 3,25 reais por dólar, a despeito da recente volatilidade nos mercados internacionais). Um real mais forte, aliado à perspectiva de menor bandeira tarifária para o fim do ano, resulta em uma projeção de inflação mais baixa em 2018, em 3,5% (ante 3,8%). No campo da atividade econômica, acreditamos que a recuperação vem seguindo uma trajetória sem surpresas significativas, com dados ligeiramente melhores que o esperado na margem. Projetamos crescimento do PIB de 3,0% em 2018 e de 3,7% em 2019, mas o balanço de riscos é voltado para baixo. (Tabela 1).

Copom sinaliza o fim do ciclo

O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0.25 p.p. na primeira reunião do ano e indicou com bastante clareza que, na ausência de surpresas positivas nos dados que sinalizem um cenário inflacionário ainda mais benigno, deve interromper o ciclo de queda de juros na reunião de março (Gráfico 1). Com isso, revisamos nossa projeção de fim de ciclo de 6,50% para 6,75%, nível que deve ser mantido ao longo de todo o ano. Divulgada após da decisão do Copom, a inflação de janeiro veio muito abaixo do esperado (ver abaixo), mas dado o comunicado do Copom, um resultado fraco de inflação não deve ser, isoladamente, suficiente para mudar o plano de voo do comitê. Isso posto, será importante observar à frente possíveis indicações que podem aparecer nas comunicações oficiais da autoridade monetária. 

IPCA sobe 0,29% em janeiro, abaixo do piso das expectativas

Segundo o IBGE, o IPCA registrou variação de 0,29% em janeiro, resultado abaixo do piso das expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 2,86%, ante 2,95% no fechamento do ano passado (Gráfico 2). O resultado do mês reforça os níveis baixos da inflação corrente, que apresenta uma boa composição. Olhando à frente, acreditamos que a taxa em 12 meses deve continuar a subir, atingindo 3,5% no final de 2018. Em termos desagregados, projetamos alta de 3,2% dos preços livres (após 1,3% em 2017), e de 4,5% dos preços administrados neste ano (após 8,0% em 2017). Para 2019, nossa projeção para inflação segue ao redor de 4,0%. Os principais fatores de risco para este cenário seguem atrelados às questões políticas domésticas e à evolução do cenário internacional.

Vendas no varejo crescem 2% em 2017 

As vendas no varejo recuaram 1,5% em dezembro, em termos dessazonalizados, resultado abaixo da mediana das expectativas de mercado (Gráfico 3). Em 2017, houve crescimento de 2,0% nas vendas, ante recuo de 6,3% no ano anterior. O desempenho fraco em dezembro foi disseminado, mas setores mais influenciados pelas promoções (como móveis e eletrodomésticos, e artigos de uso pessoal) foram particularmente importantes para o recuo no mês, ressaltando a relevância da Black Friday para explicar o resultado. 

Correção nos mercados globais não é sinal de instabilidade macroeconômica

A correção recente nos preços de ativos do mercado internacional reflete algum ajuste nos fundamentos, mas não é sinal de instabilidade macroeconômica e/ou financeira. Na nossa visão, por conta dos sinais crescentes de que, de fato, haverá alta de salários e inflação nos EUA, os investidores do mercado de ações americano tiveram de ajustar sua expectativa de taxa de juros, usada para descontar os fluxos de caixa futuros. Com taxas de juros mais altas, os preços devem ser menores. Além disso, com crescimento maior, inflação mais alta e menos estímulos do banco central, a volatilidade provavelmente aumentará em comparação aos níveis mais baixos observados até o ano passado.

Vale notar que boa parte do aumento recente da volatilidade, medida pelo índice de volatilidade SP500 (VIX), foi extremamente exacerbado por aspectos técnicos de mercado. Assim, a correção ficou concentrada neste indicador, que chegou a atingir máxima de 37 pontos no fechamento da última segunda-feira, e se encontra ao redor de 31 (Gráfico 4). A duração da recuperação econômica, juntamente com a política monetária flexível do Fed, Banco Central americano, promoveu estratégias de venda de volatilidade. A reorganização das posições veio exatamente no momento em que o Fed indicou aumentos “adicionais” graduais nas taxas de juros e os ganhos médios por hora trabalhada registraram alta de 2,9% em janeiro. 

Destaques da próxima semana 

No Brasil, destaque para a divulgação da ata da última decisão de política monetária do Copom na quinta-feira.

Do lado internacional, destaque para os dados de inflação e vendas no varejo da economia americana que serão divulgados na quarta-feira (ambos para janeiro). 



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