Itaú BBA - Copom mantém taxa Selic em 6,50% a.a.

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Copom mantém taxa Selic em 6,50% a.a.

Fevereiro 8, 2019

A decisão do Copom foi em linha com as expectativas. No entanto, o comunicado foi mais austero do que antecipávamos.

• Reunião sinaliza último alerta de austeridade do Copom

• Publicamos nossa atualização mensal de cenário

• IPCA subiu 0,32% em janeiro, abaixo do esperado

• Setor de veículos segue influenciado por exportações e demanda doméstica fracas

Reunião sinaliza último alerta de austeridade do Copom

A decisão do Copom foi em linha com as expectativas. As autoridades mantiveram a taxa básica de juros inalterada em 6,5% a.a., em uma decisão unânime. O comunicado, no entanto, foi mais austero quanto à condução da política monetária do que antecipávamos. O Copom avalia que os riscos inflacionários arrefeceram, mas ainda são assimétricos para cima. O comitê reforçou sua mensagem de que a política monetária precisa ser implementada com “cautela, serenidade e perseverança”, sugerindo que não há viés de alterar a postura de política monetária. 

Atividade arrefece, inflação mais baixa

Atualizamos nosso cenário econômico (acesse aqui). O Brasil parece não diferir muito da tendência regional de fraqueza do crescimento. A atividade econômica perdeu ímpeto no quarto trimestre, nos levando a revisar para baixo a expectativa de crescimento do PIB em 2018 para 1,1% (de 1,3%), e em 2019 (para 2,0%, ante 2,5%), devido a um ponto de partida pior e dados fracos na margem, que se aliam ao crescimento global um pouco menor e condições de oferta menos favoráveis no setores agropecuário e energético. Somado a uma taxa de câmbio um pouco mais apreciada, o crescimento mais contido significa pressão ainda menor sobre a inflação, que deve permanecer abaixo da metas ao final de 2018 e 2020, em 3,6% em ambos os anos. Nesse contexto, acreditamos que o Banco Central manterá a taxa Selic estável em 6,5% a.a. nas suas próximas reuniões. No entanto, este cenário está mais incerto do que o usual: iniciado o ano legislativo, as discussões sobre a reforma de Previdência começam a ganhar ainda mais destaque. Esperamos a aprovação de um pacote que tenha impacto fiscal semelhante ao da versão que tramitou recentemente no Congresso. Desvios com relação a essa hipótese básica podem levar a mudanças substanciais em nosso cenário; seja na direção positiva, em caso de uma reforma mais abrangente que o esperado; seja na direção negativa, em caso de frustração (Tabela 1).

IPCA subiu 0,32% em janeiro, abaixo do esperado

O IPCA subiu 0,32% em janeiro, resultado abaixo da mediana das expectativas de mercado (0,37%). O índice havia registrado variação de 0,15% no mês anterior e 0,29% em janeiro do ano passado. Com isso, a taxa em 12 meses subiu ligeiramente para 3,78%, ante 3,75% no fechamento do ano passado (Gráfico 1). As maiores contribuições de alta no mês vieram dos grupos alimentação e bebidas (0,22 p.p.) e despesas pessoais (0,07 p.p.). Por outro lado, o grupo vestuário registrou contribuição negativa (-0,07 p.p.). Nossa projeção preliminar para o IPCA de fevereiro aponta variação de 0,28%, com a taxa em 12 meses cedendo ligeiramente para 3,74%. Para o ano, projetamos inflação no IPCA de 3,6%, com alta de 3,3% dos preços livres e de 4,5% dos preços administrados.

Setor de veículos segue influenciado por exportações e demanda doméstica fracas

Segundo a Anfavea, 196,8 mil carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões foram produzidos no primeiro mês do ano. Assim, a produção de veículos subiu 2,4% em janeiro, após ajuste sazonal, com a variação em 12 meses recuando 10% (Gráfico 2). Veículos leves avançaram 3,1% na variação mensal dessazonalizada, enquanto caminhões e ônibus recuaram 12,3%, pelo terceiro mês consecutivo. Sob a ótica da demanda, os dados da Anfavea mostram fraqueza na média móvel de três meses, com recuos de 3,9% nas exportações e 1,4% na demanda doméstica. Também divulgado esta semana, segundo a Fenabrave, foram emplacadas 200 mil unidades em janeiro (218 mil, após ajuste sazonal) (Gráfico 3), representando uma alta mensal de 2,5%, após ajuste sazonal, ante uma queda acumulada de 9,4% nos dois últimos meses. Com isso, a variação em 12 meses aponta para uma alta de 10,2% nas vendas de veículos em janeiro (ante 10,3% no mês anterior).

Destaques da próxima semana

No Brasil, saberemos mais detalhes sobre o racional do Copom com a divulgação da ata da reunião na terça-feira. O IBGE divulga os dados de vendas no varejo na quarta-feira, e a receita real do setor de serviços no dia seguinte (ambos de dezembro). Na sexta-feira, o BCB divulga seu indicador de atividade econômica (IBC-Br) referente ao mês de dezembro.

Do lado internacional, as atenções continuarão voltadas às negociações comerciais entre EUA e China. O secretário de comércio exterior americano, Robert Lighthizer, deve se reunir em meados de fevereiro com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, para resolver os detalhes finais do acordo, em especial os mecanismos de execução e fiscalização. No Reino Unido, mais votações sobre o Brexit são esperadas no Parlamento britânico na quarta e quinta-feira. Na agenda de divulgações econômicas, a inflação ao consumidor da economia americana para janeiro será divulgada na quarta-feira.


 



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