Itaú BBA - Confiança em alta no Brasil

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Confiança em alta no Brasil

Janeiro 27, 2017

Os indicadores de confiança mostraram uma melhora generalizada em janeiro.

Sondagens mostram confiança em alta em janeiro

Governo anuncia acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro 

Presidente Trump adota primeiras medidas econômicas

PIB dos EUA cresce 1,6% em 2016

Sondagens mostram confiança em alta em janeiro

Os indicadores de confiança, divulgados pela FGV, mostraram uma melhora generalizada em janeiro (Gráfico 1). Para o empresário industrial, a prévia da sondagem aponta para uma alta 3,7% no mês e aumento de 0,9 p.p. da utilização da capacidade instalada. O desempenho do indicador, após a estabilização nos últimos meses, reforça nosso cenário de recuperação do setor industrial à frente. Na mesma linha, o indicador de confiança do comércio subiu 0,8% e o do setor de construção civil aumentou 3,5%, mostrando uma estabilização na margem.

Do lado do consumidor, a sondagem aponta para uma alta da confiança de 8,5% em janeiro. Ambos os componentes, de expectativas para o futuro (10,4%) e situação atual (4,4%) apresentaram altas. Por outro lado, o indicador relacionado ao mercado de trabalho segue perto do seu pior nível, sugerindo que o consumo seguirá fraco. Em nosso cenário, esperamos uma volta do consumo apenas em 2018, depois da recuperação do mercado de trabalho.

Emprego formal surpreende em dezembro

Segundo os números do CAGED (Ministério do Trabalho), a criação líquida de postos de trabalho foi negativa em 462 mil em dezembro. O resultado veio acima das expectativas de mercado (-540 mil). Corrigido por fatores sazonais, a contração foi de 19 mil postos, levando a média móvel de três meses para -81 mil (Gráfico 2). Em nossa visão, a destruição de empregos formais irá mostrar um arrefecimento nos próximos meses, à medida que as retrações na atividade econômica se atenuem. No entanto, os resultados ainda serão compatíveis com o aumento da taxa de desemprego.

Governo anuncia acordo de recuperação fiscal do Rio de Janeiro

O governo federal anunciou um acordo para a recuperação fiscal do Rio de Janeiro. O regime suspende o pagamento da dívida do estado com o aval da União nos próximos três anos, mas pode ser estendido, se necessário. O acordo busca zerar os déficits entre 2017 e 2019, que totalizam R$ 62,4 bilhões e não terá efeito imediato, uma vez que depende da aprovação do Congresso Nacional e da assembleia legislativa do estado. A União irá prover empréstimos antecipando recursos da privatização da CEDAE e de royalties de petróleo, que deverão ser usados para pagar os salários atrasados. As contrapartidas do lado da receita exigidas pelo programa são a revisão de incentivos fiscais e aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos. Do lado da despesa, há poucos detalhes das medidas, mas devem incorporar um programa de demissão voluntária e adiamento/anulação de restos a pagar, que são despesas de anos anteriores e ainda não pagas. O próximo programa de recuperação fiscal a ser negociado é o do Rio Grande do Sul. Para esse estado, o ajuste está mais encaminhado, pois a assembleia legislativa já aprovou algumas medidas, como aumento da contribuição previdenciária. Além disso, a situação do estado é menos grave que a do Rio de Janeiro.

Arrecadação federal segue fraca 

A arrecadação federal totalizou R$ 127,6 bilhões em dezembro, um pouco acima das expectativas do mercado. O resultado representa uma queda de 1,2% em termos reais contra o ano anterior, reversão na tendência de queda dos últimos três anos (Gráfico 3). Projetamos uma recuperação modesta da arrecadação em 2017, uma vez que os indicadores que mais importam para a receita (massa salarial e vendas no varejo) terão um desempenho pior que o do PIB.

Déficit externo encerra 2016 no menor nível desde 2007

O déficit em conta corrente fechou 2016 em US$ 23,5 bilhões ou 1,3% do PIB (contra US$ 59 bi ou 3,3% do PIB em 2015) (Gráfico 4), o menor nível desde 2007. A principal contribuição para a redução do déficit veio da balança comercial, com um superávit de US$ 45 bilhões. Os déficits de serviços e rendas também contribuíram, com recuos de US$ 6,5 bi e US$ 1,3 bi, respectivamente. Do lado do financiamento, o ano foi marcado por investimento direto no país resiliente, mas fortes saídas dos fluxos de investimentos em renda fixa local.  Para os próximos anos, mantemos a nossa projeção de déficits baixos, ainda que crescentes, sem comprometer a sustentabilidade externa.

Primeiros passos do governo Trump

O presidente Donald Trump anunciou medidas relacionadas a protecionismo comercial, imigração e desregulamentação do setor de energia.  Em termos de comércio, a saída dos EUA das discussões sobre o Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e sua intenção de renegociar os acordos do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) já eram esperadas para a primeira semana do novo governo. Por outro lado, saíram notícias de um possível aumento de 20% da tarifa de importação do México. No entanto, essa medida não foi confirmada pelo governo.

PIB dos EUA cresce 1,6% em 2016

O crescimento do PIB dos Estados Unidos foi de 1,9% no quarto trimestre, abaixo das expectativas. Apesar do crescimento menor do que o esperado, a composição veio melhor com a manutenção de um ritmo sólido de expansão do consumo (2,5%) e com a retomada do investimento (4%). Com esse resultado, o PIB cresceu 1,6% em 2016 (Gráfico 5).  O forte crescimento da atividade econômica, impulsionada pela demanda interna, é consistente com nosso cenário de que o Fed, banco central americano, suba os juros três vezes (de 0,25 p.p.) em 2017.

Brexit terá que passar pelo Parlamento 

A Suprema Corte britânica decidiu que o acionamento do Artigo 50, e o consequente início do processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) depende de aprovação do Parlamento. A decisão é contrária à posição defendida pelo governo de Theresa May. A Corte também decidiu, por unanimidade, que a Escócia e Irlanda do Norte não irão participar do processo de votação do Artigo 50. O resultado deve levar a uma maior participação do Parlamento nesse processo. Mantemos a nossa visão de que os dois cenários possíveis são: ou a “saída brusca” – o que implica sua saída do mercado único europeu – ou a permanência do país na UE.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE divulga a taxa de desemprego na terça-feira e a produção industrial na quarta-feira. Ambos os dados são referentes a dezembro. Do lado político, o Congresso volta às atividades após o recesso de fim de ano. As eleições para a presidência da Câmara e do Senado irão ocorrer na quinta-feira.

Nos Estados Unidos, destaque para a decisão de política monetária na quarta-feira e para divulgação dos indicadores de mercado de trabalho referentes a janeiro na sexta-feira.


 

Para o relatório completo com gráficos e tabelas, favor acessar o pdf anexo.


 

 



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