Itaú BBA - Copom: corte de 1 p.p. em meio a incertezas

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Copom: corte de 1 p.p. em meio a incertezas

Maio 26, 2017

A decisão do comitê está sujeita a novos acontecimentos no âmbito político.

Esperamos que o Copom realize um corte de 1,0 p.p. na taxa Selic

Resultados mistos para os indicadores de confiança em maio

Opep mantém ritmo de cortes na produção de petróleo

Fed reforça expectativa de elevação dos juros em junho 

Esperamos que o Copom realize um corte de 1,0 p.p. na taxa Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volta a se reunir semana que vem. Os dados recentes mostram um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas, com atividade apresentando sinais de fraqueza na margem. As projeções de inflação do Copom devem sofrer um leve recuo em 2017 e 2018. No entanto, com o expressivo aumento da incerteza quanto à aprovação das reformas, esperamos agora que o Copom realize um corte de 1,0 p.p., mantendo assim o ritmo da reunião anterior (acesse aqui).

Resultados mistos para os indicadores de confiança em maio

Os indicadores de confiança, divulgados pela FGV, mostraram resultados mistos em maio (Gráfico 1). Para o empresário industrial, houve uma alta de 1,3% no mês, com resultados positivos em ambos os componentes de expectativas para o futuro (0,8%) e situação atual (1,5%). Na mesma linha, o indicador de confiança do consumidor subiu 2,4% no mês. A alta veio após uma forte queda de 3,6% em abril, e foi mais influenciada pelo componente de expectativas para o futuro (3,8%) do que situação atual (1,5%).

Por outro lado, houve queda de 3,3% no indicador de confiança da construção civil em maio, e queda de 0,6% no comércio. Com relação a este ultimo, vale destacar que o indicador vem melhorando gradualmente desde o fim de 2015, mas segue muito abaixo do nível percebido como neutro.

Superávit primário de R$ 13 bilhões em abril

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 13 bilhões em abril, acima das expectativas. O superávit do mês é explicado sobretudo pela arrecadação com royalties de petróleo e imposto de renda, que costumam ser favoráveis nessa época do ano. Com isso, em 12 meses, o déficit primário consolidado manteve-se em 2,3% do PIB (Gráfico 2). Acreditamos que a aprovação e implementação das reformas fiscais (principalmente da Previdência) são fundamentais para reverter de forma consistente a trajetória ascendente da dívida pública.

Agência de classificação de risco muda perspectiva da nota do Brasil para negativa

Em meio aos acontecimentos recentes que contribuíram para elevar as incertezas na esfera política, gerando volatilidade no mercado doméstico, a agência de classificação de risco S&P mudou a perspectiva do rating soberano do Brasil – a nota de risco de crédito de longo prazo em moeda estrangeira se encontra em “BB” – para negativa. Em nota, a agência mencionou os riscos sobre a agenda de implementação das reformas fiscais, fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e o retorno ao crescimento econômico.

Brasil: menos vulnerável a choques

As autoridades brasileiras têm enfatizado, desde o agravamento da incerteza política, que o país conta com amortecedores robustos, e por isso, está menos vulnerável a choques, internos e externos. Publicamos um relatório que destaca alguns destes amortecedores, que em nossa visão de fato tornaram a economia brasileira menos vulnerável a choques externos nos últimos anos (acesse aqui).

Inflação em contínua tendência de queda

A inflação do IPCA-15 ficou em 0,24% em maio, levemente acima das expectativas. Acumulada em 12 meses, a inflação recuou para 3,8%, ante 4,4% no mesmo período do mês anterior (Gráfico 3). Segundo o IBGE, este foi o menor resultado do IPCA para o mês de maio desde 2000. O resultado segue em linha com a tendência de queda da inflação observada nos últimos meses, e continua a refletir a desaceleração disseminada entre seus componentes, reforçando o impacto da atividade ainda fraca.

Conta corrente segue em território positivo 

A conta corrente apresentou um superávit de US$ 1,2 bilhões em abril, a segunda alta mensal consecutiva. Acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente recuou para US$ 19,9 bi ou 1,1% do PIB (Gráfico 4). Os dados mais uma vez confirmam a continuidade do ajuste em conta corrente, em curso desde o ano passado, em função do câmbio mais depreciado e da atividade em ritmo mais lento. Nos próximos meses, esperamos que a balança comercial mostre resultados mais modestos e por isso, apesar do superávit em conta corrente no últimos dois meses, não mudamos a nossa visão de um pequeno déficit em 2016. Do lado do financiamento, o investimento direto no país tem se mostrado resiliente, mas os fluxos para portfólio, tipicamente mais voláteis, recuaram por mais um mês.

Opep mantém ritmo de cortes na produção de petróleo 

A Oganização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu manter os cortes na produção de petróleo por mais nove meses, até março de 2018, em um esforço conjunto para diminuir os estoques globais da commodity e reequilibrar seu preço no mercado internacional, após forte queda observada desde 2014. As incertezas quanto aos próximos passos da Opep em relação ao acordo de corte na produção contribuíram para a queda da commodity na semana (Gráfico 5). Nesse contexto, também vale destacar a evolução crescente da produção de petróleo de xisto nos EUA, que já é um produtor relevante e vem ganhando importância à medida que o país reduz seus custos de exploração e aumenta sua participação na oferta global da commodity. 

Fed reforça expectativa de elevação dos juros em junho

O Fed, banco central americano, divulgou nessa semana a ata de sua última reunião. O documento indicou que a desaceleração do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2017, resultado do menor crescimento do consumo doméstico, tende a ser transitória, considerando os fundamentos positivos do consumo das famílias, e que projeta crescimento real do PIB anual “modestamente mais rápido do que o PIB potencial” até 2019. A ata informou que a maioria dos membros do comitê considera apropriada uma alta nas taxas de juros em breve, consistente com nossa expectativa de alta na reunião de junho, e iniciar a redução gradual da carteira de títulos em poder do Fed até o final do ano.

Destaques da próxima semana            

No Brasil, será uma semana com divulgações e eventos importantes do lado econômico. O Banco Central divulga sua decisão de taxa de juros na quarta-feira. Na quinta-feira, o PIB do primeiro trimestre será divulgado. Projetamos crescimento de 1,1% do PIB no 1T17, impulsionado principalmente pela produção agrícola. Já os dados de produção industrial de abril serão divulgados na sexta-feira. Por fim, ainda sem data definida, é possível que o texto base da reforma trabalhista seja votado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Do lado internacional, destaque para a sondagem de atividade (ISM, na sigla em inglês) de maio dos EUA na quinta-feira, e os dados de criação de emprego formal e taxa de desemprego da economia americana (ambos de maio). Na Ásia, as atenções estarão voltadas para a sondagem de atividade (PMI, na sigla em inglês) de maio da China na terça-feira. 


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 

 



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